Atlas da História

Movimento Chipko

mar. 1973 (Mandal) e mar. 1974 (Reni) · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Em março de 1973, na vila de Mandal, no distrito de Chamoli (Himalaia de Garhwal), moradores impediram o corte de freixos que o governo cedera a um empreiteiro de artigos esportivos. Em 1974, em Reni, Gaura Devi e cerca de duas dúzias de mulheres se puseram diante dos lenhadores; segundo Mundoli (2024), o movimento levou à lei indiana de conservação florestal de 1980.

Florestas, remessas e restrições

Em Garhwal e Kumaon, as famílias viviam da agricultura de subsistência e do dinheiro enviado por quem trabalhava fora. Antes do Chipko já havia enchentes e deslizamentos, piores perto das florestas derrubadas. Segundo Mundoli (2024), a tributação colonial da terra tornou lucrativo desmatar, e o 4º plano quinquenal (1969–74) deu aos departamentos florestais o controle das matas, restringindo o uso pelos moradores. Desde o fim dos anos 1960, ativistas gandhianos criavam cooperativas na região; uma delas, a Dashauli Gram Swarajya Sangh (DGSS), queria os freixos para fazer ferramentas agrícolas, mas o governo da província os entregou a um empreiteiro privado para fabricar artigos esportivos. (Mundoli 2024)

Como as mulheres de Reni pararam os lenhadores

Em Mandal, em março de 1973, homens e mulheres liderados por Chandi Prasad Bhatt barraram o corte. Em Reni, no ano seguinte, o departamento florestal marcou reuniões em outro lugar para afastar os homens e a DGSS no dia do corte. Uma menina viu o ônibus dos lenhadores e avisou Gaura Devi, que dirigia a associação de mulheres da vila (mahila mandal); as mulheres puseram o próprio corpo entre os lenhadores e as árvores, conta Mundoli (2024). A palavra chipko quer dizer agarrar-se, grudar-se. (Mundoli 2024)

Líderes, caminhadas e ecos

O movimento teve rostos diferentes: Bhatt organizou acampamentos de ecodesenvolvimento, e Sunderlal Bahuguna fez longas caminhadas (padayatras) pela região. A ideia se espalhou, por exemplo, para o movimento Appiko, em Karnataka. O Chipko recebeu o Right Livelihood Award em 1987 e, em 2018, virou tema de um doodle do Google. Entre seus efeitos, Mundoli (2024) cita uma moratória de 15 anos ao corte de árvores, a Lei de Conservação Florestal de 1980 e a criação de um novo ministério. (Mundoli 2024)

Leis que afastaram os moradores

O balanço de Mundoli (2024) é ambíguo. As novas leis tiraram dos moradores o acesso às florestas, e pequenas estradas e canais de interesse local foram negados, enquanto grandes barragens eram aprovadas. A autora lembra desastres recentes na região: o deslizamento de Chamoli, em fevereiro de 2021, agravado por usinas hidrelétricas, e o afundamento de Joshimath, em janeiro de 2023. (Mundoli 2024)

Fontes

  1. Mundoli, S. (2024). "How a tree-hugging protest transformed Indian environmentalism". Nature 627: 730–732. DOI 10.1038/d41586-024-00895-y. Acessar
  2. Guha, R. (1989). The Unquiet Woods: Ecological Change and Peasant Resistance in the Himalaya. Oxford University Press. ISBN 9780195622089.

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