Atlas da História

Australopithecus afarensis

c. 3,7 a 2,9 milhões de anos atrás (intervalo citado por Haile-Selassie et al. 2016) · África Oriental

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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Australopiteco do Plioceno, conhecido de Laetoli, na Tanzânia, e de Hadar, Dikika e Woranso-Mille, na Etiópia, entre cerca de 3,7 e 2,9 milhões de anos. É a espécie de 'Lucy' e das pegadas de Laetoli e foi, por décadas, a referência para o estudo dos hominíneos do Plioceno.

Hadar e Laetoli

Kimbel e Delezene (2009) lembram que, nos anos 1970, fósseis do Plioceno médio foram achados em Hadar, na Etiópia, e em Laetoli, na Tanzânia, a primeira evidência substancial de hominíneos com mais de 3 milhões de anos. Entre os achados estão o esqueleto parcial de 'Lucy', a abundante coleção da localidade A.L. 333 e a trilha de pegadas de Laetoli. O material foi reunido na espécie nova Au. afarensis, que na época tinha idade geológica maior que qualquer outro hominíneo conhecido. Segundo Masao et al. (2016), o holótipo veio de Laetoli. (Kimbel e Delezene 2009; Masao et al. 2016)

Pegadas e tamanhos de corpo

As pegadas do Sítio G de Laetoli, achadas em 1978, têm 3,66 milhões de anos e são atribuídas a Au. afarensis. Masao et al. (2016), da Universidade de Dar es Salaam e de instituições italianas, registraram pegadas no Sítio S, de dois indivíduos bípedes, e estimaram suas massas corporais. Os autores concluem que os indivíduos de Laetoli variavam em tamanho ainda mais que a amostra de Hadar A.L. 333 (3,2 milhões de anos, com massas de 24,5 a 63,6 kg), mostrando uma variação marcada de tamanho dentro de uma mesma população. (Masao et al. 2016)

Um esqueleto grande de 3,58 milhões de anos

Até 2010, só um esqueleto parcial reunia membro superior e inferior de Au. afarensis: Lucy, de porte pequeno. Haile-Selassie et al. (2010) descreveram em Woranso-Mille um esqueleto de indivíduo grande, dentro da faixa de Homo atuais, datado de 3,60 a 3,58 milhões de anos, cerca de 0,4 milhão de anos mais velho que Lucy e contemporâneo do material de Laetoli, incluindo o holótipo. Para os autores, ele mostra proporções dos membros, forma do tórax e herança locomotora e indica que o bipedalismo já era bem desenvolvido, com um tórax diferente do dos grandes símios africanos atuais. (Haile-Selassie et al. 2010)

A criança de Dikika e a vida nas árvores

Alemseged et al. (2006) descreveram em Dikika, na Etiópia, o esqueleto parcial de uma criança de cerca de 3 anos, presumivelmente fêmea, com 3,3 milhões de anos. O crânio já mostra a maior parte dos traços diagnósticos da espécie. O pé e o membro inferior indicam bipedalismo, mas a escápula, parecida com a do gorila, e os dedos longos e curvos da mão levantam dúvidas sobre o papel da vida nas árvores. (Alemseged et al. 2006)

Fontes

  1. Kimbel, W. H.; Delezene, L. K. (2009). "'Lucy' redux: A review of research on Australopithecus afarensis". American Journal of Physical Anthropology 140(S49): 2–48. DOI 10.1002/ajpa.21183. Acessar
  2. Haile-Selassie, Y.; Latimer, B. M.; Alene, M.; Deino, A. L. et al. (2010). "An early Australopithecus afarensis postcranium from Woranso-Mille, Ethiopia". Proceedings of the National Academy of Sciences 107(27): 12121–12126. DOI 10.1073/pnas.1004527107. Acessar
  3. Alemseged, Z.; Spoor, F.; Kimbel, W. H.; Bobe, R. et al. (2006). "A juvenile early hominin skeleton from Dikika, Ethiopia". Nature 443: 296–301. DOI 10.1038/nature05047. Acessar
  4. Masao, F. T.; Ichumbaki, E. B.; Cherin, M.; Barili, A. et al. (2016). "New footprints from Laetoli (Tanzania) provide evidence for marked body size variation in early hominins". eLife 5: e19568. DOI 10.7554/elife.19568. Acessar
  5. Haile-Selassie, Y.; Melillo, S. M.; Su, D. F. (2016). "The Pliocene hominin diversity conundrum: Do more fossils mean less clarity?". Proceedings of the National Academy of Sciences 113(23): 6364–6371. DOI 10.1073/pnas.1521266113. Acessar

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