Atlas da História

Nabta Playa: centro cerimonial megalítico

c. 7,5 a 5,4 mil anos atrás (Neolítico Tardio e Terminal; Malville 2015) · África do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Depressão no deserto ocidental do Egito onde chuvas de monção formaram lagoas sazonais que atraíram pastores. Desde c. 7,4 mil anos atrás fizeram túmulos de gado e, entre c. 6,6 e 5,4 mil anos atrás, ergueram ali um centro cerimonial com círculos e linhas de megálitos, alguns orientados para os pontos cardeais e o solstício. Com a volta da aridez, a área foi deixada.

Duas fases de ocupação numa bacia do deserto

As pesquisas em Nabta Playa são obra da Combined Prehistoric Expedition, que trabalha na região desde 1972; o sítio foi identificado em 1973, mas os megálitos só foram reconhecidos como tais em 1992. Segundo Malville et al. (1998), a bacia mede cerca de 10 por 7 km e passou a receber chuvas de monção a partir de c. 11 mil anos atrás, até que a aridez extrema voltou por volta de 4.800 anos radiocarbônicos antes do presente. Schild e Wendorf (2004) distinguem dois momentos úmidos, com usos diferentes do lugar: o dos criadores de gado do Neolítico Tardio, que chamam de Ru'at El Baqar, a partir de c. 7.400 anos atrás, e o dos construtores de megálitos do Neolítico Final, os Ru'at El Ansam, entre c. 6.600 e 5.400 anos atrás. (Schild e Wendorf 2004; Malville et al. 1998)

Gado oferecido e estelas voltadas ao norte

No chamado Vale dos Sacrifícios, os pastores fizeram túmulos com oferendas de gado. Um deles guardava uma novilha inteira numa câmara coberta com ramos de tamargueira, datada de c. 7.400 anos, segundo Schild e Wendorf (2004). Os construtores do Neolítico Final extraíram blocos de uma pedreira de arenito e levantaram estelas voltadas para o norte, algumas com forma que lembra a figura humana. Também ergueram estruturas complexas sobre poços escavados até rochas em forma de cogumelo, como a que os autores chamam de Complex Structure A; o carvão associado a essas construções foi datado entre c. 5.600 e 5.500 anos atrás. (Schild e Wendorf 2004)

Alinhamentos com o Sol e as estrelas

Malville et al. (1998) identificaram em Nabta alinhamentos de megálitos voltados para os pontos cardeais e para o solstício, além de cinco linhas que partem de estruturas possivelmente funerárias. Para eles, o conjunto exprime uma geometria simbólica que unia morte, água e Sol. Schild e Wendorf (2004) detalham as propostas: um círculo de pedras com mira para o nascer do Sol no solstício de verão, de c. 6.000 anos; uma linha de 600 m apontada para Dubhe, na Ursa Maior, entre c. 6.700 e 6.000 anos; uma linha dupla de 250 m dirigida ao Cinturão de Órion, entre c. 6.170 e 5.800 anos; e, numa leitura que atribuem a Malville, uma linha para Sírius, de c. 6.800 anos. São interpretações de arqueoastronomia propostas pelos autores, e não registros deixados pelos construtores. (Malville et al. 1998; Schild e Wendorf 2004)

Pastores entre o Saara e o Nilo

Schild e Wendorf (2004) descrevem os habitantes de Nabta como pastores nômades em relação de troca com o vale do Nilo e comparam seu modo de vida ao de povos pastoris do Sahel, como os Habbana, os Baggara Beni Helba e os Gura'an. Também propõem paralelos entre o céu de Nabta e a cosmologia do Egito antigo, com a Ursa Maior, Órion (Sahu, ligado a Osíris), Sírius (Sothis) e o além chamado Dat; a ligação é hipótese deles. Para os dois autores, esse mundo se desfez por volta de 5.300 anos atrás (3350 a.C.). Numa escala maior, Kuper e Kröpelin (2006), com base em radiocarbono de cerca de 150 escavações no Saara, mostram chuvas que permitiram a ocupação a partir de c. 8500 a.C. e um ressecamento gradual desde c. 5300 a.C., que levou as populações a deixar o deserto; segundo eles, essa saída pesou na formação do Egito faraônico e na expansão do pastoreio pela África. (Schild e Wendorf 2004; Kuper e Kröpelin 2006)

Fontes

  1. Malville, J. M.; Wendorf, F.; Mazar, A. A.; Schild, R. (1998). "Megaliths and Neolithic astronomy in southern Egypt". Nature 392: 488–491. DOI 10.1038/33131. Acessar
  2. Malville, J. M. (2015). "Astronomy at Nabta Playa, Southern Egypt". In: Handbook of Archaeoastronomy and Ethnoastronomy, Springer, p. 1079–1091. DOI 10.1007/978-1-4614-6141-8_101; ISBN 9781461461401. Acessar
  3. Schild, R.; Wendorf, F. (2004). "The Megaliths of Nabta Playa". Academia (Academia Polonesa de Ciências) 1(1): 10–15. https://journals.pan.pl//Content/129859/PDF/5_ACADEMIA_EN_1_1_2004_Schild_The_Megaliths.pdf (consultado em 07/10/2026). Acessar
  4. Kuper, R.; Kröpelin, S. (2006). "Climate-Controlled Holocene Occupation in the Sahara: Motor of Africa's Evolution". Science 313(5788): 803–807. DOI 10.1126/science.1130989. Acessar

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