Alta Barragem de Assuã
1960–1970 · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Barragem no Nilo, perto de Assuã, iniciada em 1960, que deu ao Egito controle pleno das águas do rio a partir de 1970, para irrigação, energia e navegação. A obra deslocou cerca de 120 mil núbios; entre 1960 e 1980, uma campanha da UNESCO transferiu templos como os de Abu Simbel e Philae para salvá-los das águas do Nilo e do Lago Nasser.
A Núbia antes da barragem
A Núbia histórica se estende entre a 1ª e a 4ª catarata do Nilo, lembra Maja Janmyr (2023). Ali floresceram os reinos de Napata (séc. VIII–VI a.C.) e de Meroé (que a autora situa entre os séc. VI a.C. e I d.C.); o cristianismo chegou a partir do séc. V, e o islã se difundiu sobretudo no período mameluco (1250–1517). O tratado anglo-egípcio de 1899 dividiu os núbios por uma fronteira. Hoje eles somam cerca de 3 milhões, e a autora estima em c. 100 mil os falantes de núbio. A UNESCO descreve o trecho entre Assuã e a fronteira sudanesa como uma sucessão de templos do Reino Novo aos períodos ptolomaico e romano, de sítios coptas e de aldeias, e Assuã como a cidade de fronteira do Egito antigo, base de expedições comerciais e militares rumo ao sul. (Janmyr 2023; UNESCO, lista nº 88)
Três barragens e duas contagens de deslocados
A Alta Barragem fechou uma série de obras. Janmyr (2023) lembra que a primeira barragem de Assuã foi construída em 1902 e alteada em 1912 e em 1932. A Alta Barragem, concluída em 1970, formou o Lago Nasser, com cerca de 500 km de extensão, e a transferência dos habitantes das aldeias núbias afetadas ocorreu em 1963 e 1964, envolvendo cerca de 50 mil pessoas segundo a autora. Alia Mossallam (2025) fala em cerca de 120 mil núbios deslocados pela obra. As duas cifras vêm de fontes diferentes e podem medir coisas diferentes, o que o historiador precisa conferir. (Janmyr 2023; Mossallam 2025)
Canções de uma obra nacional
A barragem também foi cantada. Mossallam (2025) estuda o papel das canções na construção do sentido da obra, sobretudo nos anos 1960, quando a música celebrava a façanha técnica e levava mensagens anticoloniais e socialistas; folclore, sentimento popular e ideologia de Estado se encontravam nessas letras. A autora mostra dois lados da experiência: para os trabalhadores, a obra significou ascensão social; para os núbios deslocados, o rompimento de uma relação antiga com o rio. Antes e depois da partida, as canções funcionam como arquivo emocional e histórico dessa perda e de um deslocamento que, para ela, nunca terminou. (Mossallam 2025)
Templos removidos e o direito ao retorno
Entre 1960 e 1980, a campanha internacional da UNESCO desmontou e reconstruiu em outros pontos os templos de Abu Simbel, Amada, Uadi es-Sebua, Kalabsha e Philae, este levado para a ilha de Agilkia, para salvá-los das águas do Nilo e do Lago Nasser. Para os núbios, a questão da terra continua aberta. Janmyr (2023) lembra que o artigo 236 da Constituição egípcia prevê o retorno dos núbios às suas regiões de origem no prazo de dez anos, e que as línguas núbias continuam fora do sistema de ensino. (UNESCO, lista nº 88; Janmyr 2023)
Fontes
- Abu-Zeid, M. A.; El-Shibini, F. Z. (1997). "Egypt's High Aswan Dam". International Journal of Water Resources Development 13: 209–218. DOI 10.1080/07900629749836. Acessar
- Mossallam, A. (2025). "Socialism as a River. Constructions of the Aswan High Dam through Lyrics". Bridging Humanities (De Gruyter). DOI 10.1163/25425099-00103002. Acessar
- UNESCO World Heritage Centre, "Nubian Monuments from Abu Simbel to Philae", lista nº 88. https://whc.unesco.org/en/list/88/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Janmyr, M. (2023). "The Nubians of Egypt: a displaced population". In: Bayoumi, H.; Bennafla, K. (orgs.). An Atlas of Contemporary Egypt. CNRS Éditions, p. 96–97. ISBN 9782271149534. DOI 10.4000/books.editionscnrs.58490. Acessar
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