Atlas da História

Kenyanthropus platyops

c. 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás (Leakey et al. 2001; Hanegraef et al. 2024) · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Hominíneo do Plioceno médio conhecido sobretudo por um crânio deformado de cerca de 3,5 milhões de anos, achado a oeste do Lago Turkana, no Quênia. Seus descritores veem um gênero e uma espécie à parte; outros atribuem as diferenças à deformação ou a amostras pequenas.

O crânio KNM-WT 40000

Leakey, Spoor e colegas (2001) descreveram fósseis achados a oeste do Lago Turkana, no Quênia, que diferiam bastante dos de Au. afarensis, contemporâneo. Um crânio de 3,5 milhões de anos, com uma combinação de traços faciais derivados e de neurocrânio ancestral, foi atribuído a um gênero novo. Os autores viram nele um indício de que a diversidade taxonômica dos hominíneos se estende ao Plioceno médio e de uma radiação adaptativa ligada à dieta. O material foi encontrado na região de Lomekwi, e vários autores do artigo eram dos Museus Nacionais do Quênia. (Leakey et al. 2001; Spoor et al. 2010)

A distorção do holótipo

A má preservação do crânio levou à crítica de que as diferenças com Au. afarensis seriam efeito da deformação, relata Hanegraef et al. (2024). Spoor et al. (2010) responderam com tomografia computadorizada e preparação detalhada da maxila, para corrigir as marcas deixadas após a morte, e compararam o fóssil com uma amostra bem maior de hominíneos africanos e de humanos, chimpanzés e gorilas atuais. Concluíram que a maxila de KNM-WT 40000 cai fora da variação de Australopithecus e Paranthropus, com região subnasal plana e pouco projetada, processos zigomáticos adiantados e molares pequenos. (Hanegraef et al. 2024; Spoor et al. 2010)

Ao lado de Au. deyiremeda e Au. afarensis

Spoor et al. (2016) compararam a maxila de KNM-WT 40000 com a de BRT-VP-3/1, holótipo de Au. deyiremeda, e com a de Au. afarensis. As duas peças diferem de Au. afarensis, mas de modos distintos, e KNM-WT 40000 difere mais; os autores leem isso como apoio à presença de três espécies contemporâneas no Plioceno médio. Hanegraef et al. (2024) refazem a análise com micro-tomografia de maxilas de Au. afarensis de Hadar e uma amostra maior, e concluem que os resultados sustentam o status de espécie de ambos os táxons. (Spoor et al. 2016; Hanegraef et al. 2024)

O que a amostra ainda não resolve

Haile-Selassie et al. (2016) apontam que a validade de Kenyanthropus foi posta em dúvida logo após a publicação. Para eles, as comparações entre os táxons de 3,8 a 3,3 milhões de anos esbarram em amostras minúsculas, com pouca ou nenhuma sobreposição anatômica. Nenhuma das espécies novas mostra o conjunto de traços derivados de Paranthropus ou de Homo. Como as espécies são conhecidas por poucos elementos anatômicos, as propostas sobre seu parentesco se apoiam em poucos caracteres, e o lugar de Kenyanthropus na árvore segue em aberto. (Haile-Selassie et al. 2016; Spoor et al. 2016)

Fontes

  1. Leakey, M. G.; Spoor, F.; Brown, F. H.; Gathogo, P. N. et al. (2001). "New hominin genus from eastern Africa shows diverse middle Pliocene lineages". Nature 410: 433–440. DOI 10.1038/35068500. Acessar
  2. Spoor, F.; Leakey, M. G.; Leakey, L. N. (2010). "Hominin diversity in the Middle Pliocene of eastern Africa: the maxilla of KNM-WT 40000". Philosophical Transactions of the Royal Society B 365(1556): 3377–3388. DOI 10.1098/rstb.2010.0042. Acessar
  3. Spoor, F.; Leakey, M. G.; O'Higgins, P. (2016). "Middle Pliocene hominin diversity: Australopithecus deyiremeda and Kenyanthropus platyops". Philosophical Transactions of the Royal Society B 371(1698): 20150231. DOI 10.1098/rstb.2015.0231. Acessar
  4. Hanegraef, H.; Leakey, M. G.; Leakey, L. N.; Spoor, F. (2024). "Mid-Pliocene hominin diversity revisited". Comptes Rendus Palevol 23(29). DOI 10.5852/cr-palevol2024v23a29. Acessar
  5. Haile-Selassie, Y.; Melillo, S. M.; Su, D. F. (2016). "The Pliocene hominin diversity conundrum: Do more fossils mean less clarity?". Proceedings of the National Academy of Sciences 113(23): 6364–6371. DOI 10.1073/pnas.1521266113. Acessar

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