Australopithecus anamensis
c. 4,2 a 3,8 milhões de anos atrás (Leakey et al. 1995; Saylor et al. 2019) · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
Abrir no mapa e na linha do tempo
Australopiteco do início do Plioceno, conhecido por fósseis de Kanapoi e Allia Bay, no Quênia, e de Woranso-Mille, na Etiópia, com cerca de 4,2 a 3,8 milhões de anos. O debate é sobre sua relação com Au. afarensis: uma linhagem única ao longo do tempo ou duas espécies que coexistiram.
Kanapoi e Allia Bay
Em 1995, Leakey, Feibel, McDougall e Walker descreveram como espécie nova nove espécimes de dentes, crânio e esqueleto de Kanapoi e doze de Allia Bay, no Quênia, datados entre cerca de 3,9 e 4,2 milhões de anos. O mosaico de traços ancestrais e derivados levou os autores a ver a espécie como possível ancestral de Au. afarensis e a tratar Ardipithecus ramidus como espécie irmã dela e de todos os hominíneos posteriores. Entre os autores está Meave Leakey, dos Museus Nacionais do Quênia, segundo o OpenAlex. (Leakey et al. 1995)
O que os ossos mostram
Ward, Leakey e Walker (2001) listaram todos os fósseis atribuídos a Au. anamensis e descreveram os ainda não detalhados. O holótipo é uma mandíbula de Kanapoi, onde também foram achados quase todos os parátipos; o material de Allia Bay é mais escasso e foi mantido na espécie por ora. A espécie lembra Au. afarensis, mas tem mandíbulas mais estreitas e paralelas e um complexo canino-pré-molar um pouco mais próximo do dos grandes símios, embora menos que em Ardipithecus. Pelo pouco que se conhece do esqueleto, era bípede habitual, com membros superiores que conservavam traços ancestrais; uma tíbia já indicava bipedalismo meio milhão de anos antes da evidência anterior. (Ward et al. 2001; Leakey et al. 1995)
O crânio de 3,8 milhões de anos
Haile-Selassie et al. (2019) descreveram um crânio quase completo de Woranso-Mille, na Etiópia, e o atribuíram a Au. anamensis por traços do canino, da maxila e do osso temporal. Saylor et al. (2019) datam o nível entre 3,804 e 3,777 milhões de anos, numa sequência de delta de um lago antigo, com vegetação de arbustos secos e proporções variáveis de pastagem e floresta ribeirinha. Até então a espécie era conhecida sobretudo por mandíbulas e dentes, e o crânio oferece pela primeira vez uma visão da face dos mais antigos membros de Australopithecus, segundo os autores. (Haile-Selassie et al. 2019; Saylor et al. 2019)
Anagênese ou espécies que coexistiram
Kimbel et al. (2006) testaram se Au. anamensis foi ancestral de Au. afarensis comparando quatro amostras sucessivas no tempo (Kanapoi, Allia Bay, Laetoli e Hadar) em 20 caracteres de dentes e mandíbulas. A reconstrução mais parcimoniosa indicou que cada amostra compartilha traços derivados só com as mais jovens, o que sustenta uma única linhagem em evolução gradual. Haile-Selassie et al. (2019) respondem que o crânio de 3,8 milhões de anos mostra diferenças maiores entre as espécies e que elas coexistiram por pelo menos 100 mil anos, em contradição com a hipótese de anagênese. (Kimbel et al. 2006; Haile-Selassie et al. 2019)
Fontes
- Leakey, M. G.; Feibel, C. S.; McDougall, I.; Walker, A. (1995). "New four-million-year-old hominid species from Kanapoi and Allia Bay, Kenya". Nature 376: 565–571. DOI 10.1038/376565a0. Acessar
- Ward, C. V.; Leakey, M. G.; Walker, A. (2001). "Morphology of Australopithecus anamensis from Kanapoi and Allia Bay, Kenya". Journal of Human Evolution 41(4): 255–368. DOI 10.1006/jhev.2001.0507. Acessar
- Kimbel, W. H.; Lockwood, C.; Ward, C.; Leakey, M. et al. (2006). "Was Australopithecus anamensis ancestral to A. afarensis? A case of anagenesis in the hominin fossil record". Journal of Human Evolution 51(2): 134–152. DOI 10.1016/j.jhevol.2006.02.003. Acessar
- Haile-Selassie, Y.; Melillo, S. M.; Vazzana, A.; Benazzi, S. et al. (2019). "A 3.8-million-year-old hominin cranium from Woranso-Mille, Ethiopia". Nature 573: 214–219. DOI 10.1038/s41586-019-1513-8. Acessar
- Saylor, B. Z.; Gibert, L.; Deino, A.; Alene, M. et al. (2019). "Age and context of mid-Pliocene hominin cranium from Woranso-Mille, Ethiopia". Nature 573: 220–224. DOI 10.1038/s41586-019-1514-7. Acessar
Na mesma região
- Ardipithecus ramidus c. 4,4 milhões de anos atrás (White, Suwa e Asfaw 1994; White et al. 2009)
- Australopithecus afarensis c. 3,7 a 2,9 milhões de anos atrás (intervalo citado por Haile-Selassie et al. 2016)
- Laetoli: as pegadas de hominíneos de 3,66 milhões de anos c. 3,66 milhões de anos atrás (Masao et al. 2016; McNutt et al. 2021)
- Australopithecus deyiremeda c. 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás (Haile-Selassie et al. 2015, 2025)
- Kenyanthropus platyops c. 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás (Leakey et al. 2001; Hanegraef et al. 2024)
- Lomekwiense: as ferramentas de pedra de Lomekwi 3 c. 3,3 milhões de anos atrás (Lomekwi 3, único sítio conhecido: Harmand et al. 2015)