Guerra de Independência da Argélia
1º nov. 1954 a 1962 (Wikidata) · África do Norte
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Guerra entre a França e o movimento de independência argelino, de 1954 a 1962, que terminou com a independência da Argélia. As perdas argelinas são estimadas entre cerca de 300 mil, cálculo demográfico de Yacono (1982), e 1,5 milhão, número oficial argelino citado pelo mesmo autor.
Uma guerra que o Estado francês negava
Durante o conflito, as autoridades francesas negaram que houvesse uma guerra e governaram a Argélia por meio de leis de exceção, mostra Sylvie Thénault (2021): o estado de urgência de 3 de abril de 1955, os poderes especiais de 16 de março de 1956 e a justiça militar dos TPFA. Os nacionalistas, por sua vez, recusavam os rótulos de rebeldes, fora da lei e terroristas. A autora acompanha essa lógica pelo caso de Abderrahmane Taleb, condenado à morte três vezes em 1957 e executado em 24 de abril de 1958; sua execução entra, segundo ela, na cadeia de fatos que levou à crise de 13 de maio de 1958 e ao fim da IV República. (Thénault 2021)
Os campos de reagrupamento
Fabien Sacriste (2016) estuda os campos de reagrupamento, para onde foram levados mais de 2 milhões de argelinos do campo, mais da metade da população rural recenseada em 1954, distribuídos em mais de 2.000 campos. O Plano Challe e o relatório Rocard, ambos de 1959, aparecem como marcos dessa política e de sua denúncia. O autor descreve carências, uma crise sanitária e uma sobremortalidade infantil, e, como indica o título do artigo, trata o corpo dos reagrupados como um alvo em disputa na própria guerra. (Sacriste 2016)
Por que a França acabou cedendo
Num artigo publicado na revista argelina Insaniyat, Hartmut Elsenhans (2014), da Universidade de Leipzig, propõe uma explicação estrutural. Para ele, a guerra aconteceu porque faltavam na França forças capazes de levar adiante uma saída neocolonial. A mobilização de massa promovida pela FLN a partir de 1955 tornou inviável qualquer solução intermediária, e coube a de Gaulle administrar a aceitação da independência. O próprio título do artigo fala em interpretações que se cruzam e em realidades contra construções, sinal de que essa é uma leitura entre outras. (Elsenhans 2014)
O que entra no cálculo das perdas
Yacono (1982) explica o que compõe o cálculo demográfico que dá o extremo baixo da faixa citada no registro. O período vai de 1º de novembro de 1954 a julho de 1962, e o autor soma os combatentes argelinos (moudjahidine), os civis, os muçulmanos alinhados à França, os expurgos internos nas wilayas, o contraterror de europeus e os confrontos entre a FLN e o MNA. Ele também reúne as estimativas argelinas em circulação, bem mais altas, como a citada no resumo do registro. (Yacono 1982)
Fontes
- Stora, B. (2004). Histoire de la guerre d'Algérie. La Découverte (coleção Repères). DOI 10.3917/dec.stora.2004.02. Acessar
- Yacono, X. (1982). "Les pertes algériennes de 1954 à 1962". Revue de l'Occident musulman et de la Méditerranée 34: 119–134. DOI 10.3406/remmm.1982.1963. Acessar
- Thénault, S. (2021). "Négation de la guerre, terrorisme et exception : Abderrahmane Taleb et la Guerre d'indépendance algérienne (1954-1962)". Histoire Politique 45. DOI 10.4000/histoirepolitique.1819. Acessar
- Sacriste, F. (2016). "Le corps, enjeu de la guerre d'indépendance algérienne. La question sanitaire dans les camps de regroupement (1954-1962)". Les Cahiers de Framespa 22. DOI 10.4000/framespa.3975. Acessar
- Elsenhans, H. (2014). "Guerre française en Algérie : croisées des interprétations, réalités contre constructions". Insaniyat 65-66: 125–141. DOI 10.4000/insaniyat.14818. Acessar
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