Idade da Pedra Média africana e a técnica Levallois
c. 320 a 35 mil anos atrás (início: Brooks et al. 2018; fim: visão geral em MacDonald et al. 2021) · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Período do passado africano anterior à escrita, contemporâneo ao Paleolítico Médio da Eurásia, em que as ferramentas de pedra passam a ser feitas com preparo de núcleo, como a técnica Levallois. No Quênia, a mudança aparece há cerca de 320 mil anos; em Panga ya Saidi o processo é gradual, sem revolução.
Olorgesailie: do Acheulense à Pedra Média
A bacia de Olorgesailie, no vale do Rift queniano, tem sedimentos de até 1,2 milhão de anos com um longo registro de atividade humana. Segundo a síntese da Science de 2018, os estudos de Potts, Brooks e Deino mostram o fim da tecnologia acheulense antes da Idade da Pedra Média e a transição acompanhada de troca de grandes mamíferos e de grande mudança na paisagem. Por volta de 320 a 305 mil anos, as populações do leste da África passaram a obter obsidiana de longe, o que os autores leem como início de troca social. Deino e colegas fornecem a cronologia. (Deino et al. 2018; Brooks et al. 2018)
Levallois: um fenômeno em torno de 300 mil anos
A técnica Levallois prepara um núcleo para obter uma ou mais lascas grandes e finas. MacDonald e colegas dizem que, bem diferenciada de formas simples de núcleo preparado, ela surge numa janela estreita de tempo por volta de 300 mil anos, cerca de 100 mil anos depois do sinal de fogo em larga escala, e a ligam à difusão cultural. Na África a idade da Idade da Pedra Média é descrita como de cerca de 350 a 35 mil anos, aproximadamente contemporânea ao Paleolítico Médio da Europa ocidental. (MacDonald et al. 2021)
Origem africana ou invenções independentes?
Adler e colegas datam em 335 a 325 mil anos artefatos Levallois de obsidiana no sul do Cáucaso, os mais antigos da Eurásia segundo o estudo. Eles contestam a hipótese de que a técnica chegou à Eurásia por expansão de hominíneos africanos e sugerem que ela pode ter surgido de modo independente em populações diferentes. Para os autores, a tecnologia de pedra não serve como indicador confiável de mudança ou expansão populacional. MacDonald e colegas, por outro lado, preferem a difusão cultural. (Adler et al. 2014; MacDonald et al. 2021)
Panga ya Saidi: transição gradual
Shipton e colegas descreveram em 2018 uma sequência de 78 mil anos na caverna de Panga ya Saidi, na floresta costeira do Quênia, com mais de 30.000 artefatos de pedra, núcleos Levallois e peças com dorso, miçangas e ocre. Após uma mudança de ferramentas há cerca de 67 mil anos, comportamentos simbólicos e técnicos novos se juntam de modo não linear. Para os autores, a sequência não mostra uma mudança radical por volta de 60 a 50 mil anos, e inovações locais descrevem melhor o período do que revoluções ou migrações. (Shipton et al. 2018)
Fontes
- Brooks, A. S.; Yellen, J. E.; Potts, R.; Behrensmeyer, A. K. et al. (2018). "Long-distance stone transport and pigment use in the earliest Middle Stone Age". Science 360: 90–94. DOI 10.1126/science.aao2646. Acessar
- Deino, A. L.; Behrensmeyer, A. K.; Brooks, A. S.; Yellen, J. E. et al. (2018). "Chronology of the Acheulean to Middle Stone Age transition in eastern Africa". Science 360: 95–98. DOI 10.1126/science.aao2216. Acessar
- Adler, D. S.; Wilkinson, K. N.; Blockley, S.; Mark, D. F. et al. (2014). "Early Levallois technology and the Lower to Middle Paleolithic transition in the Southern Caucasus". Science 345: 1609–1613. DOI 10.1126/science.1256484. Acessar
- MacDonald, K.; Scherjon, F.; van Veen, E.; Vaesen, K. et al. (2021). "Middle Pleistocene fire use: The first signal of widespread cultural diffusion in human evolution". Proceedings of the National Academy of Sciences 118(31): e2101108118. DOI 10.1073/pnas.2101108118. Acessar
- Shipton, C.; Roberts, P.; Archer, W.; Armitage, S. J. et al. (2018). "78,000-year-old record of Middle and Later Stone Age innovation in an East African tropical forest". Nature Communications 9. DOI 10.1038/s41467-018-04057-3. Acessar
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