Atlas da História

Cultura Kura-Araxes (c. 3500-2500 a.C.): origem no Cáucaso Sul e o debate sobre sua periodização

c. 3500-2500 a.C. (datas calibradas, segundo Passerini 2022, que as chama de limites "confortavelmente" aceitos; início entre 3700 e 3350 a.C. conforme o autor) · Anatólia e Cáucaso

Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.

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A cultura Kura-Araxes, do Cáucaso Sul, é situada por Annapaola Passerini (2022) entre 3500 e 2500 a.C., com os limites dados como pouco controversos. O que está em disputa é a divisão interna: arqueólogos defendem um esquema em três fases (KA I-III) ou em duas (KA I-II, proposta de Ruben Badalyan, ligado à "sequência armênia", com ruptura por volta de 2900 a.C.). Passerini mostra que as duas leituras dependem tanto das datas de radiocarbono calibradas quanto de escolhas sobre que traços da cerâmica contam.

Uma cultura, dois esquemas

Passerini (2022) afirma que a extensão absoluta da cultura Kura-Araxes, entre 3500 e 2500 a.C., foi em grande parte aceita, mas a periodização interna continua em disputa entre um esquema contínuo de três fases (KA I-III) e um esquema discreto de duas (KA I-II). Ela observa que o início da Idade do Bronze no Cáucaso Sul, c. 3500 a.C., é anterior ao do sistema de Santa Fé (c. 3000 a.C.), e que há quem faça do começo da Kura-Araxes o marco dessas periodizações maiores. (Passerini 2022)

O esquema de três fases

Segundo Passerini (2022), antes do radiocarbono os esquemas de três fases (inicial, madura e tardia) se apoiavam na tipologia da cerâmica e ficavam no III milênio. Sagona (1984) fixou a KA II pela presença de materiais Kura-Araxes e importações de Uruk e Jemdet Nasr na região de Elazığ, c. 3200 a.C., e o fim dela pelo aparecimento de cacos Kura-Araxes ou Khirbet Kerak em níveis de Mardikh IIA (2800/2750-2450 a.C.). Cada fase descreveria uma expansão a partir do Cáucaso Sul. (Passerini 2022)

O esquema de duas fases e a Armênia

Passerini (2022) relata que o programa de datação no sítio de Gegharot, na Armênia, mostrou sobreposição entre os conjuntos cerâmicos Karnut-Shengavit e Shresh-Mokhrablur, antes tidos como etapas sucessivas, e um hiato entre os níveis iniciais e tardios. Daí Badalyan propôs a fase inicial de "homogeneidade" e a tardia de "heterogeneidade". Para Passerini, isso muda o foco: do "ciclo de vida dos materiais" para o "ciclo de vida dos assentamentos". (Passerini 2022)

Por que o radiocarbono não resolveu

Para Passerini (2022), o radiocarbono não encerrou o debate, porque a ambiguidade da calibração e os critérios usados para definir o que é Kura-Araxes, em geral a cerâmica, moldam a leitura das datas, e as datas, por sua vez, moldam a periodização. Ela destaca que as séries do Cáucaso são hoje bem maiores que as de poucos anos atrás, entre elas as do Projeto ArAGATS, as georgiano-italianas de Shida Kartli e as franco-armênias, e defende a modelagem bayesiana para separar o dado da suposição. (Passerini 2022)

Fontes

  1. Passerini, A. (2022). Thirty years in the making: A critical overview of the Kura-Araxes periodization from a radiocarbon perspective. AJNES, XVI(1-2): 323-348. PDF em https://par.nsf.gov/servlets/purl/10429111, consultado em out. 2026. Acessar

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