Atlas da História

Abertura do Atlântico Central: o início da fragmentação da Pangeia

c. 190 milhões de anos atrás (início da crosta oceânica; Labails et al. 2010), com leituras de 195 a 175 milhões · África do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Entre o Triássico e o Jurássico, a América do Norte e o noroeste da África começaram a se separar e formaram o oceano Atlântico Central, o primeiro passo da fragmentação da Pangeia. Estudos recentes recuam o início da crosta oceânica para cerca de 195 a 190 milhões de anos atrás.

Um rifte largo antes do oceano

Antes de haver fundo oceânico, a Pangeia se esticou por dezenas de milhões de anos. Leleu e colegas descrevem um sistema de rifte (afundamento alongado da crosta) largo, com 17 bacias triássicas entre a Flórida e Terra Nova, na América, e entre o Marrocos e o golfo da Biscaia, na Europa e na África, e dizem que os depósitos do rifte continuaram continentais por mais de 35 milhões de anos. Os autores notam que esse rifteamento triássico é pouco compreendido, por falta de dados em subsuperfície e de fósseis nas rochas continentais. O magmatismo da CAMP, no fim do Triássico, veio no meio dessa história, e a relação dele com a ruptura é debatida. (Leleu et al. 2016)

Duas margens, uma mesma anomalia magnética

Sahabi, Aslanian e Olivet, da França e do Marrocos, partiram de dois indícios: a contraparte africana da anomalia magnética da costa leste dos EUA (ECMA) e a posição das bacias de sal do Marrocos e da Nova Escócia, que se encaixam lado a lado. O encaixe das duas margens marca o fim da deposição de sal, há cerca de 195 milhões de anos, no fim do Sinemuriano, 20 milhões de anos antes do que se pensava. A ICS dá ao Sinemuriano uma base de 199,5 ± 0,3 milhões de anos, na seção de East Quantoxhead, na Inglaterra. (Sahabi et al. 2004; International Commission on Stratigraphy 2026)

Quatro fases de abertura

Labails e colegas, do Ifremer, na França, e do Serviço Geológico da Noruega, refizeram o modelo com sísmica, magnetismo e gravimetria por satélite. Para eles, a abertura começou há cerca de 190 milhões de anos. Nos primeiros 20 milhões de anos a crosta cresceu muito devagar, a cerca de 0,8 cm por ano; por volta de 170 milhões, na altura do Blake Spur, a direção do movimento mudou e a velocidade subiu para cerca de 1,7 cm por ano; depois caiu para cerca de 1,3 cm por ano até 125 milhões. A abertura foi assimétrica, com mais crosta no lado americano, o que os autores ligam à anomalia térmica da CAMP, situada sobretudo sob a placa africana. (Labails et al. 2010)

Fontes

  1. Leleu, S.; Hartley, A. J.; van Oosterhout, C.; Kennan, L. et al. (2016). "Structural, stratigraphic and sedimentological characterisation of a wide rift system: The Triassic rift system of the Central Atlantic Domain". Earth-Science Reviews 158: 89–124. DOI 10.1016/j.earscirev.2016.03.008. Acessar
  2. Sahabi, M.; Aslanian, D.; Olivet, J.-L. (2004). "Un nouveau point de départ pour l'histoire de l'Atlantique central". Comptes Rendus Géoscience 336(12): 1041–1052. DOI 10.1016/j.crte.2004.03.017. Acessar
  3. Labails, C.; Olivet, J.-L.; Aslanian, D.; Roest, W. R. (2010). "An alternative early opening scenario for the Central Atlantic Ocean". Earth and Planetary Science Letters 297(3-4): 355–368. DOI 10.1016/j.epsl.2010.06.024. Acessar
  4. International Commission on Stratigraphy (2026). Global Boundary Stratotype Section and Points (GSSP), tabela. https://stratigraphy.org/gssps/ (consultada em 07/10/2026). Acessar

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