Atlas da História

Osso de Ishango

c. 22 mil anos atrás (Huylebrouck 2019) · África Central, África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Osso entalhado do sítio de Ishango, num terraço do rio Semliki junto ao lago Eduardo (Rutanzige), na R. D. Congo, ocupado por grupos que pescavam com arpões de osso. Descrito em 1957, tem colunas de entalhes agrupados que intrigam matemáticos; Huylebrouck (2019) defende uma idade de c. 22 mil anos.

Um osso de babuíno com um quartzo na ponta

Na descrição de Rappenglück (2010), o objeto é uma fíbula de babuíno de cerca de 10 cm, com um fragmento de quartzo encaixado numa das pontas. Achado em 1950, recebe do autor uma idade de c. 25 mil a 16 mil anos antes do presente. Os entalhes se organizam em três colunas, que somam 60, 48 e 60 marcas. Rappenglück menciona ainda um segundo osso entalhado do mesmo sítio, informa que as peças estão guardadas num museu em Bruxelas e lembra que Ishango fica no Parque Nacional de Virunga, inscrito como patrimônio mundial em 1979. (Rappenglück 2010)

Base 10, base 12 ou calendário lunar?

As colunas regulares atraíram leituras matemáticas e astronômicas. Rappenglück resume as principais: um sistema de contagem em base 10 ou 12 e um registro das fases da Lua. Os títulos dos verbetes de Hauzeur (2016) e Huylebrouck (2019), em obras de referência sobre ciência fora do Ocidente e sobre matemática na África, mostram que o osso entrou na história da matemática. Pelo título, Brooks e Smith (1987) revisitaram o sítio com novas datações e interpretações culturais. (Rappenglück 2010; Hauzeur 2016; Huylebrouck 2019; Brooks e Smith 1987)

Um teste com leitores de hoje

Parkinson-Coombs et al. (2026) testaram as leituras numéricas de forma experimental. Segundo eles, o osso tem 16 grupos de entalhes, com 168 marcas no total, e idade de c. 19 mil a 25 mil anos, pela datação que citam. Adultos com formação universitária fizeram tarefas numéricas simples com esses grupos de entalhes, e o desempenho ficou bem abaixo da precisão necessária para cálculo exato. Quando o osso foi apresentado ampliado ao tamanho de uma mão, os resultados melhoraram muito. Para os autores, isso pesa contra as interpretações numéricas e abre outra pergunta: por que os entalhes foram feitos numa escala tão pequena. (Parkinson-Coombs et al. 2026)

Fontes

  1. Hauzeur, A. (2016). "Ishango Bone". In: Encyclopaedia of the History of Science, Technology, and Medicine in Non-Western Cultures, Springer, p. 2383–2385. DOI 10.1007/978-94-007-7747-7_9747. Acessar
  2. Huylebrouck, D. (2019). "The Ishango Site". In: Africa and Mathematics, Springer, p. 127–140. DOI 10.1007/978-3-030-04037-6_7. Acessar
  3. Brooks, A. S.; Smith, C. C. (1987). "Ishango revisited: new age determinations and cultural interpretations". The African Archaeological Review 5: 65–78. DOI 10.1007/bf01117083. Acessar
  4. Rappenglück, M. (2010). "Earlier prehistory". In: Ruggles, C.; Cotte, M. (orgs.). Heritage Sites of Astronomy and Archaeoastronomy in the context of the UNESCO World Heritage Convention: A Thematic Study. ICOMOS / IAU, p. 13–24. ISBN 9782918086017.
  5. Parkinson-Coombs, O.; Courtenay, L.; Geis, L.; d'Errico, F. et al. (2026). "Was the Ishango Bone—'The Oldest Numerical Device'—a Mathematical Tool? An Empirical Approach". Proceedings of the Annual Meeting of the Cognitive Science Society 48: 1348–1354. https://escholarship.org/uc/item/5sk7g51r (consultado em 07/10/2026). Acessar

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