Atlas da História

Trapas do Decã: o vulcanismo da Índia e a extinção do fim do Cretáceo

de c. 66,41 a 65,42 milhões de anos atrás (lavas dos Gates Ocidentais; Sprain et al. 2019) · Sul da Ásia

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Derrames de basalto no planalto do Decã, na Índia, cobriram uma área enorme perto do fim do Cretáceo. As datações mostram que a maior parte do magma saiu em menos de 1 milhão de anos, em torno do limite com o Paleógeno, e discutem se isso influenciou a extinção em massa.

O que se mediu nos Gates Ocidentais

As Trapas do Decã são uma província de basalto de inundação, com mais de 1 milhão de km³ de magma, no atual território da Índia. Sprain e colegas estudaram a região dos Gates Ocidentais, onde está a fase mais volumosa; a pilha de lavas, chamada Grupo Deccan, se divide nos subgrupos Kalsubai, Lonavala e Wai, em ordem ascendente. Com datações novas e antigas, a equipe conclui que as lavas saíram de modo quase contínuo por 991 mil anos, de cerca de 66,413 a 65,422 milhões de anos atrás, num volume estimado em 560 mil km³, cerca de 93% do total. (Sprain et al. 2019)

Quatro pulsos, segundo o zircão

Schoene e colegas, dos EUA, da Suíça e da Índia (Universidade de Amravati), buscaram zircão em camadas avermelhadas entre as lavas, chamadas boles, que são cinzas ou solos de topo de derrame. De 141 amostras, 23 de bole e uma de basalto deram idade. O modelo resolve quatro eventos de alta vazão, de cerca de 100 mil anos cada: as sete formações mais baixas (66,3 a 66,15 milhões de anos), a Formação Poladpur (66,1 a 66,0), a Ambenali (65,9 a 65,8) e a Mahabaleshwar. O limite K–Pg é posto em 66,016 ± 0,050 milhões de anos, e há cerca de 90% de chance de que o pulso Poladpur tenha começado dezenas de milhares de anos antes da extinção. (Schoene et al. 2019)

Outra leitura do mesmo tempo

Sprain, Renne e colegas, dos EUA, do Reino Unido e do IIT Bombay, na Índia, usaram argônio-argônio em plagioclásio. Acham que as trapas não saíram em três grandes pulsos, como se pensava, e que o esquema de três fases era artefato de datações menos precisas. Mais de 90% do volume saiu em menos de 1 milhão de anos, e cerca de 75% depois do limite K–Pg, posto em 66,052 milhões de anos. A transição das Formações Bushe e Poladpur coincide com o limite, dentro do erro. Para eles, ou a liberação de gases não depende diretamente do volume erupcionado, ou o vulcanismo não foi a fonte das mudanças climáticas, e o papel das trapas na extinção precisa ser reavaliado. (Sprain et al. 2019)

Fontes

  1. Schoene, B.; Eddy, M. P.; Samperton, K. M.; Keller, C. B. et al. (2019). "U-Pb constraints on pulsed eruption of the Deccan Traps across the end-Cretaceous mass extinction". Science 363(6429): 862–866. DOI 10.1126/science.aau2422. Acessar
  2. Sprain, C. J.; Renne, P. R.; Vanderkluysen, L.; Pande, K. et al. (2019). "The eruptive tempo of Deccan volcanism in relation to the Cretaceous-Paleogene boundary". Science 363(6429): 866–870. DOI 10.1126/science.aav1446. Acessar
  3. Schulte, P.; Alegret, L.; Arenillas, I.; Arz, J. A. et al. (2010). "The Chicxulub Asteroid Impact and Mass Extinction at the Cretaceous-Paleogene Boundary". Science 327(5970): 1214–1218. DOI 10.1126/science.1177265. Acessar

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