Vala comum de Halberstadt (Saxônia-Anhalt): nove homens mortos por golpes na nuca no fim da Cerâmica Linear (c. 5080–4997 a.C.)
c. 5080–4997 cal a.C. (intervalo mais provável das seis datas de radiocarbono; intervalo total 5289–4856 cal a.C.), no fim da Cerâmica Linear, segundo Meyer e outros (2018); o registro usa o ponto médio, 5038 cal a.C. · Europa Ocidental e do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Em 2013, escavações prévias a obras em Halberstadt, ao norte do Harz, revelaram uma cova de cerca de 2 m de diâmetro com nove indivíduos jogados sem cuidado, num assentamento da Cerâmica Linear (LBK). Segundo Meyer e colegas (2018), sete eram homens, um provável homem e uma provável mulher, de 16 a 40 anos, e os sete crânios preservados tinham golpes contundentes, quase todos na parte de trás da cabeça. Para os autores, é o primeiro caso de execução sistemática de um grupo selecionado de não locais no Neolítico Antigo da Europa Central, e difere dos massacres de comunidades inteiras de Talheim, Asparn/Schletz e Kilianstädten.
A descoberta e a datação
A vala foi achada em 2013, em escavação prévia a obras, no bairro de Sonntagsfeld, ao sul de Halberstadt, ao norte do Harz. A área é ocupada desde o Neolítico Antigo: há restos de seis casas compridas da LBK e ao menos 38 sepultamentos regulares ligados a elas. A cova, parcialmente perturbada por atividades posteriores, tinha cerca de 2 m de diâmetro e quase nenhum outro achado além de cacos de cerâmica com ornamentação típica da LBK. O bloco foi retirado inteiro e escavado em laboratório. Seis datas de ossos humanos dão 5289–4856 cal a.C., refinadas para 5214–4911 e, provavelmente, 5080–4997 cal a.C. (Meyer et al. 2018)
Nove indivíduos, quase só homens adultos
A cova continha nove indivíduos: sete homens, um provável homem e uma provável mulher. O mais jovem tinha de 16 a 20 anos e os outros sete, de 25 a 40; a provável mulher, de 21 a 26. Os autores veem nisso um perfil muito diferente do cemitério vizinho, com proporções parecidas de homens e mulheres, adultos e jovens, e diferente das valas de Talheim e Kilianstädten, com número equilibrado de crianças e adultos. A ausência de crianças é, para eles, o ponto mais notável. Os corpos estavam em posições variadas, de bruços e de costas, esticados e contraídos, sem objetos funerários duráveis. (Meyer et al. 2018)
Os ferimentos e o descarte dos corpos
Os sete crânios preservados mostram ao menos um golpe contundente perimortem; 12 das 13 lesões (92%) ficam na metade posterior do crânio, e 65% no lado direito. Dois golpes bem preservados na linha média do occipital têm tamanho semelhante, cerca de 23 × 17 mm. Há ainda fraturas completas de fêmur e úmeros em três indivíduos e cortes em duas costelas de um deles. Os corpos foram jogados na cova ainda com partes moles ligadas, e marcas de carnívoros na borda sugerem que ficaram expostos por algum tempo. Faltam crânios e membros inteiros, que os autores atribuem a animais e a perturbações posteriores. (Meyer et al. 2018)
Massacres da LBK final: o contexto
Segundo Meyer e colegas, a vala se soma a três massacres anteriores da LBK final: Talheim, na Alemanha, Asparn/Schletz, na Áustria, e Schöneck-Kilianstädten, na Alemanha, nos quais comunidades inteiras parecem ter sido destruídas. Em Talheim os corpos foram reunidos às pressas numa cova desorganizada; em Asparn há marcas de carnívoros e desarticulação parcial. Fibiger e colegas descrevem a LBK como uma cultura conhecida por valas com dezenas de indivíduos com trauma letal, agrupadas pouco antes de 5000 cal a.C., e apontam entre as causas possíveis a competição por terra arável e a desigualdade crescente; os autores de Halberstadt citam também quedas de produção agrícola ligadas ao clima. (Meyer et al. 2018; Fibiger et al. 2023)
Fontes
- Meyer, Christian; Knipper, Corina; Nicklisch, Nicole; Münster, Angelina; Kürbis, Olaf; Dresely, Veit; Meller, Harald; Alt, Kurt W. (2018). "Early Neolithic executions indicated by clustered cranial trauma in the mass grave of Halberstadt". Nature Communications 9: 2472, 25 jun. 2018. DOI 10.1038/s41467-018-04773-w. Texto bruto lido em https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC6018543/fullTextXML (Europe PMC, PMC6018543), em 30/10/2026. Acessar
- Fibiger, Linda; Ahlström, Torbjörn; Meyer, Christian; Smith, Martin (2023). "Conflict, violence, and warfare among early farmers in Northwestern Europe". Proceedings of the National Academy of Sciences 120(4): e2209481119, 17 jan. 2023. DOI 10.1073/pnas.2209481119. Texto bruto lido em https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC9942812/fullTextXML (Europe PMC, PMC9942812), em 30/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Megálitos de Carnac e das margens do Morbihan c. 5000–2300 a.C. (UNESCO)
- Poços de madeira da cultura da Cerâmica Linear na Saxônia (Altscherbitz, Brodau e Eythra), construídos por volta de 5200–5100 a.C. e datados por anéis de árvores Construção por volta de 5206–5098 a.C. (ano astronômico −5205 a −5097), datada por dendrocronologia: Altscherbitz, 5099 a.C.; Brodau, 5190 ± 10 a.C.; Eythra 1, 5098 a.C.; Eythra 2, depois de 5206 a.C. Os anéis das madeiras cobrem 5469–5098 a.C.
- Laticínios dos primeiros agricultores da Europa Central: resíduos de leite em cerâmica da cultura da Cerâmica Linear, datados diretamente (início por volta de 5400–5250 a.C.) Início da produção de laticínios entre 5445 e 5230 cal a.C. (95% de probabilidade; ano astronômico −5444 a −5229), provavelmente em 5380–5275 cal a.C. (68%), segundo o modelo de Casanova et al. (2022); o ano −5340 é o meio do intervalo de 95%, usado só como marca no tempo
- Homem de Loschbour, caçador-coletor mesolítico do abrigo de Loschbour (Heffingen, Luxemburgo), de c. 6100 a.C. 6220–5990 cal a.C. (intervalo calibrado citado por Lazaridis et al. 2014), c. 6219–5989 em ano astronômico (−(ano a.C.) + 1); o ano −6104 é o meio do intervalo, usado só como marca no tempo. O intervalo termina um pouco depois de 6000 a.C.
- Fim de Doggerland: submersão final por tsunami súbito ou por elevação lenta do mar (debate, c. 6150–6050 a.C.) c. 8100 cal AP (6150 a.C.), data do tsunami de Storegga segundo Weninger e outros (2008), até c. 8000 cal AP (6050 a.C.), data da submersão final segundo Behre (2003) citado por eles; anos astronômicos por 1950 − cal AP
- Deslizamento submarino e tsunami de Storegga (c. 6190 a.C.) c. 8140 ± 55 cal AP (8080–8180 cal AP), em datação de musgo verde morto pelo tsunami, segundo Bondevik e outros (2024); 8100 ± 100 cal AP (95%) em Weninger e outros (2008), isto é, c. 6150 a.C.; anos astronômicos por 1950 − cal AP