Atlas da História

Anselmo de Cantuária, monge de Bec e arcebispo, autor do Monologion e do Proslogion, 1033–1109

1033, perto de Aosta, a 21 abr. 1109 (SEP) · Europa Mediterrânea, Europa Ocidental e do Norte

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo Thomas Williams (SEP, 2023), Anselmo nasceu em 1033 perto de Aosta, entrou na abadia beneditina de Bec, na Normandia, em 1060, e foi seu prior e depois abade, escrevendo ali o Monologion, o Proslogion e quatro diálogos filosóficos. Foi arcebispo de Cantuária de 1093 até morrer, em 21 de abril de 1109, com dois períodos de exílio por conflitos com os reis Guilherme II e Henrique I sobre a jurisdição da Igreja. Seu lema é "a fé em busca de entendimento", e o argumento do Proslogion sobre a existência de Deus, criticado pelo monge Gaunilo, é a obra pela qual é mais citado.

De Aosta a Bec

A SEP diz que Anselmo nasceu em 1033 perto de Aosta, então cidade burgúndia na fronteira com a Lombardia, e que se sabe pouco de sua juventude. Saiu de casa aos 23 anos e, depois de três anos de viagens aparentemente sem rumo pela Borgonha e pela França, chegou em 1059 à Normandia, onde o interessou a abadia beneditina de Bec, cuja escola o prior Lanfranc tornara um centro de estudos, sobretudo de dialética. Entrou como noviço em 1060, sucedeu Lanfranc como prior em 1063, quando este foi para Caen, e foi eleito abade em 1078, com a morte de Herluin, fundador de Bec. (Williams 2023)

Obras escritas em Bec

Em Bec, segundo a SEP, Anselmo escreveu muita filosofia e teologia ao lado do ensino, da administração e de uma correspondência extensa como conselheiro de governantes e nobres por toda a Europa. As obras do período incluem o Monologion (1075–76), o Proslogion (1077–78) e quatro diálogos filosóficos: De grammatico (provavelmente 1059–60, data muito discutida), De veritate, De libertate arbitrii e De casu diaboli (1080–86). O verbete ressalta que o lema do autor, "a fé em busca de entendimento", não quer substituir a fé pela compreensão. (Williams 2023)

Arcebispo, conflitos e exílios

Em 1093 Anselmo foi entronizado arcebispo de Cantuária. Lanfranc morrera quatro anos antes, e o rei Guilherme II deixara a sé vaga para se apropriar das rendas. Segundo a SEP, o reinado de Anselmo foi turbulento porque o rei queria manter a autoridade régia sobre a Igreja; quando ele foi a Roma em 1097 sem licença, o rei não o deixou voltar. Henrique I o convidou de volta em 1100, mas defendia igualmente a jurisdição régia, e Anselmo viveu novo exílio de 1103 a 1107. Escreveu como arcebispo, entre outras obras, o Cur Deus Homo (1095–98) e o De concordia (1107–8), e morreu em 21 de abril de 1109. Foi canonizado em 1494 e declarado doutor da Igreja em 1720. (Williams 2023)

O argumento do Proslogion e Gaunilo

No prefácio do Proslogion, Anselmo diz que procurava um único argumento que bastasse a si mesmo para provar a existência de Deus. Pelo resumo de Williams, Deus é aquilo "do qual nada maior pode ser pensado"; o "tolo" do Salmo 14 entende a definição, de modo que ela existe no entendimento; como existir na realidade é maior, ela tem de existir também na realidade. O monge Gaunilo respondeu com o argumento da ilha mais perfeita. Williams defende que Anselmo não responde à ilha porque rejeitava a interpretação de Gaunilo, e que o argumento não depende do princípio geral de que existir na realidade é maior; ele mesmo lembra que a melhor maneira de enunciar o argumento é objeto de disputa. (Williams 2023)

Fontes

  1. Williams, Thomas (2023). "Anselm of Canterbury". Stanford Encyclopedia of Philosophy, primeira publicação em 18 mai. 2000, revisão substantiva em 16 jul. 2023. https://plato.stanford.edu/entries/anselm/ (baixado em 30/10/2026; seção 1 "Life and Works", subseções 2.1 e 2.3 e a introdução). Acessar

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