Atlas da História

Charta Rogeriana (Tabula Rogeriana) de al-Idrisi

1139 – 1154 (Campbell 2020, que cita a coleta de 15 anos da introdução; a obra recebe o título em jan. 1154 segundo Ducène) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

Abrir no mapa e na linha do tempo

Mapa-múndi de cerca de 3,5 m, dividido em 70 seções, concluído por Muhammad al-Idrisi em 1154 em Palermo para Rogério II, rei normando da Sicília, e preservado só nas cópias do tratado Nuzhat al-mushtaq, a mais antiga de c. 1300. Segundo a introdução da obra, a coleta de informações levou 15 anos, e boa parte veio de viajantes entrevistados na corte. Campbell o vê como o mapa de quem olha a terra e não o mar, de pouca circulação em sua época.

Quem fez e para quem

Segundo Campbell, Muhammad al-Idrisi parece ter nascido na Sicília, e não em Ceuta, como se supunha. Era neto exilado do governante de Málaga, no al-Andalus, e parece ter crescido na casa real siciliana. Concluiu a obra em Palermo para Rogério II, rei normando, numa corte onde, diz o autor, se fundiram o pensamento árabe, bizantino (grego) e ocidental (latino). Para Campbell, a extensão das viagens de al-Idrisi foi exagerada pela literatura: Ducène lembra apenas viagens à península Ibérica, ao Marrocos e a Constantina. Sua morte é situada entre 1166 e 1175. (Campbell)

Como o mapa foi feito, segundo a introdução

Segundo a introdução da Nuzhat al-mushtaq, resumida por Ducène e citada por Campbell, a coleta levou 15 anos. Depois, o mapa foi transferido para um disco de prata com países, costas, mares, rios, rotas e distâncias, destruído em 555 H (1161), e artesãos o passaram ao livro, que recebeu título em janeiro de 1154. A placa pesava 134 kg. Campbell vê contradições e propõe que a placa era mais provavelmente retangular, como o mapa. Ele observa também que a informação vinha de textos e de relatos orais, não de outros mapas, e que o traçado traduz fontes dispares, o que explica a qualidade desigual. (Campbell)

O que o mapa mostra

A Charta é dividida em sete zonas climáticas e dez divisões verticais, e distribui 70 seções ao longo de 350 folhas do manuscrito. Segundo Campbell, tem cerca de 2.500 topônimos, a metade dos que aparecem no texto. A Sicília aparece muito ampliada, e a costa da África oriental, que corre para o sul, foi virada para o leste para caber na primeira zona. A Itália é pouco reconhecível, e as costas atlânticas, a Grã-Bretanha e a Ibéria são mais avançadas que na Carta Pisana, o mais antigo portulano conservado (c. 1270). Os nomes se referem a povoados. Para Campbell, o mapa reflete "a landsman's view", isto é, o de quem olha a terra, e teria servido pouco ao navegante. (Campbell)

Circulação e herança

Campbell diz que não houve esforço de divulgação: a obra não foi traduzida para o grego ou o latim, e a cópia mais antiga conservada, em Paris, é de c. 1300, com datação posta em dúvida. Várias cópias trazem menos da metade das seções, e algumas as omitem. As 70 seções nunca teriam sido reunidas num só mapa antes da reconstrução de Konrad Miller, de 1928. Por isso, para ele, é improvável que a Charta tenha influenciado as cartas portulano, que ele data de 1154–1210. O autor chama a Charta de "revolutionary leap forward" apesar do pouco impacto. (Campbell)

Fontes

  1. Campbell, T. "The Charta Rogeriana: a reappraisal of the making of al-Idrīsī's world map of 1154 and its dissemination". Map History / History of Cartography (maphistory.info), 15 set. 2020, com acréscimos até dez. 2024. https://maphistory.info/ChartaRogeriana.html Acessar

Na mesma região