Olduvaiense: as primeiras ferramentas de pedra lascada
c. 2,6 a 1,5 milhão de anos atrás (Braun et al. 2019; Key e Williams 2026); a parte final é de atribuição discutível · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Conjunto de ferramentas de pedra lascada, com lascas e núcleos simples, nomeado a partir da garganta de Olduvai, na Tanzânia. Os sítios mais antigos com datação firme têm cerca de 2,6 milhões de anos, na Etiópia e no Quênia (em Nyayanga, no Quênia, o intervalo datado vai até c. 3,0 milhões), e a tradição durou mais de um milhão de anos. Quem as fez, Homo ou também Paranthropus, está em debate.
Do nome em Olduvai às ferramentas de Gona
A indústria olduvaiense recebeu o nome de artefatos achados perto da base da garganta de Olduvai, na Tanzânia, então datados em 1,8 milhão de anos. Pesquisas no Omo, na Etiópia, e em Turkana, no Quênia, deram ferramentas de 2,3 milhões de anos. Semaw e colegas trabalharam em Gona, na Etiópia, entre 1992 e 1994 e dataram ocorrências entre 2,6 e 2,5 milhões de anos, que os autores consideraram, na época, os artefatos mais antigos conhecidos em qualquer lugar. Notaram controle sofisticado da fratura da pedra, semelhante ao de conjuntos bem mais jovens, o que indicaria uma longa estagnação tecnológica. (Semaw et al. 1997)
Ledi-Geraru: 2,61 a 2,58 milhões de anos
Braun e colegas descreveram em 2019 um conjunto numeroso de ferramentas lascadas de forma sistemática, escavado in situ em Bokol Dora 1, em Ledi-Geraru, na Etiópia, entre 2,61 e 2,58 milhões de anos. A análise quantitativa sugere que ele se parece mais com a variabilidade do Olduvaiense do que com o Lomekwiense ou com as ferramentas de primatas não humanos atuais. Os autores notam que fósseis de Homo no mesmo local são cerca de 250 mil anos anteriores ao Olduvaiense de Gona. (Braun et al. 2019)
Nyayanga e a distribuição geográfica
Plummer e colegas descreveram sítios em Nyayanga, no Quênia, com intervalo de 3,032 a 2,581 milhões de anos, e ampliaram em mais de 1.300 km a distribuição conhecida do Olduvaiense mais antigo, antes restrito ao Triângulo de Afar. Há dois sítios de abate de hipopótamos e dentes de Paranthropus com isótopos de carbono de dieta rica em plantas C4. Os autores concluem que o Olduvaiense mais antigo era mais difundido, usado para processar alimentos diversos e associado a Paranthropus desde o início. (Plummer et al. 2023)
Uma tradição contínua?
Key e Williams reuniram 91 ocorrências olduvaienses datadas na África, com idades centrais entre 2,90 e 1,47 milhão de anos, e usaram 25 delas em testes estatísticos. As ocorrências estão na África do Sul, no Quênia, na Tanzânia, na Etiópia e na Argélia. Não acharam evidência temporal de perda do saber de lascar pedra entre 3,3 e 1,5 milhão de anos. Ocorrências mais jovens que cerca de 1,6 milhão de anos têm atribuição discutível. Em Olduvai, Mercader e colegas registraram ocupação com ferramentas de pedra entre 2,0 e 1,9 milhão de anos em Ewass Oldupa, bem antes do local tido antes como o mais antigo da bacia oriental, de 1,848 milhão de anos. (Key e Williams 2026; Mercader et al. 2021)
Fontes
- Semaw, S.; Renne, P.; Harris, J. W. K.; Feibel, C. S. et al. (1997). "2.5-million-year-old stone tools from Gona, Ethiopia". Nature 385: 333–336. DOI 10.1038/385333a0. Acessar
- Braun, D. R.; Aldeias, V.; Archer, W.; Arrowsmith, J. R. et al. (2019). "Earliest known Oldowan artifacts at >2.58 Ma from Ledi-Geraru, Ethiopia, highlight early technological diversity". Proceedings of the National Academy of Sciences 116(24): 11712–11717. DOI 10.1073/pnas.1820177116. Acessar
- Plummer, T. W.; Oliver, J. S.; Finestone, E. M.; Ditchfield, P. W. et al. (2023). "Expanded geographic distribution and dietary strategies of the earliest Oldowan hominins and Paranthropus". Science 379(6632): 561–566. DOI 10.1126/science.abo7452. Acessar
- Key, A.; Williams, E. M. (2026). "A continuous record of early human stone tool production". Cambridge Prisms: Extinction 4. DOI 10.1017/ext.2025.10009. Acessar
- Mercader, J.; Akuku, P.; Boivin, N.; Bugumba, R. et al. (2021). "Earliest Olduvai hominins exploited unstable environments ~ 2 million years ago". Nature Communications 12: 3. DOI 10.1038/s41467-020-20176-2. Acessar
Na mesma região
- Homo rudolfensis c. 2,4 a 1,78 milhões de anos atrás (mandíbula UR 501 do Malaui, segundo Kimbel e Villmoare 2016; fósseis de Koobi Fora, Leakey et al. 2012)
- Homo habilis c. 2,06 a 1,67 milhões de anos atrás (do esqueleto de Ileret, Grine et al. 2026, ao crânio OH 13 de Olduvai, segundo Baab et al. 2025)
- Garganta de Olduvai (Oldupai): hominíneos desde cerca de 2 milhões de anos atrás c. 2,0 a 1,5 milhão de anos atrás (achados descritos em Mercader et al. 2021 e de la Torre et al. 2025)
- Lomekwiense: as ferramentas de pedra de Lomekwi 3 c. 3,3 milhões de anos atrás (Lomekwi 3, único sítio conhecido: Harmand et al. 2015)
- Acheulense: machados de mão e grandes ferramentas cortantes c. 1,75 milhão de anos atrás (Kokiselei e Konso: Beyene et al. 2013) até c. 500 mil anos em Olorgesailie, no Quênia (Acheulense tardio datado por Deino et al. 2018); o fim varia por região
- Australopithecus deyiremeda c. 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás (Haile-Selassie et al. 2015, 2025)