Cerâmica do Neolítico de Shaheinab (Esh-Shaheinab, Sudão central), c. 4774–4171 cal a.C.: decoração com pente e carimbo, pastas de quartzo e leite em três vasos
datas de concha da ocupação neolítica, reescavada em 1979–1980: 4774–4363, 4656–4352 e 4611–4171 cal a.C. (OxCal 4.4, 95,4%), segundo D'Ercole e colegas (2024), que situam o Neolítico de Shaheinab em 4700–4200 a.C. Ano astronômico −4773 a −4170 · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Esh-Shaheinab, na margem oeste do Nilo médio (Sudão central), deu nome ao Neolítico de Shaheinab. D'Ercole e colegas (2024) estudaram 969 cacos da coleção de Arkell no Museu Nacional de Cartum: a cerâmica neolítica (c. 4774–4171 cal a.C.) tem mais de 60 tipos de decoração, feita sobretudo com pente em balanço ("rocker") e carimbo de pivô alternado, e pastas de argila com muito quartzo. A análise de lipídios em 117 cacos mostrou sobretudo carne de ruminantes e, em três vasos, gordura de leite.
O sítio e a sequência de Arkell
Esh-Shaheinab fica na margem oeste do Nilo médio, no Sudão central, em uma crista de cascalho de c. 200 m por 50 m. A. J. Arkell o escolheu para escavar em 1949, a pedido do Serviço de Antiguidades do Sudão, e achou três ocupações: Cartum Antigo (Mesolítico), Neolítico de Shaheinab e, por fim, um cemitério do Neolítico Tardio, do quarto milênio a.C. Os autores recordam que Arkell obteve ali duas das primeiras datas de radiocarbono, graças a Libby. A coleção de 969 cacos guardada em Cartum tem 764 neolíticos (78,8%), 177 do Cartum Antigo (18,3%) e 28 do Neolítico Tardio (2,9%). (D'Ercole et al. 2024)
Da linha ondulada pontilhada aos mais de 60 tipos
No Cartum Antigo só 3,4% dos cacos são lisos; o resto é decorado com a técnica "rocker" (balanço de um pente), em linhas onduladas pontilhadas (70,2% dos decorados) ou ziguezagues. No Neolítico, 85,6% são decorados, com mais de 60 tipos de decoração: rocker (60,2%), carimbo de pivô alternado (20,2%), incisão (14,7%) e impressão simples (4,9%), com pentes de bordas regulares ou irregulares. Os autores descrevem a variedade de ferramentas como o traço mais característico do período. A linha ondulada pontilhada ainda aparece, em 1,5% dos decorados, feita com carimbo. No Neolítico Tardio, 39,3% dos cacos são lisos. (D'Ercole et al. 2024)
Pastas, formas e continuidade
Quarenta cacos foram vistos ao microscópio de luz polarizada e oito, ao microscópio eletrônico. Os autores definem três pastas, ricas em quartzo e feldspato (QF), em quartzo (Q) e em feldspato potássico e quartzo (KfsQ), esta só do Cartum Antigo. Do Neolítico em diante dominam as pastas de quartzo, com argilas ferruginosas e areia de quartzo como tempero. Nenhuma pasta tem esterco de herbívoros. As formas neolíticas são ovoides, globulares, de parede reta e de borda evertida; há queima parcial, polimento e vasos de topo negro. Os autores veem uma transição gradual, com continuidade na escolha das matérias-primas e mudanças na forma (vasos em S, depois em C), na decoração e no tratamento da superfície. (D'Ercole et al. 2024)
O que os vasos continham
De 117 cacos, 36 (31%) tinham lipídios em quantidade interpretável: 1 do Cartum Antigo, 27 do Neolítico e 8 do Neolítico Tardio. Dominam gorduras de ruminantes: no Neolítico, 44% só de ruminante e 30% de mistura com não ruminante. Três vasos, dois do Neolítico e um do Neolítico Tardio, caem na faixa de gordura láctea, e um deles (SHA880) tem 0,9 mg/g, concentração que os autores ligam ao uso prolongado, talvez para aquecer leite e fazer queijo. Não há marcadores de plantas. Em Kadero, na outra margem, 47% dos cacos têm sinal de leite. (D'Ercole et al. 2024)
Fontes
- D'Ercole, Giulia; Dunne, Julie; Eramo, Giacomo; Evershed, Richard P.; Garcea, Elena A. A. (2024). "Esh-Shaheinab: The archetype of the Sudanese Neolithic, its premises and sequels". PLOS ONE 19(10): e0309600. DOI 10.1371/journal.pone.0309600 (resolve em doi.org). PMC11527226. Texto bruto lido em 02/11/2026 (XML de texto completo do Europe PMC, extraído com texto.py). O suplemento (S1 Text, métodos completos; S1 e S2 Table) não foi lido. Acessar
- Wikidata, item Q109284524 (Esh Shaheinab, "archaeological site in Central Sudan"): rótulo em inglês e árabe. https://www.wikidata.org/wiki/Special:EntityData/Q109284524.json . Consultado em 02/11/2026; P625: 16,0624; 32,5394. Acessar
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- Mulher de Takarkori (TK RS H1, ou TKH001), de 30 a 40 anos, naturalmente mumificada e sepultada no abrigo líbio entre c. 5209 e 4846 a.C.: seu DNA mostra uma linhagem norte-africana antes desconhecida datada diretamente em 6090 ± 60 anos BP, ou 7159–6797 cal BP (95,4%), segundo Vai e colegas (2019); Salem e colegas (2025) dão 7158–6796 cal BP para o mesmo indivíduo. Ano astronômico −5209 a −4846 (1950 − cal BP). A faixa vale para a morte e o sepultamento; nascimento desconhecido (tinha 30 a 40 anos ao morrer)
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- Nabta Playa: centro cerimonial megalítico c. 7,5 a 5,4 mil anos atrás (Neolítico Tardio e Terminal; Malville 2015)
- Pirâmide de Quéops c. 2560 a.C. (Wikidata)