José Bonifácio de Andrada e Silva
1763 – 1838 (Franco-Patrocínio e Freitas-Reis 2015) · Terras baixas da América do Sul, Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Nascido em Santos em 1763, estudou em Coimbra e passou cerca de uma década em centros científicos europeus como mineralogista. De volta ao Brasil em 1819, integrou a junta de São Paulo e, em 1822, foi ministro de D. Pedro. Na Constituinte, propôs a integração dos indígenas e a emancipação gradual dos escravizados. Morreu em 1838.
Formação em Coimbra e anos europeus
Segundo Franco-Patrocínio e Freitas-Reis (2015), Bonifácio nasceu em Santos em 1763, de família aristocrática, e em 1783 partiu para Portugal. Matriculou-se em Direito e, um ano depois, em Filosofia Natural na Universidade de Coimbra, onde estudou Química e História Natural com Vandelli e Física com Dalla Bella; formou-se em Filosofia em 1787 e em Leis em 1788. Foi admitido na Academia Real de Ciências de Lisboa e passou cerca de dez anos em centros europeus, inclusive na França, onde se tornou membro correspondente da Sociedade de História Natural de Paris em 1791, e na Suécia, Noruega e Dinamarca, onde inspecionou usinas e minas. (Franco-Patrocínio e Freitas-Reis 2015)
Os minerais de 1800 e a leitura da ciência
Em 1800, Bonifácio publicou uma memória com minerais da Suécia e da Noruega e afirmou ter encontrado doze espécies novas. Franco-Patrocínio e Freitas-Reis (2015) contam que apenas quatro eram realmente desconhecidas (espodumênio, petalita, criolita e escapolita) e que as demais eram variedades de minerais já descritos. Segundo os autores, a petalita foi o mineral em que o sueco Arfwedson identificou o lítio, em 1818, no laboratório de Berzelius. O texto defende que a carreira científica dele foi pouco estudada diante da política. (Franco-Patrocínio e Freitas-Reis 2015)
De volta ao Brasil: São Paulo e o ministério de 1822
Franco-Patrocínio e Freitas-Reis (2015) registram que, de volta ao Brasil em 1819 e depois da viagem mineralógica com o irmão Martim Francisco, Bonifácio integrou a junta provisória de São Paulo em 1821 e escreveu as instruções aos deputados paulistas às Cortes de Lisboa, com defesa de maior instrução pública. Graham (1824), que viveu no Brasil na época, descreve a aclamação em São Paulo e o apresenta como letrado que estudara, viajara e combatera na Europa. Em 1822 foi ministro de D. Pedro; segundo Oberacker Jr. (1977), foi a seu pedido que Leopoldina convocou, em 2 de setembro, o Conselho de Estado que decidiu a separação. (Franco-Patrocínio e Freitas-Reis 2015; Graham 1824; Oberacker Jr. 1977)
Constituinte, exílio e memória
Na Assembleia Constituinte, em 1823, Bonifácio apresentou, segundo Franco-Patrocínio e Freitas-Reis (2015), dois projetos: um sobre a integração dos indígenas à sociedade e outro sobre a abolição da escravatura com emancipação gradual dos escravizados. Com a dissolução da Constituinte por D. Pedro I, ele e os irmãos foram exilados na França, de 1823 a 1829; ali publicou poemas, sob o pseudônimo de Américo Elísio, que exaltavam os indígenas e a abolição. Voltou em 1829, foi tutor de D. Pedro II e dos irmãos dele em 1831 e morreu em 1838, em Niterói. (Franco-Patrocínio e Freitas-Reis 2015)
Fontes
- Franco-Patrocínio, S. O.; Freitas-Reis, I. (2015). "José Bonifácio de Andrada e Silva Revisitado: O Professor da Universidade de Coimbra". Revista Virtual de Química 7(6): 2663–2673. DOI 10.5935/1984-6835.20150160. Acessar
- Graham, M. (1824). Journal of a Voyage to Brazil, and Residence There, During Part of the Years 1821, 1822, 1823. Londres. Texto digital em Project Gutenberg, https://www.gutenberg.org/ebooks/21201 (consultado em 08/10/2026). Acessar
- Oberacker Jr., C. H. (1977). "A biografia da imperatriz Leopoldina e a História do Brasil". Revista de História 55(110): 391–. DOI 10.11606/issn.2316-9141.rh.1977.76257. Acessar
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