Apiário de Tel Rehov: as colmeias de barro mais antigas achadas no lugar, no vale do Jordão (séc. X a início do IX a.C.)
séc. X a início do séc. IX a.C.; destruição do conjunto datada por radiocarbono em 970-840 a.C. (2σ, calibrada), segundo Bloch et al. 2010 · Mesopotâmia e Levante
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em Tel Rehov, no vale médio do Jordão, uma escavação achou cerca de 30 colmeias de barro cru em três fileiras num pátio, parte de um apiário estimado em 100 a 200 colmeias. Bloch et al. (2010) identificaram nelas restos de operárias, zangões, pupas e larvas e as chamam de as colmeias mais antigas achadas no lugar onde foram usadas. As medidas das abelhas lembram a subespécie da Anatólia, e não a síria local, o que os autores explicam por mudança de distribuição ou por importação.
As colmeias e o pátio
Segundo Bloch et al., o sítio de Tel Rehov, no vale médio do Jordão, foi uma cidade de cerca de 10 hectares entre os séc. XII e IX a.C. O apiário tinha em torno de 30 colmeias, de uma estimativa de 100 a 200, feitas como cilindros de barro cru com um pequeno furo de entrada para as abelhas de um lado e uma tampa do outro, para o apicultor alcançar os favos. Três fileiras ficavam num pátio de um grande conjunto arquitetônico gravemente destruído, provavelmente no fim do séc. X ou começo do IX a.C. Os autores acham estranho haver abelhas no meio de uma área urbana densa e supõem que a localização protegia colmeias valiosas. (Bloch)
Como se identificaram as abelhas
Duas colmeias tinham favos carbonizados com restos de abelhas em material escuro e sólido, provavelmente de açúcares e outras substâncias. Foram reconhecidas operárias pela anatomia da cabeça, olhos, pernas e ferrão, zangões pelos olhos compostos maiores e peças bucais, além de larvas e pupas. Com medidas de asa e de fêmur, comparadas com subespécies atuais de Apis mellifera, a abelha de Tel Rehov ficou mais próxima de A. m. anatoliaca, da Turquia, e diferente da local A. m. syriaca, mais defensiva e pouco adequada a ficar junto de casas. (Bloch)
A datação
Três datas de radiocarbono de grãos de uma jarra de armazenamento quebrada, a leste das colmeias, deram média de 2735 ± 25 AP; calibradas, ficam em 923-826 a.C. a 95,4% de probabilidade (2σ). Somadas a oito medidas de estudo anterior, de grãos da camada de destruição a oeste, a média de 2767 ± 6 AP calibra em 970-840 a.C. (2σ), com maior probabilidade em 924-896 a.C. (1σ). Para os autores, a data cai entre o fim da monarquia unida e a fundação da dinastia de Omri em Israel; neste registro isso é leitura deles, e a data é a do radiocarbono. (Bloch)
Fontes
- Bloch, G.; Francoy, T. M.; Wachtel, I.; Panitz-Cohen, N.; Fuchs, S.; Mazar, A. "Industrial apiculture in the Jordan valley during Biblical times with Anatolian honeybees". Proceedings of the National Academy of Sciences 107(25): 11240-11244, 7 jun. 2010. DOI 10.1073/pnas.1003265107 (conferido em doi.org). Texto lido: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2895135/ Acessar
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