Túmulos de Dilmun
c. 2200–1750 a.C. (UNESCO 1542; Laursen 2008) · Península Arábica
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Cerca de 11.774 túmulos, originalmente torres cilíndricas baixas, em seis campos de túmulos que, com os túmulos reais de A'ali, formam 21 componentes no oeste da ilha do Bahrein, construídos entre 2200 e 1750 a.C., quando Dilmun era um polo comercial. Os 17 túmulos reais de A'ali, com dois andares, indicam, segundo Laursen (2008), uma elite governante formada no fim do 3º milênio a.C., que fundou uma colônia em Failaka, no atual Kuwait.
Do montículo de pedras à torre coberta de cascalho
A divisão entre túmulos de tipo antigo e de tipo tardio vem das escavações de Cornwall nos anos 1940, segundo a Autoridade de Cultura e Antiguidades do Bahrein. Os antigos medem em média 2,5 m de diâmetro e no máximo 1,5 m de altura, cobrem uma cista simples e ficam espalhados pelas encostas calcárias do centro da ilha, em torno de Riffa; cerâmica do Umm an-Nar e da Mesopotâmia, junto com a falta de selos, os situa entre c. 2200 e 2050 a.C. Os tardios, de c. 2050 a 1750 a.C., têm 2 a 3 m de altura e 6 a 11 m de diâmetro, uma câmara de pedra seca com nichos aberta para o sudoeste e uma espessa camada de terra por cima; formam cemitérios densos no lado oeste do domo calcário. A UNESCO lembra que eram, na origem, torres cilíndricas baixas, e que os nichos, até seis conforme a posição social do morto, recebiam oferendas. O mapeamento dano-bareinita contou c. 17 mil túmulos antigos e 58 mil tardios; hoje restam cerca de mil e 13.500, respectivamente. (Bahrain Authority for Culture and Antiquities; UNESCO, lista nº 1542)
Chefes ou reis? A hierarquia nas sepulturas
Laursen (2008) partiu de fotografias aéreas de todos os campos de túmulos e identificou um tipo raro, cercado por um muro anelar externo, que atribui a um segmento destacado da sociedade. Esses túmulos aumentam de tamanho com o tempo e, depois que os enterramentos se concentram em dez cemitérios por volta de 2050 a.C., só aparecem em A'ali, onde três agrupamentos indicariam uma ou mais linhagens governantes. A Autoridade de Cultura do Bahrein distingue os túmulos de chefes, com 13 a 26 m de diâmetro, dos chamados reais, com até 50 m de diâmetro e 12 m de altura, câmaras de dois andares, nichos rebocados e acesso por poço ou corredor. A mesma página adverte que nenhuma pesquisa provou uma dinastia ligada a esses túmulos, que podem ser mausoléus de famílias ou de clãs. A UNESCO, por sua vez, associa dois dos últimos reis de Dilmun, Ri'Mum e Yagli-'El, aos túmulos reais 8 e 10. (Laursen 2008; Bahrain Authority for Culture and Antiquities; UNESCO, lista nº 1542)
Famílias, crianças e terras pouco férteis
Como os restos de assentamentos são escassos e estão sob espessas camadas de solo, os túmulos são o testemunho mais extenso da cultura de Dilmun antigo, segundo a UNESCO. Os já escavados reúnem milhares de pessoas de idades, gêneros e posições sociais diferentes, e os cemitérios ocupam de propósito as terras menos férteis da ilha. A Autoridade de Cultura do Bahrein descreve ainda um tipo presente em todos os campos: um túmulo central ao qual se juntam túmulos menores, cercados por meios-anéis de pedra, com câmaras simples e sem nichos. A razão desses conjuntos é incerta, mas supõe-se que reunissem parentes, e o tamanho de algumas câmaras indica sepulturas de crianças. A mesma página registra a hipótese de Rice (1994) de que os cemitérios tardios, organizados como "propriedades funerárias" e não em zonas dispersas, tenham sido construídos em escala quase industrial. (UNESCO, lista nº 1542; Bahrain Authority for Culture and Antiquities)
Um século de escavações e o que falta proteger
A pesquisa sobre os túmulos de Dilmun tem mais de cem anos, e ainda se discute como as práticas funerárias mudaram, como os cemitérios se formaram e o que eles dizem da organização social. Abe e Uesugi (2024), da missão japonesa, apresentam dois projetos: o Dilmun Mapping Project, que estuda a distribuição dos túmulos e a formação dos grandes cemitérios, e o projeto de Wadi al-Sail, que revela as práticas funerárias da fase mais antiga do período e oferece pistas sobre as origens de Dilmun. A UNESCO informa que os 21 componentes são monumentos nacionais pelo Decreto-Lei nº 11 de 1995, que a vizinhança de áreas residenciais prejudicou a integridade visual de alguns deles e que cinturões verdes estão sendo criados como correção. Os campos de Wadi as-Sail e Umm Jidr, que reúnem a maior parte dos túmulos de tipo antigo, ficaram fora da inscrição de 2019 e estão previstos para uma segunda etapa. (Abe e Uesugi 2024; UNESCO, lista nº 1542)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Dilmun Burial Mounds", lista nº 1542. https://whc.unesco.org/en/list/1542/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Laursen, S. T. (2008). "Early Dilmun and its rulers: new evidence of the burial mounds of the elite and the development of social complexity, c. 2200–1750 BC". Arabian Archaeology and Epigraphy 19(2): 156–167. DOI 10.1111/j.1600-0471.2008.00298.x. Acessar
- Bahrain Authority for Culture and Antiquities, "Typology of Dilmun Burial Mounds". https://culture.gov.bh/en/authority/CulturalHighlights/DBM/TypologyofDilmunBurialMounds (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Abe, M.; Uesugi, A. (2024). "Early Dilmun Burial Mounds in Bahrain: the Wâdî al-Sail Archaeological Project and the Dilmun Mapping Project". Arabian Humanities 19. DOI 10.4000/1243l. Acessar
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