Atlas da História

Nagsabaran: concheiro neolítico do vale do Cagayan (Luzon)

c. 2000 a.C. a c. 1.350 anos atrás (Amano et al. 2013) · Sudeste Asiático insular

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Concheiro em Lal-lo, no vale do Cagayan, norte de Luzon, ocupado entre cerca de 2000 a.C., no Neolítico, e cerca de 1.350 anos atrás, na Idade dos Metais tardia. A camada mais antiga tem cerâmica com engobo vermelho, impressa e carimbada; porcos introduzidos aparecem desde o início e cães só mais tarde, mas a caça de animais silvestres seguiu predominante até o fim da ocupação.

Um sítio, duas ocupações separadas por uma pausa

Cochrane, Rieth e Filimoehala (2021) descrevem Nagsabaran como um concheiro situado do outro lado do rio em relação a Irigayen, que passou por muitas campanhas de escavação. A camada inferior, de silte, traz um conjunto cerâmico variado, com engobo vermelho e tratamentos impressos, carimbados em círculo e denteados, e é coberta por uma camada de concheiro. Heath, Summerhayes e Hung (2017) correlacionam a camada de silte à fase neolítica e o monte de conchas à Idade do Ferro. Para eles, há um hiato entre as duas, sinalizado pela ausência de material cultural numa das camadas, e a inundação do rio Cagayan, que teria levado ao abandono do sítio, é uma explicação possível. Depois de cerca de 500 anos o local foi reocupado por um grupo sedentário de origem desconhecida. Amano et al. (2013) resumem a ocupação como estendida de cerca de 2000 a.C. até os últimos 1.500 anos. (Cochrane et al. 2021; Heath et al. 2017; Amano et al. 2013)

Porcos, cães e caça: o que a fauna mostra

A análise dos restos de fauna por Amano et al. (2013) busca entender a chegada de populações animais manejadas, a subsistência e o processamento dos animais. Segundo o resumo, os porcos introduzidos estão presentes desde as primeiras fases de assentamento, enquanto os cães só aparecem a partir do Neolítico tardio e da Idade dos Metais. O conjunto é dominado por espécies silvestres, o que indica dependência da caça mesmo até a Idade dos Metais tardia (c. 1.350 anos atrás), e não houve intensificação da criação de animais, ao contrário de outros sítios da região da mesma época, o que mostra variação regional no peso dos animais domésticos introduzidos. Carcaças inteiras eram levadas ao sítio e processadas, e a presença de ferramentas acabadas e de elementos ósseos sobrerrepresentados sugere a fabricação de implementos de osso no local nas fases tardias. (Amano et al. 2013)

Panelas que contam como se vivia

Heath, Summerhayes e Hung (2017) analisaram quimicamente 47 fragmentos de cerâmica das escavações de 2004 em Nagsabaran, em busca da natureza das primeiras comunidades austronésias. Na fase neolítica, a cerâmica sai de muitas combinações de argilas e de minerais de preenchimento, todos da aluvião do vale do Cagayan; na Idade do Ferro, quase tudo vem de duas fontes de argila. Os autores leem a variedade antiga como sinal de populações móveis, que circulavam pelo vale e interagiam com outros grupos, e a redução posterior como localização da produção, típica de comunidade mais sedentária. Nenhum dos dois padrões se encaixa num modelo de produtor especializado. Eles assinalam também semelhanças entre a cerâmica do vale e a de cavernas do interior (Peñablanca), o que sugere interação entre caçadores-coletores e os primeiros austronésios, ou uma atividade regional ampla, e que a cerâmica preta da Idade do Ferro se parece com a de Taiwan. (Heath et al. 2017)

A datação do sítio tem problemas

A análise bayesiana de Cochrane, Rieth e Filimoehala (2021) estima que a cerâmica entrou no registro arqueológico de Luzon entre 5430 e 4290 anos cal AP (95,4% de probabilidade), com base em 24 determinações de radiocarbono de cinco sítios. Só Nagsabaran, com 33 datas publicadas, permite um modelo próprio, e o modelo preferido usou 16 delas. Os autores observam que esse intervalo é mais antigo e menos preciso que o de 3950–3250 anos AP, de Hung e colegas, e o de 4150–3950 anos AP, de Carson e Hung, e que o sítio é prejudicado por inversões data-profundidade, descrições contraditórias de formação do depósito, falta de dados isotópicos ou taxonômicos das amostras e análises ad hoc. (Cochrane et al. 2021)

Em debate: a expansão a partir de Taiwan

Heath, Summerhayes e Hung (2017) partem da hipótese de que falantes de línguas austronésias saíram de Taiwan para as Filipinas e adiante, e tomam a cerâmica com engobo vermelho como assinatura arqueológica dessa expansão. Eles sustentam que, 500 anos depois dos primeiros assentamentos no norte de Luzon, um grupo teria cruzado 2.300 km de mar aberto até as Marianas. Cochrane, Rieth e Filimoehala (2021) testam as hipóteses de "Fora de Taiwan" e da "rota ocidental" pela distribuição das datas da cerâmica inicial e concluem que a ordem não apoia claramente nenhuma delas: a cerâmica mais antiga aparece, dentro da precisão do radiocarbono, ao mesmo tempo no oeste de Bornéu e no norte das Filipinas, e depois se espalha em ordens variáveis, o que sustenta uma dispersão em várias direções. Os autores contestam também a ideia de que a cerâmica de Nagsabaran antecederia a de Mussau, notando que a de Bornéu (MAD1) é mais antiga e traz os mesmos tratamentos de superfície. (Heath et al. 2017; Cochrane et al. 2021)

Fontes

  1. Amano, N.; Piper, P. J.; Hung, H.-c.; Bellwood, P. (2013). "Introduced Domestic Animals in the Neolithic and Metal Age of the Philippines: Evidence From Nagsabaran, Northern Luzon". The Journal of Island and Coastal Archaeology 8: 317–335. DOI 10.1080/15564894.2013.781084. Acessar
  2. Heath, H.; Summerhayes, G.; Hung, H.-c. (2017). "Enter the Ceramic Matrix: Identifying the Nature of the Early Austronesian Settlement in the Cagayan Valley, Philippines". In: New Perspectives in Southeast Asian and Pacific Prehistory, pp. 213–231. ANU Press. DOI 10.22459/ta45.03.2017.12. Acessar
  3. Cochrane, E. E.; Rieth, T. M.; Filimoehala, D. (2021). "The first quantitative assessment of radiocarbon chronologies for initial pottery in Island Southeast Asia supports multi-directional Neolithic dispersal". PLOS ONE 16: e0251407. DOI 10.1371/journal.pone.0251407. Acessar

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