Atlas da História

Canal de Suez: construção

1859–1869 (inauguração em 17 nov. 1869) · África do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Via navegável de cerca de 160 km através do Egito, ligando o Mediterrâneo ao mar Vermelho, inaugurada em 17 de novembro de 1869. A escavação, em curso desde 1859, dependeu de trabalhadores egípcios recrutados à força até 1864, quando o fim desse regime levou à mecanização das obras.

Um istmo de beduínos e pescadores

Antes do canal, o istmo de Suez, com cerca de 125 km, era percorrido por beduínos nômades e por alguns pescadores, lembra Lucia Carminati (2021). Lesseps obteve a concessão em 1854, a companhia do canal foi criada em 1858, e as obras começaram em abril de 1859, de Port Said para o sul; a partir de 1861, animais de carga reforçaram o trabalho. O canteiro deu origem a cidades novas, como Port Said (1859), Ismailia (c. 1860) e Port Tewfiq (1867), e nelas os bairros ditos árabes eram os mais vulneráveis. (Carminati 2021)

Da corveia às dragas

A mão de obra foi o centro do conflito. Segundo Carminati (2024), entre 1859 e 1864 o governo egípcio recrutou trabalhadores para a obra pesando a corveia contra ordens otomanas que a proibiam, e durante todo o período máquinas e trabalho humano coexistiram. No texto de 2021, a autora detalha que a companhia passou a receber milhares de egípcios recrutados à força a partir de 1862, ao lado de trabalhadores pagos. Em 1864, Isma'il Paxá encerrou o trabalho forçado, e a companhia respondeu com mais máquinas e mais trabalhadores estrangeiros. A mecanização veio, assim, depois do fim da corveia e como resposta a ele. (Carminati 2024; Carminati 2021)

Dragas até a véspera e um canal disputado

Dez dias antes da inauguração, que Carminati (2021) data de 16 de novembro de 1869, ainda operavam 14 dragas no leito. A abertura também ligou dois mares que estavam separados, e espécies marinhas, como a ostra perlífera, passaram a migrar entre eles. A autora lembra ainda que o canal voltou ao centro da política internacional em 1956, quando, depois da nacionalização pelo Egito, Reino Unido, França e Israel atacaram o país. (Carminati 2021)

Fontes

  1. Carminati, L. (2024). "Of Machines and Men". In: The Oxford Handbook of Modern Egyptian History, Oxford University Press, p. 125–151. DOI 10.1093/oxfordhb/9780190072742.013.3. Acessar
  2. Karabell, Z. (2003). Parting the Desert: The Creation of the Suez Canal. Alfred A. Knopf. ISBN 9780375408830.
  3. Carminati, L. (2021). "The toll and toil it took to cleave the Suez Canal through the Egyptian desert". The Conversation. DOI 10.64628/aaj.435wua55n. Acessar

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