Atlas da História

Homem de Cheddar (Gough's Cave, Somerset, Inglaterra): caçador-coletor mesolítico de c. 8614–7965 a.C., com genoma de cobertura de cerca de 2,3×

Datação radiocarbônica de 9.100 ± 100 BP (OxA-814), calibrada em 10.564–9.915 cal. AP (IntCal20), segundo Charlton et al. (2022); isto é, 8614–7965 a.C. (ano astronômico −8614 a −7965). O registro vai do início ao fim dessa faixa; a data exata da morte é desconhecida. O rótulo do Wikidata diz 8150 a.C., que é o meio da faixa · Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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O Homem de Cheddar é um esqueleto mesolítico achado em 1903 na Gough's Cave, nas Gargantas de Cheddar, e é, segundo o Museu de História Natural de Londres, o esqueleto quase completo mais antigo de Homo sapiens já achado na Grã-Bretanha. Charlton e colegas (2022) o datam em 10.564–9.915 anos cal. AP. Seu genoma, de cerca de 2,3× de cobertura, levou Brace e colegas (2018, versão preliminar) a prever pele escura, olhos azuis ou verdes e cabelo castanho-escuro.

O achado e a data

Segundo o Museu de História Natural, o esqueleto apareceu em 1903, durante obras de drenagem na Gough's Cave, então atração turística. De início se falou em 40.000 a 80.000 anos, datas que o museu chama de exageradas; as datações por radiocarbono a partir da década de 1970 indicam cerca de 10.000 anos. Charlton e colegas (2022) dão 10.564–9.915 anos cal. AP (IntCal20), a partir de 9.100 ± 100 anos radiocarbônicos (OxA-814). Convertida para anos astronômicos, a faixa vai de −8614 a −7965. (Lotzof; Charlton et al. 2022)

Corpo, enterro e contexto

O museu descreve um homem de cerca de 166 cm, morto na casa dos 20 anos, de pelve estreita; não se sabe se o furo na testa vem de infecção ou de dano na escavação. Ele foi achado sozinho, numa época em que enterros coletivos eram comuns, e não está claro se foi sepultado ou apenas coberto aos poucos pelos depósitos minerais da caverna. A cerca de uma milha dali fica Aveline's Hole, um dos maiores cemitérios mesolíticos da Grã-Bretanha, com restos de cerca de 50 pessoas. Segundo relatos vitorianos, muito material foi descartado em carrinhos de mão na escavação, o que pode ter perdido pistas sobre ele. (Lotzof)

O que o DNA mostrou

No estudo preliminar de Brace e colegas (2018), o Homem de Cheddar foi a amostra de maior cobertura entre os britânicos mesolíticos (cerca de 2,3×), e mostrou menor heterozigose que um indivíduo neolítico de Derbyshire. Usando 36 variantes em vez de duas, os autores previram pele escura a muito escura, olhos azuis ou verdes e cabelo castanho-escuro, talvez preto. O museu explica que o DNA foi tirado do osso petroso, o mais denso do corpo, e que as condições frescas e constantes da caverna ajudaram a preservá-lo. Segundo o museu, os britânicos de hoje compartilham cerca de 10% da ancestralidade com a população europeia a que ele pertenceu, mas não descendem diretamente dela. (Brace et al. 2018; Lotzof)

Fontes

  1. Charlton, Sophy; Brace, Selina; Hajdinjak, Mateja; Kearney, Rebecca; Booth, Thomas; Reade, Hazel; Tripp, Jennifer A.; Sayle, Kerry L.; Grimm, Sonja B.; Bello, Silvia M.; Walker, Elizabeth A.; Gilardet, Alexandre; East, Philip; Glocke, Isabelle; Larson, Greger; Higham, Tom; Stringer, Chris; Skoglund, Pontus; Barnes, Ian; Stevens, Rhiannon E. (2022). "Dual ancestries and ecologies of the Late Glacial Palaeolithic in Britain". Nature Ecology & Evolution 6: 1658–. DOI 10.1038/s41559-022-01883-z. Texto integral via Europe PMC (PMC9630104), lido em texto bruto em 30/10/2026. Autoria ligada à Universidade de Oxford e ao Museu de História Natural de Londres. Acessar
  2. Lotzof, Kerry. "Cheddar Man: Mesolithic Britain's blue-eyed boy". Natural History Museum, Londres. https://www.nhm.ac.uk/discover/cheddar-man-mesolithic-britain-blue-eyed-boy.html, página sem data visível no texto; lida em texto bruto em 30/10/2026. Acessar
  3. Brace, S.; Diekmann, Y.; Booth, T. J.; Faltyskova, Z.; Rohland, N.; Mallick, S.; Ferry, M.; Michel, M.; Oppenheimer, J.; Broomandkhoshbacht, N.; Stewardson, K.; Walsh, S.; Kayser, M.; Schulting, R.; Craig, O. E.; Sheridan, A.; Pearson, M. P.; Stringer, C.; Reich, D.; Thomas, M. G.; Barnes, I. (2018). "Population Replacement in Early Neolithic Britain". bioRxiv, postado em 18 fev. 2018. DOI 10.1101/267443. PDF lido em texto bruto em 30/10/2026. Versão revisada: Nature Ecology & Evolution 2019, não lida. Acessar

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