Atlas da História

Ibn Rushd (Averróis)

1126 – 1198 (Ben Ahmed e Pasnau, SEP) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Ibn Rushd (Averróis, 1126–1198) nasceu em Córdova, numa família de juízes e juristas, e foi filósofo, juiz e médico no al-Andalus e em Marrakech, sob os almôadas. Escreveu comentários a quase todo o corpus de Aristóteles e a Galeno, além de obras de direito e de medicina, como o al-Kulliyyat fi al-tibb. Segundo Ben Ahmed e Pasnau, a erudição moderna se concentrou na recepção dele na Europa cristã e deixou de ver suas realizações próprias.

Família, formação e os almôadas

Segundo o SEP, Ibn Rushd nasceu em Córdova em 1126, numa família de peso judicial e de saber nas ciências religiosas. O pai era juiz proeminente, e o avô, de mesmo nome, foi juiz e jurista da escola malequita. Ele não deixou autobiografia, e boa parte da vida é obscura. Tinha 22 anos quando os almôadas chegaram ao poder no Magreb ocidental e no al-Andalus. Há registro de um encontro com Abu Yaqub Yusuf (r. 1163–1184), que lhe pediu comentários a Aristóteles; depois foi médico-chefe do califa em Marrakech. Por razões que seguem incertas, caiu em desgraça no fim da carreira e foi exilado em Lucena. Segundo um relato, morreu confinado em Marrakech em 1198. (Ben Ahmed)

Medicina e as Kulliyyat

O SEP diz que a medicina ocupa lugar importante na obra, embora Ibn Rushd afirme que não a praticou muito. Ele escreveu um comentário ao Poema médico de Ibn Sina, as al-Kulliyyat (Princípios gerais da medicina) e textos sobre Galeno. As Kulliyyat foram revistas várias vezes, e as revisões ficam cada vez mais críticas a Galeno. Para ele, a medicina é uma arte, voltada à prática, cujo fim é agir de modo adequado e não curar sempre. Os autores lembram que o título trata dos universais da medicina, e que o livro é escrito contra a tradição dos manuais e em defesa da medicina "silogística" frente à experiencial. O Colliget latino traduz uma versão bastante revista do texto. (Ben Ahmed)

A recepção em árabe e em hebraico

Segundo o SEP, a filosofia de Ibn Rushd teve uma "segunda casa" no judaísmo. Maimônides adquiriu seus comentários, talvez por volta de 1190, e o elogio dele iniciou quatro séculos de interesse entre filósofos judeus. Houve traduções do árabe para o hebraico a partir de 1230, e por volta de 1340 quase todos os comentários existiam em hebraico. Entre os muçulmanos, os autores citam seguidores na Andaluzia e no Marrocos, cópias na Turquia, no Egito e na Índia, e manuscritos que chegaram ao Irã no século XVI. Eles criticam a ideia de que a filosofia dele "morreu" entre os leitores islâmicos. (Ben Ahmed)

Fontes

  1. Ben Ahmed, F.; Pasnau, R. "Ibn Rushd [Averroes]". Stanford Encyclopedia of Philosophy, publicado em 23 jun. 2021, revisão substantiva de 20 ago. 2025. https://plato.stanford.edu/entries/ibn-rushd/ Acessar

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