Atlas da História

Sítios paleolíticos de Kostenki-Borshchevo

c. 45 mil a 21 mil anos atrás (Anikovich et al. 2007; Zolotarev e Khlopachev 2020) · Europa Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Sítios às margens do rio Don, na região de Voronezh, com ocupação de 45 a 42 mil anos atrás, provavelmente de humanos modernos, objetos de osso e marfim e conchas trazidas de mais de 500 km. Dali vêm o genoma de Kostenki 14, de 38,7 a 36,2 mil anos, e uma estatueta feminina de marfim de mamute com pigmento vermelho, de 23 a 21 mil anos.

Datas sob uma camada de cinza vulcânica

Anikovich et al. (2007) dataram as camadas mais profundas de Kostenki combinando radiocarbono, luminescência opticamente estimulada e estratigrafia magnética. Um marcador decisivo foi um horizonte de cinza vulcânica identificado como o tefra Y5 da Ignimbrita Campaniana, datado em outros lugares em cerca de 40 mil anos: os níveis de ocupação mais profundos ficam abaixo dele. Neles há artefatos de osso e marfim, inclusive possível arte figurativa. Os autores concluem que humanos modernos chegaram à planície central do Leste Europeu tão cedo quanto a qualquer outro ponto do norte da Eurásia. O mesmo horizonte ajuda a situar Kostenki 14, esqueleto escavado em 1954: segundo Seguin-Orlando et al. (2014), a cova do sepultamento corta a camada de cinza, datada ali em c. 39,3 mil anos calibrados, o que concorda com a datação direta da ossada. (Anikovich et al. 2007; Seguin-Orlando et al. 2014)

O que o genoma de Kostenki 14 revela

O genoma de Kostenki 14, um homem, foi sequenciado com cobertura de 2,42 vezes. Seguin-Orlando et al. (2014) o encontram próximo dos caçadores-coletores mesolíticos da Europa e do indivíduo de Mal’ta (MA1), mas com um componente que falta a estes e aparece nos primeiros agricultores neolíticos e nas populações atuais do Oriente Médio e do Cáucaso. Os autores atribuem esse traço a uma linhagem “eurasiana basal” e concluem que os grandes componentes genéticos dos europeus de hoje já existiam há mais de 36,2 mil anos, quando a separação entre os ancestrais dos eurasianos ocidentais e dos asiáticos orientais já tinha ocorrido. Em vez de algumas migrações discretas da Ásia para a Europa, propõem uma grande metapopulação, que por vezes ia da Europa à Ásia Central, com fluxo gênico repetido em várias direções. (Seguin-Orlando et al. 2014)

Trechos neandertais mais longos

O mesmo estudo estimou em 2,4 ± 0,4% a ascendência neandertal de Kostenki 14, um pouco acima de outros genomas. Restringindo a análise a regiões do genoma onde os humanos atuais não têm trechos neandertais, quase todos os indivíduos dão zero, mas Kostenki 14 ainda mostra 0,9 ± 0,4%. Os trechos herdados são mais longos do que nos genomas de 11 a 30 mil anos, e o maior soma cerca de 3 milhões de pares de bases no cromossomo 6. Pelo comprimento desses trechos, Seguin-Orlando et al. (2014) situam a mistura em c. 54 mil anos atrás. Para explicar a diferença em relação aos genomas modernos, os autores apontam amostragem e deriva, seleção contra os segmentos neandertais ou uma mistura adicional; não encontraram sinal de DNA de outros hominínios. (Seguin-Orlando et al. 2014)

A estatueta pintada de Kostenki 1

A estatueta feminina de marfim de mamute vem da camada I de Kostenki 1, sítio do Gravettiano oriental na aldeia de Kostenki, distrito de Khokholsky, região de Voronezh. Estava no fundo de uma fossa de armazenamento com restos de tinta vermelha. Zolotarev e Khlopachev (2020) examinaram a camada colorida por espectroscopia de reflexão no infravermelho. A pintura é feita de alumina e gesso, e os pigmentos são sobretudo óxidos de ferro. Os autores sugerem que a técnica do artista paleolítico incluía uma etapa de preparação da superfície, uma imprimação com gesso, antes de aplicar a cor. Se a leitura se confirmar, a pintura da figura seguiu uma sequência de etapas, e não uma simples aplicação de pigmento sobre o marfim. (Золотарев e Хлопачев 2020)

Fontes

  1. Anikovich, M. V.; Sinitsyn, A. A.; Hoffecker, J. F.; Holliday, V. T. et al. (2007). "Early Upper Paleolithic in Eastern Europe and Implications for the Dispersal of Modern Humans". Science 315: 223–226. DOI 10.1126/science.1133376. Acessar
  2. Seguin-Orlando, A.; Korneliussen, T. S.; Sikora, M.; Malaspinas, A.-S. et al. (2014). "Genomic structure in Europeans dating back at least 36,200 years". Science 346(6213): 1113–1118. DOI 10.1126/science.aaa0114. Acessar
  3. Золотарев, В. М.; Хлопачев, Г. А. (2020). "Исследование состава пигментов на поверхности женской статуэтки с палеолитической стоянки Костенки 1 методом инфракрасной спектроскопии отражения". Оптика и спектроскопия 128(5): 679. DOI 10.21883/os.2020.05.49330.24-20. Acessar

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