Australopithecus deyiremeda
c. 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás (Haile-Selassie et al. 2015, 2025) · África Oriental
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Australopiteco do Plioceno médio, descrito em 2015 a partir de maxilas e dentes de Woranso-Mille, na região de Afar, na Etiópia, com 3,5 a 3,3 milhões de anos. Teria vivido ao lado de Au. afarensis; a validade da espécie é discutida por parte dos especialistas.
A descrição de 2015
Haile-Selassie e colegas (2015) reconheceram uma nova espécie, Au. deyiremeda, em depósitos de 3,3 a 3,5 milhões de anos em Woranso-Mille, no Afar central, na Etiópia. Segundo os autores, ela mostra que ao menos duas espécies contemporâneas de hominíneos viviam na região do Afar nesse intervalo e confirma a diversidade taxonômica de hominíneos no leste da África no Plioceno médio. A morfologia dos dentes e das mandíbulas também reforça dúvidas sobre homoplasia nessa região do esqueleto e mostra que alguns traços associados a Paranthropus e a Homo apareceram antes do que se supunha. (Haile-Selassie et al. 2015)
O holótipo e a forma da maxila
O holótipo é a maxila esquerda BRT-VP-3/1, que, segundo Spoor et al. (2016), difere de Au. afarensis por um processo zigomático adiantado e por aspectos da dentição, como o tamanho e a forma das coroas e o número de raízes dos pré-molares. Com cinco pontos de referência na maxila e análises de forma, os autores mostram que tanto o holótipo de deyiremeda quanto o de Kenyanthropus diferem de Au. afarensis de modo estatisticamente significativo, mas de maneiras distintas, e que o de Kenyanthropus difere mais. Concluem que isso é consistente com três espécies contemporâneas no Plioceno médio. (Spoor et al. 2016)
Dentes, pé e dieta em 2025
Haile-Selassie et al. (2025) descrevem material dentário e mandibular novo, de 3,47 a 3,33 milhões de anos, nos locais de Burtele, e o atribuem à espécie. Também acham razoável atribuir a ela o pé parcial BRT-VP-2/73, por não haver outra espécie de hominíneo no local. Pré-molares e caninos conservavam traços mais ancestrais que os de Au. afarensis, e os valores de carbono-13 do esmalte, baixos e pouco variáveis, lembram os de Ardipithecus ramidus e de Au. anamensis e indicam alimentos C3. A permanência de traços de preensão no pé indica que subir em árvores ainda era parte importante do comportamento. (Haile-Selassie et al. 2025)
Quantas espécies no Plioceno médio?
Haile-Selassie et al. (2025) escrevem que o pé de Burtele é a evidência mais forte de uma espécie diferente de Au. afarensis no Plioceno médio, mas que a validade das demais espécies foi questionada por distinção insuficiente, amostras pequenas ou má preservação. Haile-Selassie et al. (2016), em revisão sobre o tema, afirmam que a evidência de mais de duas espécies contemporâneas é bem mais fraca do que a de mais de uma. O número de espécies do Plioceno médio, portanto, segue em debate. (Haile-Selassie et al. 2025; Haile-Selassie et al. 2016)
Fontes
- Haile-Selassie, Y.; Gibert, L.; Melillo, S. M.; Ryan, T. M. et al. (2015). "New species from Ethiopia further expands Middle Pliocene hominin diversity". Nature 521: 483–488. DOI 10.1038/nature14448. Acessar
- Spoor, F.; Leakey, M. G.; O'Higgins, P. (2016). "Middle Pliocene hominin diversity: Australopithecus deyiremeda and Kenyanthropus platyops". Philosophical Transactions of the Royal Society B 371(1698): 20150231. DOI 10.1098/rstb.2015.0231. Acessar
- Haile-Selassie, Y.; Schwartz, G. T.; Prang, T. C.; Saylor, B. Z. et al. (2025). "New finds shed light on diet and locomotion in Australopithecus deyiremeda". Nature 648: 640–648. DOI 10.1038/s41586-025-09714-4. Acessar
- Haile-Selassie, Y.; Melillo, S. M.; Su, D. F. (2016). "The Pliocene hominin diversity conundrum: Do more fossils mean less clarity?". Proceedings of the National Academy of Sciences 113(23): 6364–6371. DOI 10.1073/pnas.1521266113. Acessar
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- Kenyanthropus platyops c. 3,5 a 3,3 milhões de anos atrás (Leakey et al. 2001; Hanegraef et al. 2024)
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