Atlas da História

Garganta de Olduvai (Oldupai): hominíneos desde cerca de 2 milhões de anos atrás

c. 2,0 a 1,5 milhão de anos atrás (achados descritos em Mercader et al. 2021 e de la Torre et al. 2025) · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Complexo de sítios no norte da Tanzânia, dentro da Área de Conservação de Ngorongoro, com uma longa sequência de vestígios de hominíneos. Escavações recentes mostram ocupação com ferramentas de pedra desde cerca de 2 milhões de anos atrás e ferramentas de osso lascado de cerca de 1,5 milhão de anos.

Camadas de cinza vulcânica datadas

Oldupai (Olduvai) tem camadas vulcânicas e lacustres numeradas de Bed I a Bed III. O topo do Bed I (Tuff IF) tem idade de 1,803 ± 0,002 milhão de anos e a base do Bed III, de 1,14 ± 0,05 milhão de anos, segundo de la Torre e colegas, que situam o sítio T69 no Bed II. A sequência é datada por cinzas vulcânicas com idades obtidas por argônio-argônio, o que permite amarrar achados de ferramentas e fósseis a intervalos de tempo. A Unesco inclui na Área de Conservação de Ngorongoro uma longa sequência de evidências da evolução humana e das relações entre humanos e ambiente. (de la Torre et al. 2025; UNESCO, lista nº 39)

Ewass Oldupa: ocupação a cerca de 2 milhões de anos

No sítio Ewass Oldupa, no lado ocidental da garganta, Mercader e colegas recuperaram 1.373 fósseis e 565 artefatos de pedra, com todas as etapas de lascamento presentes. A equipe, que inclui pesquisadores de instituições tanzanianas, data a ocupação entre 2,0 e 1,9 milhão de anos atrás, antes do local de Douglas Korongo, tradicionalmente tido como a presença oldowan mais antiga na bacia oriental (cerca de 1,848 milhão de anos). Os autores agradecem às comunidades Maasai de Oldupai pelo conhecimento que sustenta o trabalho. (Mercader et al. 2021)

Ambientes instáveis: leque vulcânico, rios e lago

Com fitólitos, pólen, ceras vegetais, isótopos de esmalte e microcarvão, o estudo reconstrói um ambiente que mudava depressa: riachos meandrantes num leque vulcanoclástico, fluxos de massa, ciclos de avanço e recuo do lago e sistemas fluviais. Os autores leem isso como evidência de que os hominíneos exploraram, de forma episódica, o mesmo lugar em contextos geomorfológicos variados. É uma interpretação dos autores, apoiada por vários indicadores de vegetação. (Mercader et al. 2021)

Ferramentas de osso em T69, no Bed II

O complexo T69, na ravina Frida Leakey Korongo Oeste, foi escavado em sete trincheiras entre 2015 e 2022 e tem mais de 10.900 ferramentas de pedra de 2 cm ou mais. De la Torre e colegas identificaram 27 ferramentas de osso lascado, todas em fragmentos de diáfise de ossos longos, em sua maioria de animais com mais de duas toneladas; entre os 16 determináveis, oito são de elefante e seis de hipopótamo. O horizonte tem cerca de 1,5 milhão de anos, e os autores o apresentam como anterior em mais de 1 milhão de anos a outras evidências de produção sistemática de ferramentas de osso. (de la Torre et al. 2025)

Fontes

  1. Mercader, J.; Akuku, P.; Boivin, N.; Bugumba, R. et al. (2021). "Earliest Olduvai hominins exploited unstable environments ~ 2 million years ago". Nature Communications 12: 3. DOI 10.1038/s41467-020-20176-2. Acessar
  2. de la Torre, I.; Doyon, L.; Benito-Calvo, A.; Mora, R. et al. (2025). "Systematic bone tool production at 1.5 million years ago". Nature 640: 130–134. DOI 10.1038/s41586-025-08652-5. Acessar
  3. UNESCO World Heritage Centre, "Ngorongoro Conservation Area", lista nº 39. https://whc.unesco.org/en/list/39/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar

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