Atlas da História

Ardipithecus ramidus

c. 4,4 milhões de anos atrás (White, Suwa e Asfaw 1994; White et al. 2009) · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Hominíneo de cerca de 4,4 milhões de anos achado em Aramis, no Médio Awash, na Etiópia, com mais de 110 espécimes e um esqueleto parcial. Os autores da análise de 2009 o tratam como hominíneo anterior a Australopithecus (em 1994 o haviam descrito como espécie desse gênero e possível espécie-raiz dos Hominidae); outros questionam sua posição ou o que sua mão diz sobre o ancestral comum com os chimpanzés.

Os achados de Aramis

White, Suwa e Asfaw (1994) descreveram 17 fósseis de Aramis, no Médio Awash, com cerca de 4,4 milhões de anos, e os atribuíram a uma nova espécie, na época chamada Australopithecus ramidus. Em 2009, White et al. apresentaram uma análise do material ampliado: mais de 110 espécimes dos mesmos sedimentos, incluindo um esqueleto parcial com grande parte do crânio, das mãos, dos pés, dos membros e da pelve. Para os autores, o hábitat era dominado por mata e a dieta, baseada em plantas C3. Entre os autores há pesquisadores ligados ao governo da Etiópia (B. Asfaw em 1994, Y. Beyene em 2009), segundo o OpenAlex. (White et al. 1994; White et al. 2009)

Como se movia

Segundo White et al. (2009), a espécie combinava escalada com as palmas das mãos apoiadas e escalada cuidadosa em árvores com um bipedalismo terrestre menos derivado que o de Australopithecus. O esqueleto não mostra os traços típicos de suspensão, escalada vertical ou apoio nos nós dos dedos. Prang et al. (2021) lembram que o pé conserva um hálux oponível, o que indica a importância de subir em árvores, e que Au. afarensis, mais recente, já mostra um bipedalismo mais obrigatório. (White et al. 2009; Prang et al. 2021)

A mão e o ancestral comum

Prang et al. (2021) testam se os hominíneos descendem de um ancestral que não usava suspensão. Com medidas de uma grande amostra de primatas atuais e fósseis e métodos que levam em conta a filogenia, concluem que a mão de Ardipithecus (ARA-VP-6/500) tem afinidades com chimpanzés e bonobos, que partilhava com eles um mesmo regime seletivo e que há uma mudança evolutiva entre Ardipithecus e os hominíneos posteriores. Isso contraria a leitura de White et al. (2009) de que o ancestral comum diferia muito de qualquer grande símio africano atual. (Prang et al. 2021; White et al. 2009)

Hominíneo ou ancestral anterior à divisão?

O comentário de Sarmiento (2010) à análise de 2009 sustenta que os caracteres derivados compartilhados oferecem evidência insuficiente de uma relação ancestral-descendente e de exclusividade na linhagem humana. Estudos moleculares e anatômicos, na sua leitura, sugerem que Ardipithecus ramidus é anterior à divisão entre humanos e grandes símios africanos. A descrição original de 1994 propunha o contrário: uma possível espécie-raiz da família Hominidae. O debate gira em torno de quais traços são realmente derivados e do que o ancestral comum era. (Sarmiento 2010; White et al. 1994)

Fontes

  1. White, T. D.; Suwa, G.; Asfaw, B. (1994). "Australopithecus ramidus, a new species of early hominid from Aramis, Ethiopia". Nature 371: 306–312. DOI 10.1038/371306a0. Acessar
  2. White, T. D.; Asfaw, B.; Beyene, Y.; Haile-Selassie, Y. et al. (2009). "Ardipithecus ramidus and the Paleobiology of Early Hominids". Science 326(5949): 64–86. DOI 10.1126/science.1175802. Acessar
  3. Sarmiento, E. E. (2010). "Comment on the Paleobiology and Classification of Ardipithecus ramidus". Science 328(5982): 1105. DOI 10.1126/science.1184148. Acessar
  4. Prang, T. C.; Ramirez, K.; Grabowski, M.; Williams, S. A. (2021). "Ardipithecus hand provides evidence that humans and chimpanzees evolved from an ancestor with suspensory adaptations". Science Advances 7(9). DOI 10.1126/sciadv.abf2474. Acessar

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