Trapas Siberianas: o maior vulcanismo continental do Fanerozoico
c. 252,2 a pelo menos 251,35 milhões de anos atrás (o fim do estágio 3 pode chegar a 250,2 ± 0,3; estágios 1 a 3 do magmatismo; Burgess et al. 2017) · Sibéria e Norte da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Província de rochas vulcânicas na Sibéria, com volume mínimo estimado em cerca de 3 milhões de km³, a maior do tipo no continente durante o Fanerozoico. Seu magmatismo coincide no tempo com a extinção do fim do Permiano, e os pesquisadores discutem qual fase teria sido a letal.
O que são as trapas
Trapas são derrames de basalto empilhados em degraus, resultado de uma província ígnea grande (LIP, na sigla em inglês), onde uma enorme quantidade de magma chega à superfície ou se infiltra em pouco tempo geológico. Burgess e Bowring (2015) estimam o volume mínimo da província em cerca de 3 milhões de km³ entre lavas, rochas piroclásticas (formadas por explosões) e intrusões, mas lembram que o original era provavelmente maior; as estimativas variam de 1 a mais de 10 milhões de km³, e a maioria fica entre 2 e 5. Cerca de metade do volume é de rochas intrusivas, que cortam a bacia sedimentar de Tunguska, com até 12,5 km de espessura e rica em evaporitos, carvão e hidrocarbonetos. (Burgess e Bowring 2015)
Três estágios de magmatismo
Burgess et al. 2017 dividem o magmatismo em três estágios. No primeiro, que começou pouco antes de 252,24 milhões de anos, vieram erupções piroclásticas e depois lavas, com cerca de dois terços do volume total. O segundo, a partir de 251,907 milhões de anos, trocou as lavas por sills, que formam um complexo em mais de 1,5 milhão de km². O terceiro começou com a volta das lavas, depois de uma pausa de cerca de 420 mil anos em 251,483 milhões de anos. O sill mais jovem datado tem 251,354 milhões de anos. As idades são de zircão, pelo método urânio-chumbo. (Burgess et al. 2017; Burgess e Bowring 2015)
Taimyr e o tamanho do pulso principal
A equipe de Augland e colegas, da Noruega e da Rússia, datou dois complexos intrusivos alcalinos da península de Taimyr, ao norte de Norilsk. Obteve idades de 251,64 e 251,46 milhões de anos, que coincidem com o pulso principal de rochas vulcânicas e subvulcânicas da bacia de Tunguska, e viu ainda um segundo pulso mais jovem. Concluiu que a área do pulso principal deveria incluir uns 300 mil km² ao norte de Norilsk, e que o magmatismo teve composição mais variada, com rochas félsicas. A extensão maior ajudaria a explicar os efeitos ambientais severos. (Augland et al. 2019)
Fontes
- Burgess, S. D.; Bowring, S. A. (2015). "High-precision geochronology confirms voluminous magmatism before, during, and after Earth's most severe extinction". Science Advances 1(7): e1500470. DOI 10.1126/sciadv.1500470. Acessar
- Burgess, S. D.; Muirhead, J. D.; Bowring, S. A. (2017). "Initial pulse of Siberian Traps sills as the trigger of the end-Permian mass extinction". Nature Communications 8: 164. DOI 10.1038/s41467-017-00083-9. Acessar
- Augland, L. E.; Ryabov, V. V.; Vernikovsky, V. A.; Planke, S. et al. (2019). "The main pulse of the Siberian Traps expanded in size and composition". Scientific Reports 9: 18723. DOI 10.1038/s41598-019-54023-2. Acessar
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