Acheulense: machados de mão e grandes ferramentas cortantes
c. 1,75 milhão de anos atrás (Kokiselei e Konso: Beyene et al. 2013) até c. 500 mil anos em Olorgesailie, no Quênia (Acheulense tardio datado por Deino et al. 2018); o fim varia por região · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Tradição de ferramentas de pedra marcada por grandes lascas retocadas, picões e machados de mão bifaciais, surgida no leste da África há cerca de 1,75 milhão de anos. Espalhou-se pela África e pela Eurásia; seu fim varia por região, e no leste africano precede o Paleolítico Médio, de cerca de 320 mil anos.
As primeiras peças: Kokiselei e Konso
Segundo Beyene e colegas, o Acheulense se caracteriza por um componente de lascas grandes (mais de 10 cm) e foi registrado desde cerca de 1,6 a 1,75 milhão de anos. Os autores datam os conjuntos acheulenses da Formação Konso, no sul da Etiópia, de cerca de 1,75 a menos de 1,0 milhão de anos. O mais antigo é indistinguível em idade do de Kokiselei, a oeste do lago Turkana, no Quênia, apresentado por Lepre e colegas como o mais antigo do mundo, com cerca de 1,75 milhão de anos. (Beyene et al. 2013; Lepre et al. 2011)
Picões e machados desde o começo
O conjunto mais antigo de Konso tem grandes picões e bifaces e unifaces rudimentares feitos em lascas grandes. Com o tempo, os machados de mão ganham mais cicatrizes de lascamento, o que se vê menos nos picões. Para Beyene e colegas, picões e machados de mão faziam parte do Acheulense desde o início, e provavelmente tinham funções diferentes. O estudo é liderado por um pesquisador etíope, Yonas Beyene. (Beyene et al. 2013)
História da pesquisa e relação com Homo erectus
De la Torre faz um balanço da história da pesquisa sobre o Acheulense, que explica como se formou o quadro atual de explicação para seu surgimento a partir do Olduvaiense. O artigo revê as evidências do aparecimento da tecnologia na África por volta de 1,7 milhão de anos e seu significado para a história evolutiva de Homo erectus. A ligação entre a tradição e uma espécie é uma inferência dos estudos. (de la Torre 2016)
Fora da África e o fim no leste africano
Pappu e colegas publicaram em 2011 datas de um sítio acheulense do sul da Índia, entre 1,1 e 1,5 milhão de anos, que indicam que tecnologias bifaciais se espalharam pela Ásia mais cedo do que se aceitava. No leste da África, o artigo de Deino e colegas, sobre a bacia de Olorgesailie no Quênia, data o Acheulense tardio entre 615 mil e 499 mil anos, antes de uma grande transição técnica e de fauna. Segundo a síntese publicada na Science, o desaparecimento da tecnologia acheulense antecedeu a Idade da Pedra Média, com obsidiana de longa distância por volta de 320 a 305 mil anos atrás. (Pappu et al. 2011; Deino et al. 2018)
Fontes
- Lepre, C. J.; Roche, H.; Kent, D. V.; Harmand, S. et al. (2011). "An earlier origin for the Acheulian". Nature 477: 82–85. DOI 10.1038/nature10372. Acessar
- Beyene, Y.; Katoh, S.; WoldeGabriel, G.; Hart, W. K. et al. (2013). "The characteristics and chronology of the earliest Acheulean at Konso, Ethiopia". Proceedings of the National Academy of Sciences 110(5): 1584–1591. DOI 10.1073/pnas.1221285110. Acessar
- de la Torre, I. (2016). "The origins of the Acheulean: past and present perspectives on a major transition in human evolution". Philosophical Transactions of the Royal Society B 371(1698): 20150245. DOI 10.1098/rstb.2015.0245. Acessar
- Pappu, S.; Gunnell, Y.; Akhilesh, K.; Braucher, R. et al. (2011). "Early Pleistocene Presence of Acheulian Hominins in South India". Science 331: 1596–1599. DOI 10.1126/science.1200183. Acessar
- Deino, A. L.; Behrensmeyer, A. K.; Brooks, A. S.; Yellen, J. E. et al. (2018). "Chronology of the Acheulean to Middle Stone Age transition in eastern Africa". Science 360: 95–98. DOI 10.1126/science.aao2216. Acessar
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- Garganta de Olduvai (Oldupai): hominíneos desde cerca de 2 milhões de anos atrás c. 2,0 a 1,5 milhão de anos atrás (achados descritos em Mercader et al. 2021 e de la Torre et al. 2025)
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