Trigo e cevada do Oriente Próximo no cemitério R12 (Núbia, norte do Sudão), c. 5311–5066 cal a.C.: fitólitos datados sob o crânio de uma sepultura e amidos no cálculo dentário de Ghaba
fitólitos da sepultura 46 de R12 datados diretamente em 6240 ± 40 BP, ou 5311–5066 cal a.C. (95%; Beta-351736), segundo Madella e colegas (2014). Ano astronômico −5310 a −5065. Os outros dois depósitos datados, de Ghaba, dão 5620–5480 e 4730–4540 cal a.C., e são de gramíneas silvestres · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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No cemitério R12, no Dongola Reach (Núbia, norte do Sudão), o depósito branco e pulverulento achado atrás do crânio da sepultura 46 era feito sobretudo de fitólitos de casca de trigo ou cevada (29 de 32 esqueletos de sílica) e foi datado diretamente em 5311–5066 cal a.C. Madella e colegas (2014) leem nisso cereais domesticados do Oriente Próximo no Sudão pelo menos 500 anos antes do que se pensava, numa sociedade tida como pastoril. No cemitério de Ghaba, no Sudão central, amidos de Triticeae no cálculo dentário confirmam o consumo, ao lado de painços silvestres e leguminosas.
Um depósito branco atrás do crânio
Em cinco sepultamentos de R12 e em 39 de Ghaba, segundo Madella e colegas (2014), foi visto um depósito esbranquiçado e pulverulento, em área pequena atrás do crânio, a que chamam de estrutura em forma de travesseiro. Três depósitos foram analisados e os próprios fitólitos foram datados: R12, túmulo 46, 5311–5066 cal a.C.; Ghaba, túmulo 233, 5620–5480 cal a.C.; Ghaba, túmulo 295, 4730–4540 cal a.C. Os autores acham que o uso sistemático de inflorescências inteiras de gramíneas como acompanhamento funerário é plausível, pois depósitos parecidos foram vistos em outros cemitérios sudaneses. (Madella et al. 2014)
R12: cereais do Oriente Próximo no Nilo
R12 fica na margem do paleocanal de Seleim, ativo entre 6200 e 3700 cal a.C., e tem 166 sepulturas com 198 indivíduos, em duas fases do Neolítico Médio, de 5000–4500 e 4500–4000 cal a.C. Há ossos de gado, ovelha, cabra e animais silvestres, mas não restos de plantas. No túmulo 46, 29 dos 32 esqueletos de sílica (90,7%) vêm de casca de trigo ou cevada, e as células curtas são 92% do tipo "rondel", típico de gramíneas pooides. Os autores veem rota de difusão do norte para o sul pelo Nilo e cultivo possível em áreas inundadas, em ambiente parecido com o do Nilo ao norte. (Madella et al. 2014)
Ghaba: gramíneas de savana e grãos de trigo
Em Ghaba, no Sudão central, ocupado c. 4750–4350 e 4000–3650 cal a.C., os depósitos dos túmulos 233 e 295 são dominados por painços e outras gramíneas C4: Echinochloa (52,9% dos esqueletos de sílica no 233), Brachiaria (29,7% no 295), além de um pouco de Sorghum. No cálculo dentário de 18 indivíduos, os autores acharam 7 grãos de amido de Triticeae, 2 de gramíneas panicoides, 5 de leguminosas (Faboideae) e outros não identificados. Para eles, os amidos grandes de cereais se preservam melhor, o que explica o contraste com os fitólitos. (Madella et al. 2014)
Fontes
- Madella, Marco; García-Granero, Juan José; Out, Welmoed A.; Ryan, Philippa; Usai, Donatella (2014). "Microbotanical Evidence of Domestic Cereals in Africa 7000 Years Ago". PLOS ONE 9(10): e110177. DOI 10.1371/journal.pone.0110177 (resolve em doi.org). PMC4206403. Texto bruto lido em 02/11/2026 (XML de texto completo do Europe PMC, extraído com texto.py). O suplemento (Tabela S1, critérios de identificação) não foi lido. Acessar
- Wikidata, item Q60792305 (Dongola Reach, "reach in Sudan"). https://www.wikidata.org/wiki/Special:EntityData/Q60792305.json . Consultado em 02/11/2026; P625: 19,25; 30,5. Acessar
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