Mesquita de al-Azhar (Cairo fatímida)
fundada em 970 (UNESCO) ou 971 (Wikidata) · África do Norte
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Mesquita fundada em 970 no Cairo, cidade criada no ano anterior como sede do Califado Fatímida. Segundo a UNESCO, é desde então um dos principais centros de ensino teológico e religioso de todo o mundo islâmico, e está entre as mesquitas de destaque da arquitetura fatímida da cidade.
A mesquita da nova capital fatímida
Segundo a UNESCO, o traçado fatímida do Cairo, com a muralha de Badr al-Gamali e os portões Bab Zuwayla, Bab al-Nasr e Bab al-Futuh, ainda forma o núcleo da cidade histórica, que se somou a assentamentos anteriores: Fustat (642), al-Askar (750) e al-Qata'i (879). Conforme o guia de leitura do Institute of Ismaili Studies, al-Azhar foi fundada em 970, durante o governo de Jawhar no Egito (969–973), antes da chegada do califa al-Mu'izz, em 973. O nome, lembra Thomas Cazentre (2017), significa a resplandecente, e a mesquita nasceu como fundação dos fatímidas, uma dinastia xiita. (UNESCO, lista nº 89; The Institute of Ismaili Studies; Cazentre 2017)
Ensino aberto e saber reservado
O historiador Heinz Halm (1997), resumido no guia do Institute of Ismaili Studies, distingue dois níveis de ensino no Cairo fatímida. Em al-Azhar ensinava-se o sentido exterior da lei, segundo a interpretação ismaelita, em sessões abertas a todos, inclusive às mulheres. Já as sessões de sabedoria (majalis al-hikma) aconteciam no palácio e eram reservadas aos iniciados. Em 1005, o califa al-Hakim fundou outra instituição de saber, a Dar al-'Ilm. A mesquita fazia parte, assim, de um projeto religioso e político ismaelita que combinava ensino público e doutrina restrita. (The Institute of Ismaili Studies)
De centro xiita a referência do islã sunita
Saladino devolveu al-Azhar ao rito sunita, conta Cazentre (2017); segundo Poonawala, porém, os aiúbidas negligenciaram a mesquita e criaram madrasas sunitas, e ela só recuperou o lugar central sob os mamelucos. A oração e o ensino seguiram juntos desde a fundação, e no séc. XIX as aulas ainda se davam nos pátios e galerias. Acréscimos dos períodos mameluco e otomano ampliaram o edifício, que reúne cinco minaretes de estilos diferentes. Para o autor, al-Azhar é hoje a universidade de maior prestígio do islã sunita, e seus pareceres têm autoridade religiosa. A UNESCO situa essa história nas camadas do Cairo histórico: a cidadela aiúbida (1176), a expansão mameluca (1250–1517) e o período otomano (1517–1805), além de outras mesquitas fatímidas, como as de al-Hakim, al-Aqmar e Salih Tala'i. (Cazentre 2017; UNESCO, lista nº 89)
Fontes
- UNESCO World Heritage Centre, "Historic Cairo", lista nº 89. https://whc.unesco.org/en/list/89/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026). Acessar
- Halm, H. (1997). The Fatimids and their Traditions of Learning. I.B. Tauris. DOI 10.5040/9780755612185; ISBN 9780857712592. Acessar
- Cazentre, T. (2017). "La mosquée al-Azhar". In: Le Caire sur le vif. Beniamino Facchinelli photographe (1875-1895). Publications de l'Institut national d'histoire de l'art, p. 36–37. ISBN 9782917902790. DOI 10.4000/books.inha.7806. Acessar
- The Institute of Ismaili Studies, "Intellectual life in Fatimid Times: A Reading Guide". https://iis.ac.uk/wp-content/uploads/2024/12/revised_copy_of_intellectual_life_in_fatimid_times.pdf (consultado em 07/10/2026). Acessar
- Poonawala, I. K. (2005). "Azhar, al-". In: Jones, L. (ed.). Encyclopedia of Religion, 2.ª ed. Macmillan Reference USA. ISBN 9780028657332.
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