Atlas da História

Salomão ibn Gabirol (Avicebron), poeta e filósofo judeu de Málaga, autor da Fons Vitae e da Keter Malkhut, c. 1021–c. 1057

c. 1021 (a SEP: Málaga, 1021/2; Guttman daria 1026) a c. 1057 (a SEP: provavelmente em Valencia, 1057/8; Guttman daria 1050, Sirat 1054–8, José ibn Zaddik 1070) · Europa Mediterrânea

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Segundo Sarah Pessin (SEP, 2010), Salomão ibn Gabirol nasceu em Málaga em 1021/2 e morreu, muito provavelmente em Valencia, em 1057/8. Foi autor de vasto conjunto de poemas em hebraico, entre eles a Keter Malkhut, e do tratado filosófico Fons Vitae, escrito em árabe e conhecido sobretudo pela tradução latina do séc. XII. Durante séculos os escolásticos cristãos leram o tratado sob o nome Avicebron, sem saber que o autor era judeu.

Vida, órfão e poeta de pouco apoio

Pela SEP, Ibn Gabirol nasceu em Málaga em 1021/2 e morreu muito provavelmente em Valencia em 1057/8; outros estudiosos propõem datas de morte entre 1050 e 1070. Nos poemas autobiográficos ele aparece órfão, doente e com uma afecção de pele desfigurante. Esteve ligado a um círculo de intelectuais judeus em Saragoça e teve por pouco tempo um protetor judeu respeitado, mais tarde assassinado, mas a SEP descreve uma relação tensa com a comunidade e dificuldade para achar apoio. A autora liga a fama de misantropo, em parte, a um erro de tradução de uma crítica de Ibn Daud. (Pessin 2010)

A Fons Vitae e sua transmissão

A obra filosófica mais extensa é a Fons Vitae (Fonte da Vida), escrita em árabe no séc. XI como diálogo entre mestre e discípulo. O original árabe se perdeu, com fragmentos citados por outros autores judeus. A SEP diz que o texto principal é a tradução latina do séc. XII, da equipe de Domingos Gundisalvo e João de Espanha, tida como completa e fiel ao formato de diálogo, e que no séc. XIII Shem Tov ibn Falaquera fez um resumo em hebraico. Ibn Gabirol escreveu ainda, em árabe, um tratado sobre o aprimoramento das qualidades morais. (Pessin 2010)

O poeta e a Keter Malkhut

Além da filosofia, Ibn Gabirol deixou uma obra extensa de poemas em hebraico, divididos em religiosos e seculares. O mais conhecido é a Keter Malkhut, vertida de formas diversas como Coroa do Reino ou Coroa Real, um longo poema devocional sobre o esplendor divino e a presença de Deus nas esferas do cosmos. A SEP informa que o poema consta de muitos livros de oração judaicos para a recitação no Yom Kippur. A autora vê na maneira como o poeta compara a criação divina pela Palavra ao ato de escrever uma abertura filosófica sobre linguagem e identidade. (Pessin 2010)

Recepção cristã e redescoberta

Segundo a SEP, a Fons Vitae deixou sua marca mais forte entre os cristãos medievais. Circulando sob o nome latinizado Avicebron, foi lida por séculos por estudiosos que tomavam o autor por muçulmano ou por cristão. Muitos franciscanos a viram como expressão de ideias agostinianas, e ela se tornou ponto de apoio em debates com os dominicanos, mais aristotélicos, como Tomás de Aquino. Só em meados do séc. XIX Salomon Munk recuperou o resumo hebraico de Falaquera, que atribuía o texto a Ibn Gabirol, e mostrou que o autor era o poeta judeu do séc. XI. (Pessin 2010)

Fontes

  1. Pessin, Sarah (2010). "Solomon Ibn Gabirol [Avicebron]". Stanford Encyclopedia of Philosophy, primeira publicação em 23 set. 2010. https://plato.stanford.edu/entries/ibn-gabirol/ (baixado em 30/10/2026; seção 1 "Bio, Works, Sources and Influences", seção 7 "The Poet" e a introdução). Acessar

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