Necrópole neolítica de al-Buhais 18 (Sharjah, c. 5200–4000 a.C.): enterros secundários e adornos funerários de pastores móveis
c. 5200 a 4000 a.C. (datas de radiocarbono, segundo de Beauclair 2008; o artigo não diz se estão calibradas); abandono por volta de 4200 a.C. na conclusão do mesmo artigo · Península Arábica
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Al-Buhais 18, aos pés do Jebel al-Buhais, no emirado de Sharjah, é um cemitério e acampamento neolítico com cerca de 420 sepultamentos registrados até 2004, usado entre c. 5200 e 4000 a.C. Foi interpretado como lugar central de pastores móveis, com 60% dos enterros de tipo conhecido sendo secundários, e rendeu mais de 24 mil peças de adorno. Roland de Beauclair (2008) lê os adornos como parte de um rito de passagem, e não como sinal de riqueza pessoal.
O sítio e a sua ocupação
Segundo de Beauclair, al-Buhais 18 foi descoberto em 1995 por arqueólogos do Departamento de Antiguidades de Sharjah, sob direção de Sabah Jasim, e escavado de 1996 a 2004 em campanhas anuais conjuntas com a Universidade de Tübingen, coordenadas por Hans-Peter e Margarethe Uerpmann. Fica a cerca de 60 km do Golfo Arábico e do Golfo de Omã, num cemitério de cerca de 12 por 15 m ladeado por um depósito de pedras aquecidas e ossos de animais e por uma antiga fonte. Os ossos são quase só de animais domésticos (ovelhas, cabras e gado), e o perfil de idade indica uso sazonal. Datas de radiocarbono mostram frequentação de c. 5200 a 4000 a.C.; o abandono coincidiria com o fim da grande fase úmida do Holoceno inicial, e a fonte pode ter secado. (de Beauclair 2008)
Enterros primários e secundários
De 420 sepultamentos registrados até 2004, o artigo tem o tipo de 280. Há 115 primários, em que o corpo foi sepultado pouco depois da morte, encolhido, em geral deitado do lado direito, com eixo leste-oeste e crânio a leste. Os 165 secundários (60%) costumam ser um monte com o crânio e ossos longos, muitas vezes com vários indivíduos juntos, ou só um crânio; há também 8 esqueletos semiarticulados, parecidos com múmias. Num deles, o sedimento da primeira cova, com seixos de ofiolito, indica que o corpo foi sepultado antes num leito de uádi nas montanhas de Omã. Os dados antropológicos detalhados estão em Kiesewetter (2006), que o artigo cita e este registro não leu. (de Beauclair 2008)
Mais de 24 mil peças de adorno
Foram registradas 24.311 peças de provável adorno: 5.245 moluscos perfurados (3.902 da concha Ancilla cf. farsiana), 19.051 contas (16.654 em disco e 2.218 tubulares) e 15 outros objetos. Cerca de 70% estavam em contexto funerário. O autor descreve conjuntos usados na cabeça, nas orelhas, no pescoço, na cintura e nos braços, e nota que cada tipo de conta tinha lugares adequados: cornalina e pérolas, por exemplo, ficam na área da cabeça. Como não se achou no sítio nem na região ferramenta adequada para fazer as contas tubulares, o autor acredita que elas, e provavelmente outras, foram importadas. Para ele, os moluscos mostram a forte ligação da população com o mar, e algumas espécies apontam para a costa de Omã. (de Beauclair 2008)
Continuidade com Ras al-Hamra 5
De Beauclair compara al-Buhais 18 com outros sítios da região. O cemitério de Ras al-Hamra 5, perto de Mascate, em Omã, é datado de c. 3800 a 3300 a.C., com ao menos 170 indivíduos, alguns encolhidos e outros em montes de ossos. Ele vê semelhanças nos tipos de sepultamento e nos pingentes de concha em forma de folha e nas contas tubulares alternadas em preto e branco, mas também diferenças. Para o autor, o abandono de al-Buhais 18 por volta de 4200 a.C. seria efeito de uma forte piora climática, e a transferência da população para a costa de Omã é hipótese muito provável, mas ainda uma hipótese. (de Beauclair 2008)
Fontes
- de Beauclair, Roland (2008). "Funerary rites in a Neolithic nomad community in Southeastern Arabia: the case of al-Buhais 18". Documenta Praehistorica 35: 143–152. DOI 10.4312/dp.35.10. Texto bruto lido em https://journals.uni-lj.si/DocumentaPraehistorica/article/download/35.10/1796, em 29/10/2026. Acessar
- Carter, Robert (2018). "Globalising Interactions in the Arabian Neolithic and the 'Ubaid". In: Globalization in Prehistory, pp. 43–79. Cambridge: Cambridge University Press. DOI 10.1017/9781108573276.004. Texto bruto lido em https://discovery.ucl.ac.uk/10062263/7/Carter_globalising_interactions_in_the_arabian_neolithic_and_the_ubaid.pdf, em 29/10/2026. Acessar
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