Atlas da História

Marcos do Reino de Saba (Marib)

Marib capital desde meados do séc. VIII a.C. (Görsdorf e Vogt 2001) até a chegada do Islã, c. 630 (UNESCO 1700) · Península Arábica

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Sete sítios do antigo Reino de Saba, no atual Iêmen, entre eles Marib, capital desde meados do séc. VIII a.C., e Sirwah. Templos ligados por uma via de peregrinação e uma represa que alimentava canais de irrigação marcaram o oásis de Marib, que a UNESCO considera o maior oásis artificial da Arábia antiga. O reino de Saba durou até o séc. III d.C., quando foi dominado pelos himiaritas; o conjunto representa a história sul-arábica até a chegada do Islã, c. 630.

Placa votiva com dedicatória em sabeu
Placa de liga de cobre com inscrição de dedicatória em língua sabeia, escrita do sul da Arábia. Documenta o hábito de oferecer placas inscritas e a escrita própria do reino de Saba. Placa votiva com dedicatória em sabeu, artesãos sabeus não identificados, fim do I milênio a.C.. CC0 1.0 (domínio público). Ver no acervo

Incenso, inscrições e um governo centralizado

Segundo a UNESCO, a riqueza de Saba veio do controle de boa parte da rota do incenso, que ligava o sul da Arábia ao Mediterrâneo e se entrelaçava com o comércio da África Oriental. Do séc. VIII a.C. ao séc. III d.C., o reino foi a principal potência política e cultural do sul da Arábia, até ser dominado pelos himiaritas (Ḥimyar). As muitas inscrições gravadas em muros registram acontecimentos históricos, festas religiosas e decisões administrativas e revelam uma administração forte e centralizada. O conjunto reúne duas cidades: Marib, murada, centro administrativo, cultural e econômico, e Sirwah, fortificada, a cerca de 40 km a oeste, que talvez funcionasse como capital militar. Os santuários de Ḥarūnum, Awām e Bar'ān, com propileus monumentais, atraíam fiéis de toda a península. (UNESCO, lista nº 1700)

Templos de longa duração e suas regras

O Instituto Arqueológico Alemão estuda o oásis de Marib de forma sistemática desde 1975. No templo de Bar'an, dedicado a Almaqah, as datações por radiocarbono vão do séc. X a.C. ao séc. XII d.C. e indicam quatro fases de construção, com uso do séc. IX a.C. até o fim do séc. IV d.C. (Görsdorf e Vogt 2001). As inscrições mostram também como os santuários eram administrados. Maraqten (2026) analisa oito inscrições jurídicas encontradas há pouco no templo de Awām: decretos gravados junto à entrada noroeste proíbem a entrada de animais nas áreas sagradas, e o dono do animal infrator devia pagar multa ao rei e às autoridades do templo. O autor liga essas normas à pureza ritual, documentada ainda em inscrições de confissão pública e penitência, e apresenta uma inscrição de Bar'an que proíbe a entrada de cabras no santuário. (Görsdorf e Vogt 2001; Maraqten 2026)

Por que a represa foi erguida naquele ponto

A UNESCO descreve a represa de Marib como o ponto alto da engenharia hidrológica da região: ela alimentava um sistema de canais que permitia cultivar um vasto território ao norte e ao sul da cidade. Alshami e Metwaly (2026), da Universidade Rei Saud, perguntaram se a escolha do local foi acaso ou cálculo. Com sistemas de informação geográfica e uma análise de sobreposição ponderada de fatores hidrológicos e geomorfológicos, mostraram que a represa fica exatamente numa zona de acúmulo de escoamento muito alto, que ocupa apenas 0,8% da paisagem estudada. Para os autores, é a primeira prova geoespacial de que a escolha foi deliberada e baseada em critérios mensuráveis. (UNESCO, lista nº 1700; Alshami e Metwaly 2026)

Um patrimônio inscrito já em perigo

O conjunto entrou na Lista do Patrimônio Mundial em janeiro de 2023 e, no mesmo ano, na Lista do Patrimônio em Perigo, onde continua. A avaliação da UNESCO considera muito precário o estado físico dos sítios, com alguns elementos gravemente danificados, e altamente vulneráveis a integridade e a autenticidade, por causa da guerra e da pressão do crescimento urbano. A expansão da cidade moderna de Marib destruiu áreas de potencial arqueológico, e preocupa a demolição da arquitetura vernácula posterior a Saba, que liga a cultura sabeia às que se formaram depois da chegada do Islã. Os sítios são protegidos pelas leis de antiguidades nº 21/1994 e nº 8/1997, e a antiga Marib, como cidade histórica, pela lei nº 16/2013. A UNESCO registra, porém, que não há plano de gestão, que a autoridade legal nos limites dos sítios não é clara e que parte da proteção vem das comunidades locais. (UNESCO, lista nº 1700)

Fontes

  1. UNESCO World Heritage Centre, "Landmarks of the Ancient Kingdom of Saba, Marib", lista nº 1700. https://whc.unesco.org/en/list/1700/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
  2. Görsdorf, J.; Vogt, B. (2001). "Radiocarbon Datings from the Almaqah Temple of Bar'an, Ma'rib, Republic of Yemen: Approximately 800 cal BC to 600 cal AD". Radiocarbon 43(3): 1363–1369. DOI 10.1017/s0033822200038601. Acessar
  3. Tuaiman, A. M. S. (طعيمان، علي بن مبارك صالح) (2022). "Gufaina dam in Ma'rib Oasis is a model of transformative dams in the pre-Islamic Kingdom of Saba architectural field study". دورية كان التاريخية 15(57): 217–225. DOI 10.21608/kan.2022.299881. Acessar
  4. Maraqten, M. (2026). "The Prohibition of Animal Entry at the Awām Temple/Mahram Bilqīs, Marib, Yemen". Athīrat: Journal of Ancient Arabia 2(1-2): 143–164. DOI 10.1163/30504880-12340031. Acessar
  5. Alshami, A.; Metwaly, M. (2026). "Geospatial Analysis of Geomorphological and Hydrological Factors Influencing the Site Selection of the Ancient Marib Dam". Land 15(6): 894. DOI 10.3390/land15060894. Acessar

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