Penitência de Canossa (1076-1077): o rei Henrique IV, o papa Gregório VII e as duas versões do encontro
dez. 1076 a jan. 1077 (Wikidata P580 e P582). A carta de Gregório VII sobre o episódio é datada de 28 jan. 1077 (Henderson) ou de c. 28 jan. 1077 (coletânea do Fordham). · Europa Mediterrânea
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Excomungado e deposto por Gregório VII em 1076, o rei alemão Henrique IV atravessou os Alpes no inverno e foi até Canossa, na Itália, onde o papa estava hospedado. Segundo a carta do próprio Gregório, Henrique ficou três dias à porta do castelo, descalço e vestido de lã, até que o papa suspendeu a excomunhão em troca de um juramento. O episódio é lido de formas opostas: como humilhação do rei diante da Igreja ou, segundo a nota da coletânea do Fordham, como triunfo diplomático de Henrique.
De 1075 a Worms
Segundo a nota editorial do Fordham, Gregório VII encontrou forte oposição do clero alemão e do rei ao tentar aplicar suas leis contra a simonia e o casamento dos clérigos. No sínodo de Roma de fevereiro de 1075 excomungou cinco conselheiros próximos de Henrique, que não aceitou a decisão e continuou a prover bispados como queria (Milão, Fermo, Espoleto). Gregório lhe escreveu em dezembro de 1075 (documento 74) e mandou aviso oral: se não mudasse, seria excomungado e deposto. A resposta veio no sínodo nacional de Worms, de janeiro de 1076, que depôs Gregório, e Henrique escreveu a ele com a saudação "Hildebrando, não papa, mas falso monge". (Fordham University)
Excomunhão, Oppenheim e a travessia dos Alpes
Pelo Fordham, Gregório respondeu a Worms excomungando e depondo Henrique (documento 77). Na oração a São Pedro, declara Henrique privado do reino da Germânia e da Itália por ter se rebelado contra a Igreja e tratado com excomungados. A nota diz que partes da Alemanha já estavam em revolta e que, quase abandonado, Henrique concordou em Oppenheim, em outubro de 1076, em submeter-se, afastar os conselheiros excomungados e esperar em Speyer até o papa vir a uma dieta em fevereiro de 1077. O Fordham afirma que Henrique, temendo ser deposto de vez, foi à Itália antes, e chegou a Canossa. (Fordham University)
O que diz a carta de Gregório sobre Canossa
Segundo a carta de Gregório, ele veio à Lombardia cerca de vinte dias antes da data em que um dos chefes alemães iria buscá-lo no desfiladeiro, mas a escolta não pôde vir. Soube então que o rei se aproximava e que enviara legados com promessas de obediência. Depois de muitas idas e vindas, Henrique chegou a Canossa, onde o papa estava. O papa o absolveu a pedido dos presentes, com fiadores cujos nomes a carta lista, e diz ter recebido confirmação do ato das mãos do abade de Cluny, da condessa Matilde e da condessa Adelaide, entre outros. Em seguida o papa diz querer atravessar para a Alemanha para ordenar melhor a paz da Igreja e a concórdia do reino. (Gregório VII 1077)
O juramento de Henrique
O juramento de Henrique, dado em Canossa, diz que, no prazo fixado pelo papa, ele ou faria justiça segundo o julgamento de Gregório ou concluiria a paz seguindo seus conselhos, a menos que houvesse impedimento absoluto para um dos dois. Se o papa quisesse ir além dos montes, ele e sua comitiva estariam seguros de qualquer dano à vida ou ao corpo e de captura. A carta, datada de Canossa em 28 de janeiro de 1077, indica como presentes os bispos Humberto de Palestrina e Gerardo de Óstia, cardeais, o arcebispo de Bremen, os bispos de Vercelli e Osnabrück e o abade de Cluny. (Gregório VII 1077)
Fontes
- Fordham University, Internet Medieval Sourcebook (ed. Paul Halsall), "Pope Gregory VII (c.1015-r.1073-c.1085): Letters on the Conflict with Emperor Henry IV. 1075-1078", https://sourcebooks.web.fordham.edu/source/1075GregoryVIIlettersandconflict1.asp. Traduções de A Source Book of Medieval History, ed. "Frederick Osten" (grafia da página), American Book Company, 1908, documentos 74 a 81. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
- Gregório VII, carta aos príncipes alemães sobre a penitência de Henrique IV em Canossa (1077). Tradução inglesa de Ernest F. Henderson em Select Historical Documents of the Middle Ages, Livro IV, 1892. Wikisource: https://en.wikisource.org/wiki/Select_Historical_Documents_of_the_Middle_Ages/Book_IV. Texto bruto lido em 30/10/2026. Acessar
Na mesma região
- Dictatus papae (1075): as 27 proposições sobre o poder do papa e a dúvida sobre quem as escreveu 1075, ano em que a lista foi incluída no registro do papa Gregório VII (segundo a nota do Fordham). Há quem a date depois de 1087.
- Ana Comnena 1 dez. 1083 (Encyclopædia Britannica 1911) – c. 1153 (Wikidata; a fonte lida não dá a morte)
- Anselmo de Cantuária, monge de Bec e arcebispo, autor do Monologion e do Proslogion, 1033–1109 1033, perto de Aosta, a 21 abr. 1109 (SEP)
- Al-Zarqali (Azarquiel), instrumentista e astrônomo de Córdoba e Toledo, das Tábuas de Toledo e da azafea, c. 1029–1100 c. 1029 (MacTutor: nascido em Córdoba em 1029, data "incerta"; Vernet, no DSB: primeiro quarto do séc. XI) a 15 out. 1100 (Córdoba, segundo MacTutor, BEA e DSB)
- Ibn Rushd (Averróis) 1126 – 1198 (Ben Ahmed e Pasnau, SEP)
- Salomão ibn Gabirol (Avicebron), poeta e filósofo judeu de Málaga, autor da Fons Vitae e da Keter Malkhut, c. 1021–c. 1057 c. 1021 (a SEP: Málaga, 1021/2; Guttman daria 1026) a c. 1057 (a SEP: provavelmente em Valencia, 1057/8; Guttman daria 1050, Sirat 1054–8, José ibn Zaddik 1070)