Ibn Battuta
24 fev. 1304 – c. 1368/69 (Gibb 1929) · África do Norte, Península Arábica, Sul da Ásia
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Jurista nascido em Tânger, partiu em 1325 para a peregrinação a Meca e acabou viajando por cerca de três décadas, da África Ocidental à China. Seu relato, a Rihla, ditado a Ibn Juzayy, é fonte central para o mundo islâmico do século XIV, e a própria edição de Gibb adverte que a sua credibilidade foi disputada já em vida.
Um jurista de Tânger
Segundo a introdução de Gibb, Ibn Battuta nasceu em Tânger em 24 de fevereiro de 1304, numa família ligada ao povo berbere Luwata e a uma sucessão de juízes (qadis). Teve a formação literária e jurídica comum à elite religiosa muçulmana. Ele mesmo conta que partiu em 14 de junho de 1325, aos 22 anos, sozinho, para a peregrinação a Meca e Medina. Do que veio depois, as informações sobre sua vida vêm quase só do próprio relato, ditado ao letrado Ibn Juzayy. (Gibb 1929)
Da peregrinação ao projeto de viver na Índia
Gibb descreve como o desejo de chegar a Meca virou gosto de viajar: Ibn Battuta cruzou o Egito e a Síria, voltou a Meca e passou cerca de três anos em estudo e devoção. Depois, tentando alcançar a Índia, ouviu que não havia navio em Jedá e seguiu por Anatólia, Mar Negro, estepes e Ásia Central. Entrou na Índia em setembro de 1333 e foi nomeado juiz malikita de Délhi pelo sultão Muhammad ibn Tughluq, onde ficou cerca de sete anos até a ruptura com o soberano. (Gibb 1929)
Embaixada, naufrágio e China
Em 1342, o sultão o enviou como chefe de uma missão ao imperador da China. Pouco depois de sair de Délhi, a comitiva foi atacada e ele perdeu quase tudo na costa de Calecute. Em vez de voltar, passou pelas Maldivas, onde foi juiz por cerca de 18 meses, e depois por Ceilão, Bengala e Sumatra. Tang e colegas situam sua estada na China Yuan em 1345–1346 e destacam o retrato aberto e acolhedor que ele faz de Quanzhou, que chama de um dos maiores portos do mundo. (Gibb 1929; Tang et al. 2025)
Retorno e a viagem ao Mali
Gibb conta que, de volta ao Ocidente, Ibn Battuta estava na Síria quando a peste negra chegou, em 1348, e chegou a Fez em novembro de 1349. Faltavam-lhe ainda dois países muçulmanos: Andaluzia e o Sudão ocidental. Chegou ao Mali em 28 de junho de 1352 e saiu em 27 de fevereiro de 1353. Canós-Donnay observa que sua passagem de sete meses é o primeiro relato direto da corte do Mali, embora se discuta se ele viu pessoalmente todos os lugares que descreve. (Gibb 1929; Canós-Donnay 2019)
Credibilidade e uso da Rihla
Gibb lembra que há apenas duas referências de contemporâneos a Ibn Battuta, e ambas tratam da credibilidade de suas histórias, que foi muito contestada. Estima-se, a partir de Yule, que tenha percorrido ao menos 75.000 milhas. Para a história do Mali e da China Yuan, o relato é fonte rara, e por isso historiadores o usam sempre cruzando com crônicas árabes e dados da arqueologia, como faz Canós-Donnay a respeito da capital imperial do Mali, que ela considera de localização ainda incerta. (Gibb 1929; Canós-Donnay 2019)
Fontes
- Gibb, H. A. R. (trad. e sel.) (1929). Ibn Battuta: Travels in Asia and Africa, 1325–1354. Londres: Routledge & Kegan Paul (Broadway Travellers). Lido em cópia digitalizada do Internet Archive.
- Tang, K.; Tian, T.; Wu, Y. (2025). "Gaze and Molding: A Perspective into the Image of China in the Rihla of Ibn Battuta". OALib 12(4): 1–16. DOI 10.4236/oalib.1113319. Acessar
- Canós-Donnay, S. (2019). "The Empire of Mali". Em: Oxford Research Encyclopedia of African History. Oxford University Press. DOI 10.1093/acrefore/9780190277734.013.266. Acessar
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