Laetoli: as pegadas de hominíneos de 3,66 milhões de anos
c. 3,66 milhões de anos atrás (Masao et al. 2016; McNutt et al. 2021) · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Sítio no norte da Tanzânia, dentro da Área de Conservação de Ngorongoro, com trilhas de pegadas bípedes impressas em cinza vulcânica há cerca de 3,66 milhões de anos. Os trechos G, S e A mostram hominíneos de tamanhos diferentes; a atribuição ao Australopithecus afarensis é a mais citada, mas há quem veja dois táxons.
Pegadas na cinza: como o sítio foi achado
As trilhas estão na chamada Footprint Tuff, camada de cinza vulcânica que corresponde à parte inferior do Tuff 7 das Camadas Laetolil Superiores. Em 1976, Peter Jones e Philip Leakey encontraram cinco pegadas consecutivas no trecho A; em 1978 foram achadas as trilhas do trecho G, atribuídas a três indivíduos de tamanhos diferentes (G1, G2 e G3). Os dois trechos estão na área em que, segundo os textos, há 18 localidades com pegadas de mamíferos, aves e insetos, de um total de 33 localidades paleontológicas. A idade de 3,66 milhões de anos aparece nos dois artigos como a datação do conjunto. (Masao et al. 2016; McNutt et al. 2021)
O trecho S e a equipe tanzaniana
O trecho S foi encontrado em 2015, a cerca de 150 m ao sul do trecho G, durante uma avaliação de impacto sobre o patrimônio cultural feita para um museu de campo proposto na área. Quatorze pegadas de hominíneos apareceram em três sondagens, ao lado de pegadas de outros vertebrados, e foram atribuídas a dois indivíduos, S1 e S2, que andavam na mesma direção dos três do trecho G. As estimativas de estatura de S1 superam as já feitas para o A. afarensis com base em esqueletos e pegadas. O primeiro autor, Fidelis Masao, e Elgidius Ichumbaki são da Universidade de Dar es Salaam. (Masao et al. 2016)
O trecho A: pegadas de urso ou de hominíneo?
Mary Leakey sugeriu de forma tentativa que a trilha do trecho A, de 1976, era de um hominíneo, mas a semelhança com pegadas de ursos a marginalizou, e o local caiu no esquecimento. Em 2019 a equipe de McNutt o reencontrou, escavou e registrou com fotogrametria 3D e varredura a laser, e comparou as marcas com as de ursos-negros americanos, chimpanzés e humanos. Concluiu que elas se parecem mais com as de hominíneos, com passo estreito de um bípede pequeno que cruzava os pés. Os guardiões do patrimônio da Autoridade da Área de Conservação de Ngorongoro, como Said Kallindo e Josephat Gurtu, estão entre os autores. (McNutt et al. 2021)
Uma espécie ou duas? Duas leituras
Para Masao e colegas, a variação de estatura entre S1 e os indivíduos do trecho G é compatível com grande variação de tamanho e, provavelmente, de dimorfismo sexual numa só espécie bípede há 3,66 milhões de anos. McNutt e colegas veem no trecho A proporções de pé, marcha e morfologia 3D distintas das do trecho G e concluem que ao menos dois táxons com pés e marchas diferentes coexistiam em Laetoli. Kimbel e Delezene lembram que os fósseis de Laetoli e de Hadar foram atribuídos à espécie A. afarensis em 1978; o holótipo da espécie vem de Laetoli, segundo Masao et al. (2016). Essas leituras convivem na literatura. (Masao et al. 2016; McNutt et al. 2021; Kimbel e Delezene 2009)
Fontes
- McNutt, E. J.; Hatala, K. G.; Miller, C.; Adams, J. et al. (2021). "Footprint evidence of early hominin locomotor diversity at Laetoli, Tanzania". Nature 600: 468–471. DOI 10.1038/s41586-021-04187-7. Acessar
- Masao, F. T.; Ichumbaki, E. B.; Cherin, M.; Barili, A. et al. (2016). "New footprints from Laetoli (Tanzania) provide evidence for marked body size variation in early hominins". eLife 5: e19568. DOI 10.7554/eLife.19568. Acessar
- Kimbel, W. H.; Delezene, L. K. (2009). "'Lucy' redux: a review of research on Australopithecus afarensis". American Journal of Physical Anthropology 140 (Suppl. 49): 2–48. DOI 10.1002/ajpa.21183. Acessar
- UNESCO World Heritage Centre, "Ngorongoro Conservation Area", lista nº 39. https://whc.unesco.org/en/list/39/ (dados abertos data.unesco.org, consultados em 07/10/2026) Acessar
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- Australopithecus afarensis c. 3,7 a 2,9 milhões de anos atrás (intervalo citado por Haile-Selassie et al. 2016)
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