Arslantepe (Malatya): do edifício cerimonial do período VII ao complexo "palacial" do período VI A
c. 3500-3000 a.C. (edifício do período VII c. 3500-3400 a.C., sem datação por radiocarbono; complexo do período VI A "no fim do IV milênio", segundo Frangipane; datas não identificadas como calibradas) · Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em Arslantepe, perto de Malatya, no leste da Anatólia, as escavações de Marcella Frangipane revelaram, por volta de 3500-3400 a.C., um grande edifício de planta tripartida usado para redistribuição de alimentos sob controle administrativo, feito com materiais exclusivamente locais. Mais tarde, no fim do IV milênio, o sítio tinha um complexo público de c. 2.000 m² que ela chama de primeiro "palácio" conhecido do Oriente Próximo. Segundo Frangipane, a centralização foi uma evolução local, anterior à expansão de Uruk, e não só emulação de modelos mesopotâmicos.
O edifício do período VII
Frangipane (2000) descreve o período VII (de c. 3800 a c. 3400 a.C., na primeira metade do IV milênio) e, na última fase, um edifício de cerca de 390 m², com muros de 1,60 m de espessura sobre uma base de lajes de pedra e tijolo cru, planta tripartida, sala central de uns 18 x 7 m, nichos e pinturas murais em vermelho e preto sobre reboco branco. Uma estrutura de estacas de madeira sob o piso é, segundo ela, técnica construtiva sofisticada. Como não houve incêndio, o prédio parece ter sido abandonado e arruinado aos poucos, e por isso não tem datas de radiocarbono. (Frangipane 2000)
Tigelas e selos: a redistribuição
No edifício do período VII só se achou material de duas classes: centenas de tigelas feitas em massa e impressões de selos em argila (cretulae). Frangipane (2000) interpreta isso como redistribuição de alimentos sob controle administrativo, provavelmente em forma cerimonial, e vê nele um edifício maior que cada um dos templos do período seguinte, parecido com os templos mesopotâmicos na planta mas com cerâmica local, sem sinal de influência meridional. Daí concluir que houve centralização por elites locais antes da expansão de Uruk e independentemente dela. (Frangipane 2000)
O complexo do período VI A
O conjunto do fim do IV milênio cobre, na parte escavada, cerca de 2.000 m², com áreas de armazenagem, redistribuição, administração e cerimônias num único conjunto arquitetônico, segundo Frangipane (2000). Milhares de cretulae, com quase 200 selos diferentes, e centenas de tigelas feitas no torno mostram uma contabilidade sem escrita: as cretulae eram guardadas e contadas ao fim de cada período administrativo. A autora compara a organização à de Uruk, onde artesãos dependiam dos templos e recebiam rações, e vê em Arslantepe uma diferença: religião, economia e poder ficam no mesmo conjunto. (Frangipane 2000)
Diferenças locais e um colapso rápido
Frangipane (2000) liga o desenvolvimento do palácio a um papel crescente de Arslantepe como intermediário nas trocas com comunidades mesopotâmicas, ao desenvolvimento da metalurgia e à adoção de modelos cerâmicos do sul, com cerâmica negra e vermelha polida de tradição anatólica e transcaucásica para itens de luxo. Chama a secularização da centralização de processo original e de aceleração forçada, talvez causada pela dificuldade de controlar uma população mais variada e menos urbanizada, que levaria ao colapso do sistema com a mesma rapidez. (Frangipane 2000)
Fontes
- Frangipane, M. (2000). Origini ed evoluzione del sistema centralizzato ad Arslantepe: dal "tempio" al "palazzo" nel IV millennio a.C. Isimu, 3: 53-78. DOI 10.15366/isimu2000.3.001 (PDF em https://revistas.uam.es/isimu/article/download/3613/3855/7142), consultado em out. 2026. Acessar
- Baldi, J. S. (2022). Alain Le Brun (with the contribution of Naomi F. Miller), Suse. Sondage stratigraphique de l'Acropole I couches 21 à 18 (campagnes 1977-1979) [resenha]. Paléorient, 47(2): 109-111. DOI 10.4000/paleorient.1340 (https://journals.openedition.org/paleorient/1340), consultado em out. 2026. Acessar
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