Atlas da História

Lomekwiense: as ferramentas de pedra de Lomekwi 3

c. 3,3 milhões de anos atrás (Lomekwi 3, único sítio conhecido: Harmand et al. 2015) · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Nome proposto em 2015 para os artefatos de pedra de Lomekwi 3, em West Turkana, no Quênia, de cerca de 3,3 milhões de anos, anteriores ao gênero Homo conhecido. Os autores do achado veem um novo começo da tecnologia de pedra; outros leem o conjunto como parte da mesma tradição do Olduvaiense.

O achado em West Turkana

Em 2015, Harmand e colegas descreveram Lomekwi 3, sítio em West Turkana, no Quênia, com artefatos de pedra in situ em associação espacial e temporal com fósseis de hominíneos do Plioceno, num paleoambiente com árvores. Segundo o artigo, os artesãos já tinham noção das propriedades de fratura da pedra e combinavam a redução de núcleos com atividades de percussão. Os autores propuseram o nome Lomekwiense, mais antigo que o Olduvaiense em 700 mil anos. (Harmand et al. 2015)

Antes do gênero Homo conhecido

Lewis e Harmand observam que as ferramentas de Lomekwi 3, de 3,3 milhões de anos, são anteriores aos primeiros fósseis atribuídos a Homo (2,8 milhões de anos) e que foram feitas num ambiente com mais plantas C3 do que as primeiras ferramentas olduvaienses (2,6 milhões de anos). Segundo eles, fazer e usar ferramentas não se limita ao gênero Homo, e a diversidade de Homo inicial é maior do que se pensava. Proffitt e colegas (2026) citam a atribuição do conjunto a Kenyanthropus platyops. (Lewis e Harmand 2016; Proffitt et al. 2026)

Um intervalo de quase um milhão de anos

Shea (2026) observa que o registro de pedra do leste da África tem uma lacuna de quase um milhão de anos entre Lomekwi 3 e as ocorrências seguintes, de cerca de 2,5 a 2,6 milhões de anos, como Nyayanga e Namorotukunan, no Quênia. Para ele, o início do trabalho em pedra foi ocasional e improvisado, só se tornando habitual após cerca de 1,9 milhão de anos. Key e Williams (2026) lembram que lacunas desse tipo podem vir, em parte, de limites das técnicas de datação. (Shea 2026; Key e Williams 2026)

Tradição própria ou parte do Olduvaiense?

Key e Williams (2026) testaram com métodos estatísticos 91 ocorrências olduvaienses africanas, de 3,3 a 1,5 milhão de anos, e não acharam evidência temporal de perda do conhecimento de fazer ferramentas de pedra. Citam Flicker e Key (2023) para dizer que Lomekwi 3 faz parte do mesmo processo cultural do Olduvaiense. É uma leitura que se opõe à de Harmand e colegas, para quem se trata de uma tradição à parte, e o debate segue aberto. (Key e Williams 2026; Harmand et al. 2015)

Fontes

  1. Harmand, S.; Lewis, J. E.; Feibel, C. S.; Lepre, C. J. et al. (2015). "3.3-million-year-old stone tools from Lomekwi 3, West Turkana, Kenya". Nature 521: 310–315. DOI 10.1038/nature14464. Acessar
  2. Lewis, J. E.; Harmand, S. (2016). "An earlier origin for stone tool making: implications for cognitive evolution and the transition to Homo". Philosophical Transactions of the Royal Society B 371(1698): 20150233. DOI 10.1098/rstb.2015.0233. Acessar
  3. Key, A.; Williams, E. M. (2026). "A continuous record of early human stone tool production". Cambridge Prisms: Extinction 4. DOI 10.1017/ext.2025.10009. Acessar
  4. Shea, J. J. (2026). "What the eastern African stone tool evidence tells us about Plio-Pleistocene hominin extinctions". Cambridge Prisms: Extinction 4. DOI 10.1017/ext.2026.10014. Acessar
  5. Proffitt, T.; Reeves, J. S.; Bandini, E. (2026). "Parsimony, homology and the continuity of stone tool use in the hominin clade". Cambridge Prisms: Extinction 4. DOI 10.1017/ext.2026.10018. Acessar

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