Homo rudolfensis
c. 2,4 a 1,78 milhões de anos atrás (mandíbula UR 501 do Malaui, segundo Kimbel e Villmoare 2016; fósseis de Koobi Fora, Leakey et al. 2012) · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Espécie de Homo antigo da África oriental conhecida pelo crânio KNM-ER 1470, de Koobi Fora, no Quênia, de cérebro grande para a época e rosto largo e plano. Fósseis publicados em 2012 reforçaram a presença de duas espécies de Homo antigo ao mesmo tempo, além do H. erectus, mas os fósseis que lhe pertencem continuam em disputa.
O crânio KNM-ER 1470 e o nome da espécie
Achado em 1972 em Koobi Fora, no norte do Quênia, o KNM-ER 1470 está no centro do debate sobre quantas espécies de Homo viviam no início do Pleistoceno na África oriental (Leakey et al. 2012). Chamou atenção pelo volume cerebral, cerca de 50% maior que o dos australopitecos, e por um rosto grande, largo e plano, com as raízes dos zigomáticos deslocadas para a frente. Walker e Leakey o viram como parte da espécie de Homo que daria origem ao H. erectus, enquanto crânios de cérebro menor, como o KNM-ER 1813, de cerca de 510 cm³, representariam outra linhagem contemporânea. Mais tarde, Wood reintroduziu o nome H. rudolfensis, criado por Alexeev para o KNM-ER 1470, e reuniu o KNM-ER 1813 aos fósseis de Olduvai no H. habilis. A melhor estimativa de idade do KNM-ER 1470 é de 2,058 milhões de anos, com margem de 34 mil anos (Kimbel e Villmoare 2016). (Leakey et al. 2012; Kimbel e Villmoare 2016)
Os fósseis de 2012 e a forma da arcada dentária
Leakey et al. (2012) descreveram três fósseis de Koobi Fora com idades entre 1,95 e 1,78 milhão de anos. O KNM-ER 62000, rosto de um jovem quase adulto, lembra muito o KNM-ER 1470, embora seja bem menor, e mostra dentes posteriores de tamanho moderado e alongados. A mandíbula quase completa KNM-ER 60000 e o fragmento KNM-ER 62003 têm arcada dentária curta e reta na frente, com incisivos pequenos, o que combina com o formato da arcada do KNM-ER 1470 e do KNM-ER 62000. Para os autores, os novos fósseis confirmam duas espécies contemporâneas de Homo antigo, além do H. erectus. Zanolli et al. (2026) resumem a leitura que se seguiu: as arcadas curtas e quadradas de fósseis como KNM-ER 1482, 1801, 60000 e 62000 tenderiam a combinar com o KNM-ER 1470, mas há casos ambíguos, como a semelhança entre o KNM-ER 62000 e o OH 65. (Leakey et al. 2012; Zanolli et al. 2026)
O Malaui e a dispersão para o sul
A mandíbula UR 501, dos depósitos de Chiwondo, perto do lago Malaui, foi atribuída ao H. rudolfensis pela forma derivada do corpo mandibular, parecida com a de muitas mandíbulas posteriores de Homo; a sua idade pode chegar a 2,4 milhões de anos, mas também pode ser de apenas 1,9 milhão (Kimbel e Villmoare 2016). Schrenk et al. (1993) usaram essa mandíbula e a fauna do rifte do Malaui para propor um elo biogeográfico entre os registros da África oriental e da África austral. Numa latitude intermediária, a região poderia registrar deslocamentos de hominíneos e de outros animais em direção ao equador, provocados pela aridez crescente do fim do Plioceno. Para os autores, os hominíneos do Plioceno teriam surgido na faixa tropical do leste africano e chegado ao sul só em fases ecológicas mais favoráveis. (Kimbel e Villmoare 2016; Schrenk et al. 1993)
Um conjunto de fósseis ainda em disputa
Em setembro de 2025, 23 pesquisadores reuniram-se em Bordeaux, na França, numa oficina organizada pela Universidade de Bordeaux e pelo Instituto Senckenberg para discutir a origem do gênero Homo. No balanço de Zanolli et al. (2026), a proposta de Wood e Collard de transferir o H. habilis e o H. rudolfensis para Australopithecus foi pouco seguida, mas o parentesco das duas espécies continua em discussão, sobretudo pela incerteza na atribuição de muitos fósseis. Spoor et al. (2015) já observavam que não há acordo sobre qual dos dois grupos inclui o OH 7. Os autores da oficina também apontam heranças coloniais no acesso aos dados: as coleções ficam sobretudo em países de menor renda do sul global, como Tanzânia, Quênia e Etiópia, enquanto as práticas de pesquisa ainda favorecem poucos pesquisadores de países ricos do norte global. (Zanolli et al. 2026; Spoor et al. 2015)
Fontes
- Leakey, M. G.; Spoor, F.; Dean, M. C.; Feibel, C. S. et al. (2012). "New fossils from Koobi Fora in northern Kenya confirm taxonomic diversity in early Homo". Nature 488: 201–204. DOI 10.1038/nature11322. Acessar
- Kimbel, W. H.; Villmoare, B. (2016). "From Australopithecus to Homo: the transition that wasn't". Philosophical Transactions of the Royal Society B 371: 20150248. DOI 10.1098/rstb.2015.0248. Acessar
- Schrenk, F.; Bromage, T. G.; Betzler, C. G.; Ring, U. et al. (1993). "Oldest Homo and Pliocene biogeography of the Malawi Rift". Nature 365: 833–836. DOI 10.1038/365833a0. Acessar
- Spoor, F.; Gunz, P.; Neubauer, S.; Stelzer, S. et al. (2015). "Reconstructed Homo habilis type OH 7 suggests deep-rooted species diversity in early Homo". Nature 519: 83–86. DOI 10.1038/nature14224. Acessar
- Zanolli, C.; Alba, D. M.; Caley, T.; Cazenave, M. et al. (2026). "The Early Homo Conundrum: Challenges and Potential Solutions". Evolutionary Anthropology 35. DOI 10.1002/evan.70043. Acessar
Na mesma região
- Olduvaiense: as primeiras ferramentas de pedra lascada c. 2,6 a 1,5 milhão de anos atrás (Braun et al. 2019; Key e Williams 2026); a parte final é de atribuição discutível
- Homo habilis c. 2,06 a 1,67 milhões de anos atrás (do esqueleto de Ileret, Grine et al. 2026, ao crânio OH 13 de Olduvai, segundo Baab et al. 2025)
- Garganta de Olduvai (Oldupai): hominíneos desde cerca de 2 milhões de anos atrás c. 2,0 a 1,5 milhão de anos atrás (achados descritos em Mercader et al. 2021 e de la Torre et al. 2025)
- Acheulense: machados de mão e grandes ferramentas cortantes c. 1,75 milhão de anos atrás (Kokiselei e Konso: Beyene et al. 2013) até c. 500 mil anos em Olorgesailie, no Quênia (Acheulense tardio datado por Deino et al. 2018); o fim varia por região
- Lomekwiense: as ferramentas de pedra de Lomekwi 3 c. 3,3 milhões de anos atrás (Lomekwi 3, único sítio conhecido: Harmand et al. 2015)
- Australopithecus deyiremeda c. 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás (Haile-Selassie et al. 2015, 2025)