Wadi Al-Hitan, o Vale das Baleias
c. 37 milhões de anos atrás (início do Priaboniano na carta ICS; Gingerich et al. 2019) · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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No deserto ocidental do Egito, o Wadi Al-Hitan guarda esqueletos de baleias antigas do Eoceno, com membros posteriores reduzidos, e de sirênios. É Patrimônio Mundial desde 2005 e mostra o fim da passagem das baleias da terra para o mar.
Um vale com centenas de esqueletos
O Wadi Al-Hitan, ou Vale das Baleias, fica no deserto ocidental do Egito e ocupa cerca de 17 por 17 quilômetros. É conhecido por esqueletos completos de arqueocetos basilossaurídeos (baleias antigas), como Dorudon atrox e Basilosaurus isis, e de sirênios (parentes do peixe-boi), como Protosiren smithae. A UNESCO o inscreveu em 2005 e diz que os fósseis mostram os últimos arqueocetos, na fase final de perda dos membros posteriores. (Gingerich et al. 2019; UNESCO, lista nº 1186)
As camadas e as idades
Cinco formações aparecem no sítio, da mais antiga para a mais nova: El Gharaq, Gehannam, Birket Qarun, Qasr el-Sagha e Gebel Qatrani. A primeira, de calcário com nummulites, é do Bartoniano (Eoceno médio), e as marinhas com baleias são do Priaboniano (Eoceno tardio), separadas por uma lacuna na deposição. Gingerich e colegas notam que dois espécimes poderiam ser do fim do Bartoniano, conforme o critério. A carta ICS v2026/06 dá ao Priaboniano o intervalo de cerca de 37,7 a 33,9 milhões de anos. (Gingerich et al. 2019; International Commission on Stratigraphy 2026)
Aegicetus e o fim das pernas
Em 2019, Gingerich, Antar e Zalmout, dos Estados Unidos e do Egito, descreveram Aegicetus gehennae, um protocetídeo achado perto da base da Formação Gehannam, do início do Priaboniano. O espécime-tipo está no Museu Geológico Egípcio, no Cairo, e o peso do animal é estimado em cerca de 890 kg. Os ossos dos membros e a falta de articulação da pelve com a coluna indicam um animal mais aquático e menos nadador de pés que seus antecessores. Os autores duvidam de que tivesse nadadeira caudal. São os primeiros protocetídeos conhecidos a sobreviver até o Priaboniano. (Gingerich et al. 2019)
Fontes
- Gingerich, P. D.; Antar, M. S. M.; Zalmout, I. S. (2019). "Aegicetus gehennae, a new late Eocene protocetid (Cetacea, Archaeoceti) from Wadi Al Hitan, Egypt, and the transition to tail-powered swimming in whales". PLoS ONE 14(12): e0225391. DOI 10.1371/journal.pone.0225391. Acessar
- UNESCO World Heritage Centre, "Wadi Al-Hitan (Whale Valley)", lista nº 1186. https://whc.unesco.org/en/list/1186/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
- International Commission on Stratigraphy (2026). International Chronostratigraphic Chart, v2026/06. https://stratigraphy.org/chart (consultado em 07/10/2026). Acessar
Na mesma região
- Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM), com seção de referência em Dababiya, Egito c. 56 milhões de anos atrás (limite Paleoceno–Eoceno, ICS; estimativas de 55,6 a 55,9 para o início do evento)
- Homo sapiens c. 315 mil anos atrás (± 34 mil) até hoje (Jebel Irhoud, Richter et al. 2017; Hublin et al. 2017)
- Jebel Irhoud: os mais antigos Homo sapiens conhecidos c. 315 mil anos atrás (± 34 mil)
- Início do Capsiano no Magrebe (c. 9000 a.C.), depois do Iberomaurusiano, e o debate sobre a unidade dessas entidades Capsiano: c. 9000 a 5400 cal a.C. (Perrault 2025); o Iberomaurusiano o precede, de c. 23000 a 10000 cal a.C. segundo a mesma fonte
- Cerâmica de impressão basculante, contas de casca de ovo de avestruz e moagem no sítio de Sphinx (Jebel Sabaloka, Sudão), a partir do fim do 9º milênio a.C. A ocupação de Sphinx (Mesolítico de Cartum, ou Cartum Antigo) é datada de 8750 a 4750 a.C. cal por Brukner Havelková et al. (2022), que citam um trabalho dos escavadores ainda não publicado; Varadzinová e Varadzin (2017) falam do "fim do nono milênio" ao fim do sexto milênio cal a.C. As cinco datas diretas de contas de casca de ovo de avestruz vão de 8276 a 7312 cal a.C. (95,4%). O ano -8749 (8750 a.C. em ano astronômico) é a marca do início da ocupação, não da cerâmica ou das contas, cuja datação específica na camada não foi conferida
- Recolonização do Saara por caçadores-coletores-pescadores com a umidade do início do Holoceno (c. 10,5 mil anos atrás) c. 10,5 mil anos atrás ("10.5 ka" em Brierley e outros, 2018); em ano astronômico, c. 8550 a.C.