O Neolítico árabe e o 'Ubaid no Golfo (segunda metade do VI ao V milênio a.C.): pastores e pescadores da Arábia em contato com aldeias do sul do Iraque
do fim do VI ao V milênio a.C. (Carter 2018); auge por volta de 5300 a.C. segundo o capítulo; o texto não diz se as datas são calibradas · Península Arábica, Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Segundo Robert Carter (2018), a primeira rede marítima bem documentada do Golfo Pérsico, nos milênios VI e V a.C., ligou grupos de pastores e pescadores móveis da Arábia oriental, o chamado Neolítico árabe, a aldeias agrícolas do sul do Iraque, da cultura 'Ubaid. A evidência principal é a cerâmica de estilo 'ubaid em sítios costeiros e em ilhas, como Dalma e Marawah, e os restos de barcos de junco de H3, em As-Sabiyah, no Kuwait. Carter lê o conjunto como parte de uma rede 'ubaid mais ampla, discutida entre a ideia de expansão do sul e a de convergência regional.
Duas margens de um mesmo golfo
Carter descreve, de um lado, grupos móveis do Neolítico árabe do leste da Arábia central, que combinavam pastoreio de gado, ovelhas e cabras, pesca em águas rasas, coleta costeira de moluscos e caça de gazela, equídeos, pequenos mamíferos, aves e mamíferos marinhos. Do outro lado, aldeias de agricultores do sul do Iraque, da cultura 'Ubaid, cujos sítios ficavam, segundo o mapa de Pournelle citado por ele, na costa ou muito perto dela por volta de 5300 a.C., em meio a pântanos e estuários. Os sítios com cerâmica 'ubaid na Arábia estão sobretudo no litoral, e alguns em ilhas a dezenas de quilômetros da terra firme, como Dalma, a 40 km do continente. (Carter 2018)
Os barcos de junco de H3
Em H3, em As-Sabiyah, no Kuwait, Carter registra restos que interpreta como relacionados a barcos: um modelo de barco em cerâmica, aparentemente de feixes de junco, um disco cerâmico pintado que parece mostrar um barco com mastro de dois pés e muitos fragmentos de betume com impressões de junco e cracas, tomados como revestimento impermeável de ao menos um barco de feixes de junco. Para ele, esses achados, junto com as ilhas ocupadas, sustentam que a cerâmica 'ubaid chegou à Arábia por mar. Em H3 também apareceram grãos de cevada, que Carter explica por comércio de grãos do sul do Iraque ou, talvez, por cultivo local num clima mais úmido, caso em que seria a primeira indicação de agricultura entre neolíticos árabes do norte do Golfo. (Carter 2018)
Lugares de reunião e o que se trocava
Carter nota que os sítios maiores e mais estratificados (H3, Bahra 1, Dosariyah, Abu Khamis, Ain Qannas, Khursaniyah) variam de 0,75 ha (H3) a 1,7 ha (Abu Khamis) e a 16 ha alegados em Dosariyah, cuja parte elevada tem só 0,83 ha. Nesse último, cerca de 2 m de depósitos formam um grande monte de conchas e ossos de peixe, resultado de ocupações sazonais, o que o leva a ver ali um ponto de encontro de grupos dispersos. Quanto às trocas, ele sugere, como especulação, que tâmaras silvestres e produtos de palmeira, nativa do Golfo, possam ter sido trocados por cerâmica 'ubaid, e menciona estudos sobre obsidiana e betume em H3 que não foram aqui lidos em detalhe. (Carter 2018)
Fontes
- Carter, Robert (2018). "Globalising Interactions in the Arabian Neolithic and the 'Ubaid". In: Globalization in Prehistory, pp. 43–79. Cambridge: Cambridge University Press. DOI 10.1017/9781108573276.004. Texto bruto lido em https://discovery.ucl.ac.uk/10062263/7/Carter_globalising_interactions_in_the_arabian_neolithic_and_the_ubaid.pdf, em 29/10/2026. Acessar
- de Beauclair, Roland (2008). "Funerary rites in a Neolithic nomad community in Southeastern Arabia: the case of al-Buhais 18". Documenta Praehistorica 35: 143–152. DOI 10.4312/dp.35.10. Texto bruto lido em https://journals.uni-lj.si/DocumentaPraehistorica/article/download/35.10/1796, em 29/10/2026. Acessar
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