Expansão austronésia
c. 4.000 anos atrás (Taiwan e Filipinas) até c. 1290 d.C. (Nova Zelândia) · Sudeste Asiático insular, Pacífico, África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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De Taiwan ao Pacífico e a Madagascar, povos de línguas austronésias se espalharam por milhares de anos. Cerâmica, línguas e genes contam histórias parciais e nem sempre coincidentes: o modelo “Fora de Taiwan” é debatido, e as datas variam de c. 4.000 anos atrás nas Filipinas a c. 1290 na Nova Zelândia.
Língua, genes e cerâmica: histórias parciais
As línguas austronésias vão de Taiwan e do Sudeste Asiático insular à Oceania e a Madagascar. Lipson et al. (2014) tomam Taiwan como origem com base em evidências linguísticas e arqueológicas, mas lembram que alguns autores preferem difusão cultural, e que a ancestralidade ligada a Taiwan varia muito entre grupos que falam línguas austronésias. Há ainda ancestralidade extra, ligada aos H’tin, no oeste do Sudeste Asiático insular. Falar uma língua austronésia não é o mesmo que ter uma origem genética única; língua, genes e cerâmica respondem a perguntas diferentes e podem seguir caminhos distintos. As datas de mistura genética que Lipson et al. estimam são bem mais recentes que a expansão. (Lipson et al. 2014)
Do continente às ilhas: o debate sobre a cerâmica
Cochrane et al. (2021) modelaram datas de radiocarbono de 20 sítios e compararam o modelo “Fora de Taiwan” (cerâmica no norte das Filipinas c. 4.000 AP; Sulawesi e Bismarck c. 3.450–3.300 AP) com uma rota ocidental. Faixas modeladas incluem Luzon 5.430–4.290 AP, Batanes 3.380–2.590 AP, Sulawesi 4.550–3.590 AP e Mussau 3.470–3.010 AP. A coincidência de datas em Bornéu e no norte das Filipinas favorece uma dispersão em várias direções. O artigo critica as datas de resíduos de Bellwood e Dizon e aponta problemas na cronologia de Nagsabaran, e revisores também criticaram o próprio estudo. (Cochrane et al. 2021)
Lapita e a Polinésia Oriental
Skoglund et al. (2016) situam a cerâmica Lapita entre c. 3.450–3.250 e 2.700–2.500 AP; o DNA de Teouma (Efate, Vanuatu) e de Talasiu (Tonga) mostra pouca ou nenhuma ancestralidade papuana, que teria chegado em movimentos posteriores. Fiji recebeu essa ancestralidade mais tarde, e as ilhas mais isoladas só foram alcançadas c. 1.000 a 700 AP. A datação de 1.434 amostras de radiocarbono por Wilmshurst et al. (2011) mostra duas fases na Polinésia Oriental: as Ilhas da Sociedade c. 1025–1120 d.C., e depois as demais (Havaí, Rapa Nui, Nova Zelândia) c. 1190–1290, a partir da região de Samoa e Tonga. (Skoglund et al. 2016; Wilmshurst et al. 2011)
A travessia até Madagascar
Crowther et al. (2016) analisaram 2.443 restos de plantas de 18 sítios, c. 650–1200 d.C.: em portos africanos as culturas asiáticas (arroz, feijão-mungo, algodão) aparecem em menos de c. 8% dos restos, e nas Comores e em Madagascar os primeiros conjuntos (séc. VIII–X) são dominados por plantas asiáticas, com arroz desde o séc. VIII nas Comores. Pierron et al. (2017) encontram ancestralidade de Bornéu (Banjar, dayak do sul) e bantua em Madagascar, com mistura há 500–900 anos e sem contribuição indiana. Kusuma et al. (2015) falam em navegantes do mar, e Brucato et al. (2019) em fluxo para a Somália e o Iêmen. (Crowther et al. 2016; Pierron et al. 2017; Kusuma et al. 2015; Brucato et al. 2019)
Fontes
- Cochrane, E. E.; Rieth, T. M.; Filimoehala, D. (2021). "The first quantitative assessment of radiocarbon chronologies for initial pottery in Island Southeast Asia supports multi-directional Neolithic dispersal". PLOS ONE 16: e0251407. DOI 10.1371/journal.pone.0251407. Acessar
- Wilmshurst, J. M.; Hunt, T. L.; Lipo, C. P.; Anderson, A. J. (2011). "High-precision radiocarbon dating shows recent and rapid initial human colonization of East Polynesia". Proceedings of the National Academy of Sciences 108(5): 1815–1820. DOI 10.1073/pnas.1015876108. Acessar
- Lipson, M. et al. (2014). "Reconstructing Austronesian population history in Island Southeast Asia". Nature Communications 5: 4689. DOI 10.1038/ncomms5689. Acessar
- Skoglund, P. et al. (2016). "Genomic insights into the peopling of the Southwest Pacific". Nature 538(7626): 510–513. DOI 10.1038/nature19844. Acessar
- Crowther, A. et al. (2016). "Ancient crops provide first archaeological signature of the westward Austronesian expansion". Proceedings of the National Academy of Sciences 113(24): 6635–6640. DOI 10.1073/pnas.1522714113. Acessar
- Pierron, D. et al. (2017). "Genomic landscape of human diversity across Madagascar". Proceedings of the National Academy of Sciences 114(32). DOI 10.1073/pnas.1704906114. Acessar
- Brucato, N. et al. (2019). "Evidence of Austronesian Genetic Lineages in East Africa and South Arabia: Complex Dispersal from Madagascar and Southeast Asia". Genome Biology and Evolution 11(3): 748–758. DOI 10.1093/gbe/evz028. Acessar
- Kusuma, P. et al. (2015). "Mitochondrial DNA and the Y chromosome suggest the settlement of Madagascar by Indonesian sea nomad populations". BMC Genomics 16: 191. DOI 10.1186/s12864-015-1394-7. Acessar
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