Atlas da História

Extinção do fim do Triássico e a Província Magmática do Atlântico Central

c. 201,56 milhões de anos atrás (extinção na bacia de Newark; Davies et al. 2017); limite Triássico–Jurássico em 201,4 ± 0,2 (ICS) · África do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Uma das maiores extinções em massa do Fanerozoico coincide com a Província Magmática do Atlântico Central (CAMP), um conjunto de lavas, sills e diques espalhado por quatro continentes. As datações recentes sugerem que as intrusões vieram antes das lavas.

Uma província em quatro continentes

A CAMP é formada por diques, sills (lâminas de magma entre camadas), algumas intrusões em camadas e derrames de lava nos quatro continentes em torno do Atlântico. Marzoli e colegas dão à área original mais de 10 milhões de km² e ao volume mais de 3 milhões de km³. O magmatismo ocorreu em ambiente de distensão, que anunciava a fragmentação da Pangeia e a abertura do Atlântico central. O Marrocos tem uma das subprovíncias mais bem preservadas, com quatro unidades (inferior, intermediária, superior e recorrente); a equipe, com instituições do Marrocos, da França, da Itália, da Suíça, da Noruega, da Suécia e dos EUA, estima que mais de 95% das rochas preservadas se formaram em menos de 300 mil anos. (Marzoli et al. 2019)

Quando morreu a vida: a data e o debate

Davies e colegas lembram que a extinção do fim do Triássico foi a terceira maior do Fanerozoico segundo suas fontes: no mar sumiram os amonites triássicos e os corais escleractínios foram devastados, e em terra houve troca de esporos e de vertebrados e mais de 95% de renovação da flora. Há uma queda global de 3 a 6 por mil no carbono-13. A datação de cinzas no Peru dá 201,51 ± 0,15 milhões de anos para o carbono e 201,36 ± 0,17 para o limite Triássico–Jurássico; para a bacia de Newark o valor é 201,564 ± 0,015. A ICS fixa o limite em 201,4 ± 0,2, na seção de Kuhjoch, na Áustria. (Davies et al. 2017; International Commission on Stratigraphy 2026)

Intrusões antes das lavas

O problema é que as lavas mais antigas datadas no Marrocos e na América do Norte ficam acima da queda do carbono-13. Davies et al. (2017) dataram intrusões e acharam que a de Kakoulima, na Guiné, tem 201,635 ± 0,029 milhões de anos, a mais antiga da CAMP, cerca de 100 mil anos antes das lavas. Sills da bacia do Amazonas, no Brasil, uma região rica em folhelhos e evaporitos com petróleo, têm idades sincrônicas com a extinção. Os autores propõem que o calor das intrusões liberou gases dos sedimentos. Eles próprios admitem que o volume e a composição desses gases são difíceis de estimar. A equipe incluiu a Universidade de São Paulo e a Universidade Cadi Ayyad, de Marrocos. (Davies et al. 2017)

Fontes

  1. Davies, J. H. F. L.; Marzoli, A.; Bertrand, H.; Youbi, N. et al. (2017). "End-Triassic mass extinction started by intrusive CAMP activity". Nature Communications 8: 15596. DOI 10.1038/ncomms15596. Acessar
  2. Marzoli, A.; Bertrand, H.; Youbi, N.; Callegaro, S. et al. (2019). "The Central Atlantic Magmatic Province (CAMP) in Morocco". Journal of Petrology 60(5): 945–996. DOI 10.1093/petrology/egz021. Acessar
  3. International Commission on Stratigraphy (2026). Global Boundary Stratotype Section and Points (GSSP), tabela. https://stratigraphy.org/gssps/ (consultada em 07/10/2026). Acessar

Na mesma região