Atlas da História

Ana Comnena

1 dez. 1083 (Encyclopædia Britannica 1911) – c. 1153 (Wikidata; a fonte lida não dá a morte) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Ana Comnena, filha do imperador bizantino Aleixo I Comneno e de Irene, nasceu em Constantinopla em dezembro de 1083 e escreveu em grego a Alexíada, história do reinado do pai (1081–1118). Ela diz ter assumido a tarefa depois que o marido, o césar Nicéforo Briênio, adoeceu sem concluir a história que começara. A Britannica de 1911 a chama de primeira historiadora mulher.

Nascida no quarto púrpura

Segundo a própria Alexíada, o imperador Aleixo voltou em triunfo à capital, vindo da guerra contra Roberto Guiscard, com os latinos do exército de Briênio que haviam desertado para ele em 1º de dezembro da sétima indicção, e encontrou a esposa em trabalho de parto no quarto reservado, desde longa data, ao parto das imperatrizes, o "quarto púrpura", de onde vem o nome "porfirogênitos". Ao amanhecer de um sábado nasceu uma menina, que, diziam, era igual ao pai: a autora. Ela conta que ouviu da mãe, a imperatriz, que três dias antes ela dissera à criança, fazendo o sinal da cruz sobre o ventre, que esperasse a chegada do pai. A Britannica de 1911 dá a data de 1º de dezembro de 1083. (Comnena; Verbete "Anna Comnena" (não assinado na transcrição lida). Encyclopædia Britannica)

Escrever a história do pai

No Prefácio, Ana se apresenta como filha de dois soberanos, nascida "na púrpura", e diz ter levado o estudo do grego ao máximo, praticado retórica e lido com cuidado Aristóteles e os diálogos de Platão. Conta que seu marido, o césar Nicéforo Briênio, de quem elogia a beleza e a inteligência, quis escrever a história do reinado de Aleixo a pedido da imperatriz e a levou só até Nicéforo Botaniates. Voltou de uma expedição doente, com um tumor interno, e não concluiu. Por isso ela própria assume a tarefa, e o texto passa do Prefácio ao luto pelo marido. (Comnena)

O Orfanato e a morte de Aleixo

No livro XV, Ana descreve o Orfanato fundado por Aleixo em Constantinopla: uma cidade de assistência, onde cegos, paralíticos e pessoas sem membros recebiam cuidadores, com clero próprio, cantores e diaconisas e um convento para freiras ibéricas. Mais adiante narra a doença final do pai. Os médicos divergiram: Calicles Nicolau temia que o reumatismo, ao sair das extremidades e se fixar no ombro, tornasse o mal incurável e defendia purgantes, enquanto Pantecnes Miguel e a maioria os proibiram. Ela diz que preparava o alimento do pai com as próprias mãos. O relato mostra como ela descreve a prática médica da corte. (Comnena)

O que a Britannica de 1911 acrescenta

O verbete da Britannica de 1911 afirma que Ana foi a favorita do pai e teve formação em poesia, ciência e filosofia grega. Segundo ele, casou-se com Nicéforo Briênio, uniu-se à imperatriz Irene numa tentativa de convencer o pai, durante a última doença, a deserdar o filho em favor do genro, e depois conspirou contra o irmão, já imperador. Descoberta a trama, perdeu os bens, mas foi poupada, e se retirou para um convento, onde escreveu a Alexíada. São afirmações de um verbete antigo, que a Alexíada lida não confirma; ficam atribuídas a ele. (Verbete "Anna Comnena" (não assinado na transcrição lida). Encyclopædia Britannica)

Fontes

  1. Comnena, A. (Komnene). The Alexiad. Tradução de Elizabeth A. S. Dawes. Londres: Routledge, Kegan Paul, 1928 (texto digital em Internet Medieval Sourcebook, org. Paul Halsall, Fordham University). Introdução e Prefácio: https://sourcebooks.fordham.edu/basis/AnnaComnena-Alexiad-intro.asp ; texto completo: https://sourcebooks.fordham.edu/basis/AnnaComnena-Alexiad00.asp Acessar
  2. Verbete "Anna Comnena" (não assinado na transcrição lida). Encyclopædia Britannica, 11ª ed., vol. 2, 1910–1911. Wikisource: https://en.wikisource.org/wiki/1911_Encyclop%C3%A6dia_Britannica/Anna_Comnena Acessar

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