Atlas da História

Mulher de Takarkori (TK RS H1, ou TKH001), de 30 a 40 anos, naturalmente mumificada e sepultada no abrigo líbio entre c. 5209 e 4846 a.C.: seu DNA mostra uma linhagem norte-africana antes desconhecida

datada diretamente em 6090 ± 60 anos BP, ou 7159–6797 cal BP (95,4%), segundo Vai e colegas (2019); Salem e colegas (2025) dão 7158–6796 cal BP para o mesmo indivíduo. Ano astronômico −5209 a −4846 (1950 − cal BP). A faixa vale para a morte e o sepultamento; nascimento desconhecido (tinha 30 a 40 anos ao morrer) · África do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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TK RS H1 era uma mulher de 30 a 40 anos, de corpo naturalmente dessecado, sepultada de lado numa cova rasa do abrigo de Takarkori, no sudoeste da Líbia, com uma pequena figura de argila, talvez de uma vaca. Datada diretamente em 7159–6797 cal BP, forneceu a Salem e colegas (2025) dados genômicos amplos: cerca de 93% da sua ascendência vem de uma linhagem norte-africana antes desconhecida e 7%, de uma fonte levantina muito antiga. Para os autores, o pastoreio chegou ao Saara por difusão cultural, mais que por migração em massa.

A cova rasa no fundo do abrigo

Segundo Vai e colegas (2019), o esqueleto de TK RS H1 foi achado quase completo, numa cova rasa em areia orgânica, com partes naturalmente dessecadas. O corpo estava contraído, deitado sobre o lado esquerdo, orientado de norte a sul e voltado para leste. Faltavam o úmero e a fíbula direitos e algumas vértebras torácicas, por perturbações posteriores, em parte ligadas ao sepultamento de TK RS H9, logo abaixo. O único objeto de acompanhamento era uma pequena figura de argila local, que os autores descrevem como de uma vaca, com ponto de interrogação. O sepultamento pertence ao início do Pastoral Médio (MP1). (Vai et al. 2019)

Quinze mulheres e crianças

O abrigo de Takarkori, no sul do Tadrart Acacus, teve ocupação de caçadores-coletores-pescadores do Acacus Tardio, desde c. 10.200 cal BP, e depois longa ocupação pastoril, de c. 8.300 a 4.200 cal BP, segundo Salem e colegas (2025). Num recesso do abrigo havia 15 sepultamentos, datados entre c. 8.900 e 4.800 cal BP, a maioria do Pastoral Antigo e Médio. Eram sobretudo mulheres em idade reprodutiva, crianças e jovens, com pouco acompanhamento funerário, e o estrôncio indicou origem local. O DNA foi estudado em duas mulheres do Pastoral Médio com sinais de mumificação natural, TK RS H1 e H9. (Salem et al. 2025; Vai et al. 2019)

O que o genoma mostra

Da raiz do dente de TKH001, Salem e colegas (2025) obtiveram 881.765 marcadores (SNPs) do painel 1240K após captura; de TKH009, só cerca de 23 mil. Em análises de deriva compartilhada, as duas mulheres ficam mais próximas dos caçadores-coletores marroquinos de Taforalt (c. 15.000 anos) e de grupos neolíticos do Marrocos que de qualquer linhagem subsaariana testada. A herança neandertal é de c. 0,15%, cerca de um décimo da de grupos de fora da África e maior que a dos genomas subsaarianos, que não a têm. O DNA mitocondrial é de um ramo basal do haplogrupo N. Taforalt seria 60,8% natufiano e 39,2% tipo Takarkori. (Salem et al. 2025)

Uma pessoa, não um povo

Os próprios autores avisam o alcance do resultado. São dois indivíduos de um só abrigo; os dados do segundo são escassos; e o modelo trata os dois como um grupo. O ancestral norte-africano que descrevem teria divergido das linhagens subsaarianas na mesma época dos humanos de fora da África e ficado isolado, com sinal de pouca troca genética entre o Saara e a África subsaariana durante o período úmido. Não se sabe se as demais populações do Saara Verde tinham essa mesma ascendência: Salem e colegas dizem que a amostragem de outros ossos e estudos futuros poderão afinar o quadro. (Salem et al. 2025)

Fontes

  1. Vai, Stefania; Sarno, Stefania; Lari, Martina; Luiselli, Donata; Manzi, Giorgio; Gallinaro, Marina; Mataich, Safaa; Hübner, Alexander; Modi, Alessandra; Pilli, Elena; Tafuri, Mary Anne; Caramelli, David; di Lernia, Savino (2019). "Ancestral mitochondrial N lineage from the Neolithic 'green' Sahara". Scientific Reports 9: 3530. DOI 10.1038/s41598-019-39802-1 (resolve em doi.org). PMC6401177. Texto bruto lido em 02/11/2026 (XML de texto completo do Europe PMC, extraído com texto.py). Traz a descrição dos sepultamentos H1 e H9 e as datas diretas; a Tabela S1 (laboratório) e o suplemento não foram lidos. Acessar
  2. Salem, Nada; van de Loosdrecht, Marieke S.; Sümer, Arev Pelin; Vai, Stefania; Hübner, Alexander; Peter, Benjamin; Bianco, Raffaela A.; Lari, Martina; Modi, Alessandra; Al-Faloos, Mohamed Faraj Mohamed; Turjman, Mustafa; Bouzouggar, Abdeljalil; Tafuri, Mary Anne; Manzi, Giorgio; Rotunno, Rocco; Prüfer, Kay; Ringbauer, Harald; Caramelli, David; di Lernia, Savino; Krause, Johannes (2025). "Ancient DNA from the Green Sahara reveals ancestral North African lineage". Nature 641(8061): 144–150. DOI 10.1038/s41586-025-08793-7 (resolve em doi.org). PMC12043513. Texto bruto lido em 02/11/2026 (XML de texto completo do Europe PMC, extraído com texto.py). Os Suplementos 1–3 não foram lidos. Acessar
  3. Wikidata, item Q124881312 (Takarkori, "archaeological site in southwestern Libya"). https://www.wikidata.org/wiki/Special:EntityData/Q124881312.json . Consultado em 02/11/2026; P625: 24,8833; 10,3333. Acessar

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