Atlas da História

Sultanato de Senar (Funj)

c. 1500/1505–1821 · África do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Reino núbio islâmico que dominou o vale do Nilo no atual Sudão de c. 1500 a 1821, conhecido pelo nome de sua elite governante, os Funj, e pelo de sua capital, Sinnar. Freou a expansão otomana e, no período tardio, viu crescer cidades, comércio e práticas islâmicas ortodoxas, até a guerra civil e a conquista turco-egípcia.

De onde vieram os Funj

A origem dos Funj, a elite que governou Sinnar, é debatida. Jay Spaulding (1972) reuniu três linhas de evidência sobre o período anterior a c. 1500. A tradição oral shilluk lembra os Funj como antigos habitantes da atual terra shilluk, e visitantes de Sinnar nos séculos XVIII e XIX ouviram que os Funj vinham do Nilo Branco. Para o autor, nenhuma das duas tradições deve ser aceita sem crítica, mas ambas ganham peso por se confirmarem. Os primeiros Funj parecem ter vivido em montes de habitação elevados, e o núcleo de sua cultura ficaria ao longo do Nilo Branco, entre Renk e Malakal, sem excluir uma área ainda maior. (Spaulding 1972)

A hipótese núbia e o renascimento núbio

A cerâmica dos montes do Nilo Branco pode indicar, segundo Spaulding (1972), que os Funj eram um povo núbio do sul; o autor pesa essa hipótese contra outras, que lhes dariam uma identidade desconhecida ou mesmo meroítica. Construções de tijolo vermelho, ao sul das fronteiras admitidas do sultanato e na própria capital, reforçam a leitura núbia. Daí a proposta de ver a era de Sinnar como um renascimento núbio, chave para entender seu governo e sua sociedade; o autor pede pesquisas sobre a língua funj e sobre as culturas arqueológicas ao sul de Sinnar para resolver a questão. Num texto posterior, Spaulding (2016) destaca que, na fase tardia, muitos grupos passaram a adotar identidades árabes e que as inovações do período corroeram as instituições do Estado. (Spaulding 1972; Spaulding 2016)

Poder em rede no sul do sultanato

Jędrej (2000) olha o sultanato a partir de suas margens, na região do Nilo Azul onde vivem os Ingessana. Com base em pesquisa etnográfica, ele revê as fontes sobre a organização social dos Funj do sul no séc. XIX e recusa a imagem de grupos tidos como pagãos que apenas resistiriam, com mais ou menos sucesso, a um Estado islâmico sofisticado. O que se vê, para ele, é uma trama de relações políticas variadas, irradiadas por uma elite instalada em poucos centros regionais e que atravessava todas as comunidades. Sob o governo turco-egípcio, que sucedeu o sultanato na região, a população se dividiu entre montanheses que desafiavam o poder e habitantes das planícies submetidos de várias formas; só sob o regime colonial anglo-egípcio surgiram grupos étnicos distintos. (Jędrej 2000)

Fontes

  1. Spaulding, J. (2016). "Funj Sultanate of Sinnar". In: The Encyclopedia of Empire, Wiley. DOI 10.1002/9781118455074.wbeoe007. Acessar
  2. Jędrej, M. C. (2000). "Ingessana and the Legacy of the Funj Sultanate: The Consequences of Turkish Conquest on the Blue Nile". Africa 70: 278–297. DOI 10.3366/afr.2000.70.2.278. Acessar
  3. Spaulding, J. (1972). "The Funj: a reconsideration". The Journal of African History 13(1): 39–53. DOI 10.1017/s0021853700000256. Acessar

Na mesma região