Trigo-comum e Aegilops tauschii em Gadachrili Gora e Shulaveris Gora (Geórgia): grãos datados de c. 5900 a.C.
c. 5900 a.C.: duas datas de radiocarbono de grãos, 5922–5832 a.C. (Shulaveris Gora) e 5808–5747 a.C. (Gadachrili Gora), segundo Rusishvili et al. (2026); ano astronômico −5921 para o limite mais antigo · Anatólia e Cáucaso
Em pesquisa: texto escrito a partir das fontes listadas abaixo, ainda sem revisão de especialista. Datas e interpretações podem mudar.
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Em 2026, uma equipe do Museu Nacional da Geórgia e parceiros publicou grãos carbonizados e fragmentos de ráquis de trigo-comum (Triticum aestivum), além de grãos de Aegilops tauschii, a gramínea silvestre que contribuiu com o genoma D do trigo-comum, achados em Gadachrili Gora e Shulaveris Gora. Duas datas de radiocarbono de grãos caem em c. 5900 a.C. Segundo os autores, é a evidência física mais antiga de trigo-comum conhecida e sustenta o sul do Cáucaso como um dos centros independentes de origem da espécie.
A pergunta: onde nasceu o trigo-comum
Segundo Rusishvili e colegas (2026), o trigo-comum (Triticum aestivum) é um trigo hexaploide de debulha livre, que veio da hibridização entre um trigo tetraploide já domesticado e a gramínea silvestre Aegilops tauschii. Os estudos genéticos que eles citam estimam a formação da espécie em cerca de 7000 a 6500 a.C., ou há cerca de 8.000 anos, e apontam como lugar mais provável o sul do Cáucaso e o sudoeste do Cáspio, onde está o centro de diversidade genética de A. tauschii. Os autores dizem que faltava evidência arqueológica física que sustentasse essa hipótese. (Rusishvili et al. 2026)
O que foi achado
Em Gadachrili Gora e Shulaveris Gora, nas escavações de 2014 a 2019, os autores identificaram grãos carbonizados e fragmentos de ráquis de trigo-comum, ráquis de trigo-duro, e uma base de espigueta de Aegilops, com grãos que, por morfometria, só se parecem com A. tauschii atual (comprimento médio de 2,8 mm contra 4,5 mm nos grãos modernos). Havia ainda einkorn, emmer, trigo-clube, cevada vestida, lentilha e ervilhaca. O artigo observa que os fragmentos de ráquis são o critério mais eficaz para separar trigo-comum de trigo-duro, o que dificulta identificar a espécie só pelos grãos. (Rusishvili et al. 2026)
A datação
Duas amostras de grãos com traços de trigo-comum, colhidas em 2018, foram datadas no Laboratório Dangoor do Instituto Weizmann (Israel): RTD-9641, de Shulaveris Gora, 5922–5832 a.C., e RTD-9642, de Gadachrili Gora, 5808–5747 a.C. Elas foram colocadas no modelo bayesiano de 215 datas de radiocarbono de sítios neolíticos do sul do Cáucaso, calculado em OxCal 4.4.4 com a curva IntCal. Para os autores, isso ancora o achado nas fases mais antigas da cultura Shulaveri-Shomutepe e o torna a evidência física mais antiga de trigo-comum que se conhece. (Rusishvili et al. 2026)
Um trigo com nome georgiano e a mesma gente do vinho
O artigo menciona que, entre os trigos do Neolítico de Kvemo Kartli, está o trigo de Kartli, Triticum carthlicum, chamado "Dika" em georgiano. Os autores ligam o trigo-comum à população que, nos mesmos sítios, segundo outros estudos da equipe, fazia vinho (registro próprio): para eles, a região é um centro documentado de domesticação precoce tanto do trigo-comum quanto da uva. Ressalvam que, quanto à uva, não há paleobotânica de variedades domesticadas, só pólen em abundância. (Rusishvili et al. 2026)
Fontes
- Rusishvili, Nana; Jalabadze, Mindia; Mosulishvili, Marine; Batiuk, Stephen; Maghradze, David; Boaretto, Elisabetta; Martkoplishvili, Inga; Meladze, Nana; Lordkipanidze, David (2026). "An independent center for the origin of bread wheat in the Neolithic period of Georgia in the South Caucasus". Proceedings of the National Academy of Sciences 123(19): e2537697123. DOI 10.1073/pnas.2537697123 (resolve em doi.org). Texto completo baixado pela API do Europe PMC, PMC13167720, em 29/10/2026. Acessar
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