Mahajanapadas: os dezesseis grandes países e Magadha sob Bimbisara
c. 600–345 a.C. (datas do Wikidata; os textos páli não dão datas absolutas) · Sul da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Os textos páli do cânone budista falam de dezesseis grandes países (mahājanapada), de Aṅga e Magadha a Gandhāra e Kamboja, nomeados numa lista que o Buda usa para comparar a soberania humana com a observância do sabá. Nos mesmos textos, Bimbisara, rei de Magadha com capital em Rājagaha, recebe o Buda, doa-lhe o Bosque de Bambu e decreta que ninguém deve fazer mal aos monásticos sakya. Seu filho Ajātasattu aparece como o rei que o matou para reinar, segundo o Sāmaññaphalasutta.
A lista em Aṅguttara 3.70
No sermão a Visākhā, o Buda enumera os dezesseis países (soḷasa mahājanapada): Aṅga, Magadha, Kāsi, Kosala, Vajji, Malla, Cetī, Vaṅga, Kuru, Pañcāla, Maccha, Sūrasena, Assaka, Avanti, Gandhāra e Kamboja (no páli lido: aṅgānaṁ, magadhānaṁ, kāsīnaṁ, kosalānaṁ, vajjīnaṁ, mallānaṁ, cetīnaṁ, vaṅgānaṁ, kurūnaṁ, pañcālānaṁ, macchānaṁ, sūrasenānaṁ, assakānaṁ, avantīnaṁ, gandhārānaṁ, kambojānaṁ). A tradução de Sujato lê a oitava palavra como Vaccha e traduz Kamboja por 'Persia'. As leituras divergem, e o registro segue o páli lido. (Aṅguttara Nikāya 3.70)
Bimbisara, Rājagaha e o Bosque de Bambu
O Mahāvagga chama o rei de Seniya Bimbisāra de Magadha e situa o Buda em Rājagaha, no Bosque de Cana junto ao santuário Suppatiṭṭha. O rei vai ouvi-lo com 120.000 brâmanes chefes de família; segundo o texto, 110.000 deles, com Bimbisara à frente, alcançaram a visão do Dhamma. No dia seguinte oferece uma refeição e, pensando num lugar nem longe nem perto da cidade, doa o Bosque de Bambu ao Sangha; o Buda diz então 'eu permito monastérios'. Em outras passagens, o médico Jīvaka diz cuidar de Bimbisara e do Sangha, e o rei promulga o decreto de proteção aos monásticos sakya. (Mahāvagga (Khandhaka 1))
Ajātasattu e os seis mestres no Sāmaññaphalasutta
O sutta abre com Ajātasattu de Magadha, 'filho da princesa de Videha', sentado em Rājagaha na lua cheia. Seus ministros indicam seis mestres a visitar; o rei, calado, acaba indo ao Buda no Bosque de Mangas de Jīvaka. Ao fim, ele confessa ter matado o pai, um rei justo, 'por poder', e o Buda aceita a confissão, dizendo que sem o parricídio a visão do Dhamma teria surgido nele ali mesmo. O texto não dá ano; para o contexto desses mestres, ver o registro dos movimentos śramaṇa. (Dīgha Nikāya 2)
O que o registro não afirma
As fontes lidas são textos religiosos budistas, fixados por escrito séculos depois, segundo a literatura que não foi lida. Delas saem o nome de dezesseis países, o papel de Magadha com Bimbisara e Ajātasattu e a presença de Gandhāra e Kamboja no noroeste. Não saem datas em anos do calendário atual, a conquista de Aṅga por Magadha, a extensão territorial de cada país, nem a ordem das anexações. Esses pontos dependem de estudos modernos e de fontes jainistas, brâmanes e epigráficas, que ficam como leitura sugerida. (Aṅguttara Nikāya 3.70; Mahāvagga (Khandhaka 1); Dīgha Nikāya 2)
Fontes
- Aṅguttara Nikāya 3.70, Uposathasutta (O sabá). Tradução inglesa de Bhikkhu Sujato, com o texto páli da edição Mahāsaṅgīti Tipiṭaka (Buddhavasse 2500), pela API de dados do SuttaCentral: https://suttacentral.net/api/bilarasuttas/an3.70/sujato?lang=en (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Mahāvagga (Khandhaka 1), Vinaya Piṭaka, seções 22 (encontro com Bimbisāra), 39 a 47 (Jīvaka e os decretos de Bimbisāra) (pli-tv-kd1). Tradução inglesa de Ajahn Brahmali, pela API de dados do SuttaCentral: https://suttacentral.net/api/bilarasuttas/pli-tv-kd1/brahmali?lang=en (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
- Dīgha Nikāya 2, Sāmaññaphalasutta (Os frutos da vida ascética). Tradução inglesa de Bhikkhu Sujato, pela API de dados do SuttaCentral: https://suttacentral.net/api/bilarasuttas/dn2/sujato?lang=en (baixado e lido em 29/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Mahāvīra (Vardhamāna) 599–527 a.C. na tradição jaina dos svetâmbaras (cálculo do atlas a partir de Jacobi 1884); eruditos recentes o põem mais tarde (Cousins 1996)
- Siddhattha Gotama (o Buda) c. 563–483 a.C. pela "cronologia longa corrigida"; c. 480–400 a.C. pela cronologia mediana (Cousins 1996); tradições budistas dão datas ainda mais antigas
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- Yājñavalkya, mestre védico da corte de Janaka de Videha, nos textos dos sécs. VIII–VI a.C. (datas estimadas) Sem data própria: figura de textos que a literatura dá como compostos entre c. 700 e 500 a.C. (Brian Black, no IEP, citando Olivelle 1998). O ano −650 é o meio do séc. VII a.C., usado só como marca no mapa, sem afirmar quando ele viveu; o Wikidata dá nascimento em c. 800 e morte em c. 700 a.C., com precisão de século, e esses valores não foram adotados
- Mahāpajāpatī Gotamī contemporânea do Buda, sem datas nos textos lidos; a cronologia dele é debatida (c. séc. VI–V a.C.)